SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

23 setembro, 2025

LÓTUS LUZ (Cacau Loureiro)

A vida é encantada com sua presença luminosa,

a natureza canta sabedoria em trajetória, em

dádivas de um amor que sabes repartir...

Teu sorriso é como o sol do amanhecer, singular

estrela que se desenhou nas mãos do Criador

para se admirar em valores e promessas.

E em todas as nuances do teu corpo e dos teus

gestos há uma razão maior para ir ao teu encontro

porque novos caminhos se fazem com perseverança,

maior razão para continuar e existir.

Em teu olhar a luz que dissipou as sombras é

cristal a refletir o melhor que há e mim, que

há em ti, flor de lótus a emergir nas águas dos

rios menos tranquilos dos quais um dia sobrevivi.

E a tua estrela em via láctea são como pétalas

de flores raras a entreter os ventos, a alegrar

a essência pura que passa por teus lábios lestos,

pelo teu olhar tranquilo, leve como a brisa que

nos trouxe as sementes de um amor verdejante

e tenro, porém, venturoso na primavera onde

nós, em luz e lótus haveremos de amadurecer!...

17 setembro, 2025

CONSTELAÇÕES (Cacau Loureiro)

 

Os ventos de setembro atravessaram o meu

coração, a saudade veio fria a cortar lembranças,

a entrelaçar memórias...

Mas, outubro virá rosa como os teus lábios

carnudos e a tua boca dadivosa nos portais

de um novembro pressuroso.

Tua radiante constelação fará das asas de

Pégaso, acetinadas, como visão austral dos

mapas dos corações dos homens nos caminhos

do espírito feminino da mãe Terra.

Como nascentes nos caminhos das águas férteis

do teu ventre livre, como movimento da tua nudez

libertária, assim os dois rios abraçarão todas as

sementes... E em nova terra, fortes galhos elevarão

as flores perfumadas aos céus em contemplação

ao divino em nós, Órion e Antares em binário cosmos

em evolução, e tu, guardiã do oeste em curvilínea

cintilação! E o teu sorriso será sol a despertar minhas

manhãs luminosas, girassóis de sonhos enfeitarão

seus cabelos... Nobres frutos adocicarão nossos corpos

nus, em banquete de almas gêmeas, num amor absoluto.

03 setembro, 2025

ÁSTER (Cacau Loureiro)


Luziu na escuridão a tua estrela... rútila,

esplêndida, exuberante!

Como duvidar do que clamamos ao universo

quando estamos agonizantes?

Eu aspiro teu cheiro de lavanda, de tuas

mãos espalmadas, jasmim...revigoro-me

para a vida que há de vir e que já se apresenta

exitosa... O que esperar de diligentes querubins,

dos entes guardiães e arcanjos?!

Os sons de nebulosas descem aos meus

ouvidos, a canção com que me tocas a

alma são cânticos diáfanos, sinfonia divinal

que me expande a consciência e me clarifica

as energias...

Ante minhas sombras a tua luz ressurge

com alegria, onde os desertos seguem

noite adentro com as caravanas da

esperança, em evolução e paz.

Em tua destra me coloco, dossel de carinho

e afeições para te decifrar em poesia, para

te decantar em verso e prosa, para te

derramar em estrofes copiosas, pois,

abastada é a vida que há em ti!

Surgiste na imensidão feito luzeiro, como

fanal dos amores escolhidos... De vento

em popa, velas, naus... E doravante, quem

te dirá eu te amo como eu?!...

01 setembro, 2025

TANTO QUERER (Cacau Loureiro)


Cerração de setembro engole a tua

imagem... a saudade deixa marcas no

asfalto, cheiro de pneus no ar, odor de

distância em meu corpo.

Como reaver os teus aspectos, formas,

olores, os teus regalos?

As estradas adentram as horas, criam

os espaços... vazios de mim a romperem

as longitudes abrindo as avenidas das

vontades, as lacunas dos desejos.

Como desacelerar as batidas de um

coração descompassado, descompensado

de tanto querer?!

Sabor de vida a permanecer como nuvem

sobre minha cabeça quando chovem

pesares... retratos da memória que

me trazem você!

Ruas, esquinas e praças adentram a

minha boca e passam velozes antes as

luzes da noite em meus olhos cegos de

lembranças..., mas, a tua presença é

amanhecer de setembro novo trazendo

renovação, vida nova a florir em minha árida

querência, trama de cores em céu nubiloso,

gama de safiras azuis tecendo chegadas!...

28 agosto, 2025

VIRIDÁRIO (Cacau Loureiro)


Meu coração floriu em filigranas de

afeto, ramos vigorosos do bem querer.

Choveu pétalas das tuas mãos e fez no

meu quintal rebento novo das dileções.

Teus olhos de citrino fizeram do meu

coração labirinto de saudades, átrio-verde

de promessas...

Não mais as estradas do adeus, não

mais os solitários setembros.

É sol de primavera a dedilhar canções

bonitas em minhas manhãs, onde soergo

forças, onde apanho esperanças.

Há um misto do místico e do sublime a

transmutar novas paisagens, cenário

onde pinto em aquarela o teu sorriso

generoso, a tua flora exuberante...

horizonte onde te guardo feito tesouro,

preciosa pedra escondida em mítico

e lendário eldorado.

Nestas tardes em que te penso, em que

te busco em vento caloroso, eu aqueço

minha alma enamorada, porque nas

minas encrustadas dos sonhos és

preciosa joia, és raro advento da

natureza que entalhou em meu peito

os intrincados adornos da existência

nos entrelaces da felicidade!...

25 agosto, 2025

IRIANTE (Cacau Loureiro)


Teu sorriso brilhou em meus olhos...

Tua presença traz-me as flores do sol!...

Jardim onde reconheço mãos férteis e

belas germinações, girassóis amarelos.

Não posso abstrair-me dos cuidados,

o que floresce em amor, em amor deve

permanecer

Aspiro o cheiro perfumado dos teus cabelos

bonitos, da tua pele aromática, da claridade

que me purifica a alma e me faz o corpo

sorrir, estremecer.

Eu velejo para o teu mar abrangente,

aquosidade que me leva ao longe, às

terras dos deleites supra-humanos,

de arco-íris multicor.

Porque sobre humano é o sentimento

que despertas nessa alma andarilha,

nessa matéria de andrajos.

A tua estrela aponta ainda em minha

aurora interminável, lua cheia que distou

do céu e me nasceu no peito, pois que

meus dias contigo são a própria eternidade.

12 junho, 2025

CURA (Cacau Loureiro)

 

A tua estrela segue cintilante...

Pois a luz dos teus olhos abre os

caminhos como fogo abrasador.

Cheguei a tempo de te abraçar...

E o sol em seu esplendor me fez

enxergar todos os seus temporais, 

e eu peguei em tuas mãos para sempre

porque o teu sorriso leal me engrandeceu

a alma, transformou as águas da vida

que hora seguem livres, mas que nos

levam para as promessas do alto.

Eu te fito de frente e te vejo... Deusa

do amor a abençoar os meus dias com

paz, com a naturalidade de ser humana

e que me recobre com suas asas em

pétalas de auroras novas, em caminhos

sinuosos de rios abundantes e fecundos.

Em tua cortesia plena eu descansei o meu

espírito aflito, eu descobri as terras da

amabilidade e da doçura... pois em teus

lábios de mel e coração puro, eu descobri

a minha própria cura.

 

10 junho, 2025

JARDIM FANTASIA (Cacau Loureiro)

A chuva fina cai como espirais de novas campinas,

vias pacatas que vão purificando a alma e o coração...

As correntes do destino promovem dádivas, pois, a

força da transformação nos prepara para as promessas

místicas, espirituais.

Um gesto de ternura fala a língua dos anjos com lábios

humanos, e nos momentos de caos nos faz voar para

horizontes tranquilos, onde somos apresentados à paz,

onde aprendemos a reconhecer gemas afins, onde

plantamos as sementes fecundas da afeição.

A terra árida dos homens nos chama à desordem, à

perturbação, mas, os reais encontros, nos leva para os

montes onde a relva é viçosa, jardim de encantos; música

doce do universo a adestrar nossas índoles lesadas.

Nas esquinas do mundo, convites à superficialidade, ao

fútil, ao passageiro, mas, eu quero o denso, o basto, o

inteiro e o completo. O morno, o dúbio, o parco, não me

bastam... Eu quero o sol intenso em manhãs douradas!

Contigo, neste caminho de torrentes abastadas, eu quero

desbravar oceanos profundos, mundo novo a fluir em

minhas veias onde fé, esperança e amor haverão de 

correr tal e qual bonançosas águas...