Esta brisa que sopra neste começo
de tarde, faz-me doer até os ossos.
É a lembrança que me faz doer o
peito, faz-me tiritar em calafrios.
Fixo os meus olhos na névoa triste,
tentativa frustrada de ver-te ao longe.
Meu ser em desafio persegue-te
em recordações.
Sigo neste afã para que não
fujas de minha memória, posto
que já te tenho em meu coração.
És lício para todos os meus males,
és o vício de todos os meus dias...
Necessito redesenhar-te como uma
escultura entre os meus dedos,
preciso te ver, preciso te ter. Mais
do que palavras, as quais escrevo,
gostaria de compor uma canção,
que falasse de tardes frias, mas,
primaveris, de névoa triste, mas,
de ser feliz... talvez, não conseguisse
canta-la, com certeza, recita-la... e
reescreveria com meus dedos, minhas
mãos, meus lábios, toda a poesia dos
teus traços... matizaria tua face, alegraria
meu espírito, por um instante apenas que
eu te fitasse. Contudo, guardo em meu
coração a primavera desarraigada pela
tua ausência, cultivo em algum recôndito
do meu ser a voz da tua inocência; uma
vontade louca, a própria indecência, de
embalar-te nos meus versos, de apertar-te
em meus braços...
Primavera e uma canção...
Este é um espaço de criação e partilha literária. Comentários são acolhidos quando dialogam com o texto e com a experiência de leitura.
Todas as mensagens passam por mediação. Conteúdos de natureza pessoal ou relativos à vida privada não são publicados aqui — para preservar a delicadeza entre obra e intimidade.
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Gratidão pela leitura sensível.