29 outubro, 2009

VIAGEIRO (Cacau Loureiro)


A alegria partiu... não deixou rastros...

como trem expresso não fez parada

em meu coração isolado.

Caminho a esmo pelos trilhos da

saudade...  adiante os paralelos se

confundem, não se encontram.

Entre as férreas linhas que se partem,

além do horizonte o céu é túnel sem luz...

é rumo infindo.

Há um silêncio mórbido no aço frio

das vaidades, não há vestígios de som,

não há chegada.

Na plataforma deserta, o meu amor é

viageiro, andarilho sem pausa.

O tempo cessou na partida das lágrimas onde

o relógio é maquinista insensível.

Minha bagagem parece-me inútil, pois que

minhas vestes são maiores que meus sonhos.

Arrasto emoções para destino sem causa,

não há portas suficientes para a multidão

de desejos...

Translado a paisagem que me morre velozmente

para o fundo do meu peito peregrino.


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