10 março, 2011

BASTO (Cacau Loureiro)


Temporal fecundo banhando-me em melodias de

afeto, encharcando-me a alma deveras encantada;

frescor aquoso que frutifica o meu sorriso e traz

profusão às minhas horas mortas.

Como não dançar na chuva, como não cantar

as odes que me tomam e ocupam-me os dias

estacionários, meus pensamentos vazios?!

Como abastado córrego deixo fluir as tuas correntes

generosas, tesas águas onde mergulho sem receio

o meu apreço, tantas quimeras.

Sede que me mata em avidez e faz vir à tona

esta vontade de beber em teus lábios, de imergir

em tua boca e diluir-me em teu corpo.

Substância visceral a espargir-se por meus poros,

a ocupar-me em ambíguas sensações.

Capricho que me abraça e abarca sensibilidades

e delírios.

Paixão torrencial, nascente de desejos, cristalino

vício, águas de março a afluírem em meu peito!...

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