SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

25 outubro, 2025

GIRASSÓIS (Cacau Loureiro)


E o mundo voluteou, assim, os girassóis do

tempo fizeram os seus caminhos... sombras

ecoaram em meus passos solitários, mas, a

minha alma, buscou o sol, alento dos que não

desistem... E o teu astro brilhou ante meus

olhos hesitantes, adentrou minhas gemas e

me fez achar a iridescência das opalas, em 

cores que romperam as madrugadas para se

fazerem alvorada nas toadas do bem querer.

Dou-te as flores amarelas de um helianto de

sonhos que se alteou no céu dos amores

esclarecidos, que soprou em minha boca os

bafejos das paixões inesquecíveis. Deixa as

pétalas douradas voarem através dos ventos

da transformação, deixe-as romperem as

distâncias, as estradas longínquas, deixe-as

buscarem as manhãs ensolaradas onde o

paraíso germinou as flores perfumadas

brotadas de tuas mãos...  erigidas na firmeza

do barro que edificou a natureza das bonanças;

forte, feito os caules dos girassóis bonitos que

hasteaste em meus canteiros de tristezas!...

22 outubro, 2025

AURORA D'ALMA (Cacau Loureiro)


O teu sorriso adentrou pelas frestas da janela...

Entre os meus olhos semiabertos e o sol dessa

manhã primaveril, os feixes da vida se fizeram

dossel... cama macia de sonhos a despontar

no céu como belíssima aurora, luz da manhã

como raios de eternidade adentrando meu peito.

E assim, as brancas nuvens tocaram os meus

cabelos e acordaram minha alma para esse

presente do divino que se chama amar com

alegria!... Distinta ponte sobre rios de belezas...

As pétalas da esperança que germinaram em

meu jardim acolheram o teu abraço caloroso,

o teu sorriso singular que refulge como o astro

rei nessas alvoradas azuis que me trazem os

cheiros e as cores do teu viver bonito, como

café quente e pão do espírito a imantar a

tudo e a todos em derredor.

Nessa ciranda de cores, estrelas e flores dão

as mãos para recriarem as torrentes de águas

generosas na fértil dança dos amores renascidos

nos ventres abastados da bondade que foram

consagrados nos céus para se reencontrarem

na Terra!...

16 outubro, 2025

TODA BELEZA (Cacau Loureiro)

Da Criação tem todas as belezas, porque

criatura és de todas as graças, benfazejo

fruto, porquanto, o sol entrou pelas frestas

das vivências raras e te moldou o caráter

singular de quem planta o renovo com

consciência e bem aventuranças.

Pois, sobre tua cabeça foi derramado o

bálsamo dos abraços acolhedores e do

olhar profundo das compreensões...

Posto que os escolhidos são separados com

esmero, selecionados na escuridão para se

fazerem centelhas nos caminhos da solidão.

A sabedoria maior te tornou sábia de si

mesma e a tornou forte para abrir os

caminhos verdadeiros e autênticos porque

os servidores genuínos andam com fé e

trazem a esperança como dádiva. Sob as

palavras da comunhão faz-se bendito o

teu verbo, porque amar é seta de mansidão

lançada para a posteridade.

Criatura de todas as belezas és, porque fazes

chover sobre as terras áridas dos homens a

compaixão, pois as flores que carregas em tuas

mãos é a caridade. Tu lanças luz por entre os

becos escuros da indiferença e faz luzir os

átrios bonitos dos corações que versam bem

querências e com teu sorriso acolhedor fazes

nascer as sementes da solidariedade, rompendo

os céus como trovão, rasgando o horizonte feito

relâmpago de benesses e faz-me ver todos os

dias nesta terra santificada que só é possível

levantar o outro, com as mãos do amor!...

23 setembro, 2025

LÓTUS LUZ (Cacau Loureiro)

A vida é encantada com sua presença luminosa,

a natureza canta sabedoria em trajetória, em

dádivas de um amor que sabes repartir...

Teu sorriso é como o sol do amanhecer, singular

estrela que se desenhou nas mãos do Criador

para se admirar em valores e promessas.

E em todas as nuances do teu corpo e dos teus

gestos há uma razão maior para ir ao teu encontro

porque novos caminhos se fazem com perseverança,

maior razão para continuar e existir.

Em teu olhar a luz que dissipou as sombras é

cristal a refletir o melhor que há e mim, que

há em ti, flor de lótus a emergir nas águas dos

rios menos tranquilos dos quais um dia sobrevivi.

E a tua estrela em via láctea são como pétalas

de flores raras a entreter os ventos, a alegrar

a essência pura que passa por teus lábios lestos,

pelo teu olhar tranquilo, leve como a brisa que

nos trouxe as sementes de um amor verdejante

e tenro, porém, venturoso na primavera onde

nós, em luz e lótus haveremos de amadurecer!...

17 setembro, 2025

CONSTELAÇÕES (Cacau Loureiro)

 

Os ventos de setembro atravessaram o meu

coração, a saudade veio fria a cortar lembranças,

a entrelaçar memórias...

Mas, outubro virá rosa como os teus lábios

carnudos e a tua boca dadivosa nos portais

de um novembro pressuroso.

Tua radiante constelação fará das asas de

Pégaso, acetinadas, como visão austral dos

mapas dos corações dos homens nos caminhos

do espírito feminino da mãe Terra.

Como nascentes nos caminhos das águas férteis

do teu ventre livre, como movimento da tua nudez

libertária, assim os dois rios abraçarão todas as

sementes... E em nova terra, fortes galhos elevarão

as flores perfumadas aos céus em contemplação

ao divino em nós, Órion e Antares em binário cosmos

em evolução, e tu, guardiã do oeste em curvilínea

cintilação! E o teu sorriso será sol a despertar minhas

manhãs luminosas, girassóis de sonhos enfeitarão

seus cabelos... Nobres frutos adocicarão nossos corpos

nus, em banquete de almas gêmeas, num amor absoluto.

03 setembro, 2025

ÁSTER (Cacau Loureiro)


Luziu na escuridão a tua estrela... rútila,

esplêndida, exuberante!

Como duvidar do que clamamos ao universo

quando estamos agonizantes?

Eu aspiro teu cheiro de lavanda, de tuas

mãos espalmadas, jasmim...revigoro-me

para a vida que há de vir e que já se apresenta

exitosa... O que esperar de diligentes querubins,

dos entes guardiães e arcanjos?!

Os sons de nebulosas descem aos meus

ouvidos, a canção com que me tocas a

alma são cânticos diáfanos, sinfonia divinal

que me expande a consciência e me clarifica

as energias...

Ante minhas sombras a tua luz ressurge

com alegria, onde os desertos seguem

noite adentro com as caravanas da

esperança, em evolução e paz.

Em tua destra me coloco, dossel de carinho

e afeições para te decifrar em poesia, para

te decantar em verso e prosa, para te

derramar em estrofes copiosas, pois,

abastada é a vida que há em ti!

Surgiste na imensidão feito luzeiro, como

fanal dos amores escolhidos... De vento

em popa, velas, naus... E doravante, quem

te dirá eu te amo como eu?!...

01 setembro, 2025

TANTO QUERER (Cacau Loureiro)


Cerração de setembro engole a tua

imagem... a saudade deixa marcas no

asfalto, cheiro de pneus no ar, odor de

distância em meu corpo.

Como reaver os teus aspectos, formas,

olores, os teus regalos?

As estradas adentram as horas, criam

os espaços... vazios de mim a romperem

as longitudes abrindo as avenidas das

vontades, as lacunas dos desejos.

Como desacelerar as batidas de um

coração descompassado, descompensado

de tanto querer?!

Sabor de vida a permanecer como nuvem

sobre minha cabeça quando chovem

pesares... retratos da memória que

me trazem você!

Ruas, esquinas e praças adentram a

minha boca e passam velozes antes as

luzes da noite em meus olhos cegos de

lembranças..., mas, a tua presença é

amanhecer de setembro novo trazendo

renovação, vida nova a florir em minha árida

querência, trama de cores em céu nubiloso,

gama de safiras azuis tecendo chegadas!...

28 agosto, 2025

VIRIDÁRIO (Cacau Loureiro)


Meu coração floriu em filigranas de

afeto, ramos vigorosos do bem querer.

Choveu pétalas das tuas mãos e fez no

meu quintal rebento novo das dileções.

Teus olhos de citrino fizeram do meu

coração labirinto de saudades, átrio-verde

de promessas...

Não mais as estradas do adeus, não

mais os solitários setembros.

É sol de primavera a dedilhar canções

bonitas em minhas manhãs, onde soergo

forças, onde apanho esperanças.

Há um misto do místico e do sublime a

transmutar novas paisagens, cenário

onde pinto em aquarela o teu sorriso

generoso, a tua flora exuberante...

horizonte onde te guardo feito tesouro,

preciosa pedra escondida em mítico

e lendário eldorado.

Nestas tardes em que te penso, em que

te busco em vento caloroso, eu aqueço

minha alma enamorada, porque nas

minas encrustadas dos sonhos és

preciosa joia, és raro advento da

natureza que entalhou em meu peito

os intrincados adornos da existência

nos entrelaces da felicidade!...