SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

12 março, 2025

BUGANVÍLIA (Cacau Loureiro)

Em tuas retinas passam as águas em

abundantes correntezas de março...

Corredeiras naturais dos meandros da alma,

que hoje, nos cultivam belos amanhãs.

Prodígios do tempo e do espaço que sabemos

não existem, pois que a vida nos toma as mãos

em aprendizado, em fluxos de idas e vindas que

nos descerram os véus dos olhos, fluindo em rios

de águas claras as profecias de um Deus Perfeito.

Ventos de primavera trazem-me o teu perfume,

há um toque de pêssego em tua face bela, fruta

doce, preciosa, vazante do gosto dos gostos,

posto que em teus olhos candentes vejo o abrir

e fechar surpresos ante as profundezas do meu

grande mar de amor. Só assim eu seu dizer sobre

a vida, sobre o lauto sopro que se esplende de mim

na áurea mágica que em mim tu principias com teu

fogo abrasador. Há um cheiro de flor a invadir todos

os meus sentidos como incenso a trazer boas energias,

a purificar recônditos transformados, jardim feito pelas

mãos da primavera nova, prima-dona que me trouxe

luzes e cores... Fenômenos da tua natureza em mim 

10 março, 2025

ESTAR COM VOCÊ... (Cacau Loureiro)


Brisa fresca balouça os florais e os frutos

para despertar a vida que passa como o

vento matreiro que deixa nossos anseios

ariscos, e levanta a poeira do tempo, e

revolve as lembranças tão cinzas...

Há um beijo a se dispersar na ventarola do

mundo, refrigério para as dores, bálsamo

para aqueles que aguçaram os sentidos.

Nos ouvidos das manhãs o estribilho dos

versos na música que se escreve na alma do

dia a dia, e vivifica os espíritos amantes, e

refaz os ânimos cansados. Ah! O tempo

do encontro foi vento forte que mudou

direções, alçou velas, singrou novas águas,

alterou rotas, moveu estações!

Há um sol deslumbrante acendendo

paisagens num verde que me esperançou...

Estar com você... Estar com você...

É vestir minha alma de sonhos, é tornar

os meus passos tenazes, é abrir meus olhos

fechados, é clarear os meus dias sombrios.

Em teu hálito morno, em teu aberto sorriso

percebi que o sopro do mundo me inspira,

que os ventos das ruas me ensinam e que as

virações que mudam os rumos dos mares,

também me conduzem às águas da felicidade!...

07 março, 2025

ÂMBAR-GRIS (Cacau Loureiro)


Canções de sol fazem ritmo em meu peito,

cinge-me um clarão de melancolia no rosto

com um coração molhado em saudade...

A natureza canta suas cores de ave caída do

céu... pássaro alaranjado dos olhos dourados.

Asas da imaginação eu crio para voar ao teu

infinito de fluídos romanescos em profundo

azulino de ímpares sensações.

Eu vi os cristais do tempo em tuas águas

copiosas e eu encontrei um diamante de

rara beleza em reflexos cristalinos de vida

em plenitude, por isto quero colher as flores

rosáceas por estes caminhos corteses.

Dá-me ainda esse tempo cadenciado de

vozes sussurradas que compõem tuas cifras

belas, exuberantes, melodia harmoniosa em

perfume almiscarado, âmbar-gris em mágicas.

Dança comigo a valsa dos amores esperados

sem pressa, e, no entanto, tecidos em filigranas

caprichosos nas manhãs de dias quentes de findo

outono, em pré-verões de almas luminosas.

Que as tuas águas abundantes criem os cristais do

tempo nas tempestades da vida... e que tua chuva

argentada permeie para sempre os meus caminhos

como joia rara a valorizar toda uma existência!

 

17 fevereiro, 2025

HUMANO-ALÉM (Cacau Loureiro)


Eu amarro o tempo na palma da minha mão...

Como apagar lembranças se o meu travesseiro

está ébrio do teu suor... e o teu cheiro habita

por todos os ângulos da casa tirando móveis

e móbiles de lugar?!

O sol lá fora chama os homens às distrações,

mas, eu levo este clarão em meus olhos, onde o

teu corpo ameniza-me as fogueiras das vaidades.

Há corredeiras a me lançar em tuas águas

generosas, mergulho profundo daqueles que

buscaram ressurreição em vida e encontraram

a pedra filosofal da eternidade.

Há um céu azulíssimo a rebrilhar em minha

alma senciente, pois que o amor reluz feito

astro rei em hemisfério poético clarividente,

sulcando esses caminhos navegados em gôndolas

arrimadas de ternura para humano-além.

Como flor de baunilha teus aromas se depreendem

do teu ventre compondo raro perfume em tua natureza

copiosa... adentras minha cabeça, minha pele e narinas... 

Odores inarráveis trazendo-me os ventos da boa vida!...

21 novembro, 2024

SEMENTES LUZ (Cacau Loureiro)


Há uma luz no fim do túnel... acreditemos

que essa sabedoria que reside em nós, é

força motriz a nos iluminar o espírito viajante.

O feixe das claridades nasce na alma, assim,

por onde andarmos, sejamos sol, posto que

não há sombras nas trilhas do bem.

Nos dias em que nos vemos abandonados,

levantemos o bastão da esperança porque

será ele que nos levantará do chão e calcará

estradas com novos significados.

Dias há em que o mundo nos vira as costas,

nessas horas pousemos o olhar no céu porque

é de lá que descerá a chuva da renovação,

fazendo-nos solo cultivado para os recomeços.

Quando as lágrimas dificultarem nossa visão,

descansemos as mãos sobre o coração porque

é nele que nascerão as sementes do perdão,

porque somos filhos estimados libertos em

compaixão e caridade.

As palavras sábias vêm do silêncio, pois, a

balbúrdia do mundo não nos dará direção, e

somente a contrição nos trará as respostas para

as palavras rudes e atitudes medíocres.

As pedras jogadas pelo caminho machucam

nossos pés, contudo, que as deixemos burilar

o espírito porque somente ele nos fará voar

por sobre o amplo sentido da Criação...

Basta olharmos para além dos campos, no vale

das altas montanhas avistemos os lírios que

tecem e contêm todas as belezas da Terra porque

o divino permanece em nós como herança.

Deixemos o vento soprar sobre o joio e o trigo,

olhemos para nossas mãos... somente ficarão

os haveres do belo que lançamos ao largo do

caminho!...

17 outubro, 2024

DIVINO VENTO (Cacau Loureiro)

Rasgar a blusa, assim como rasgo o peito

e ir à luta... sangrando, sorrindo, cagando

e andando, pois, que ninguém nos vê como

realmente somos, pois há enganos...

Assim a vida vai rolando, arrastando planos,

levantando as folhas, movendo histórias,

desenhando sonhos e consumindo os anos

que tão bobos desperdiçamos.

E depois de conhecer os irascíveis, meu

intento é buscar um final ditoso, novas

diretrizes sem me importar se vão me

entender e o porquê de sermos tão felizes.

Olhar o horizonte e sair sem rumo, para

o começo ou para o fim do mundo, até

mudar de nome e na porta da rua quebrar

grilhões, romper cadeados, quem sabe

fazer um pacto de sangue.

Como kamikazes nos lançar nos alvos para

implodir os negros caminhos humanos, sermos

as chaves de caminhos fortuitos, no entanto,

de prodigiosos pontos futuros.

Descerrar os véus dos olhos, viver o grandioso

tempo das liberdades da alma, do verdadeiro

cultivo do espírito e em vento divino, abrir as

asas e planar sobre tudo e sobre todos, só eu 

e tu, o mar, o céu e a lua!...

15 outubro, 2024

TAPATI (Cacau Loureiro)

O sol varreu minha estrada!...

Elevou-se no horizonte para

brindar a tua existência bonita.

Não posso mais imaginar esses

cominhos sem a tua presença

iluminada... porque a vida só

é boa contigo.

E os sons da natureza fazem

música em meus ouvidos, e eles

falam de trilhas encantadas, de

ritmos harmoniosos, pois, cantar

a existência contigo é fazer coral

para as maravilhas do universo.

Como eu pude pensar neste mundo

sem o teu abraço que descolou minha

alma das coisas rasas, fluidas deste

mundo vão, coloriu-me ante o preto e

branco da racionalidade desumanizada.

Pois, eu vi o segundo sol quando olhei

para teus olhos aquosos, brilhantes

como a maior estrela das galáxias.

Levito com tudo o que o teu sopro de

vida depositou em meu espírito...

preencheu vazios, despertou sonhos,

incutiu alegria em dias sombrios.

Fez renascer o divino em mim num

entusiasmo que me fez reconhecer

em graça, em luz e poesia de que

Deus só pode ser amor!...

19 setembro, 2024

EU PROCURO VOCÊ (Cacau Loureiro)

 

A minha atitude incandescente

para com aquilo que dizes, em

mim, não é tão comum assim...

Porque não é normal gostar de um

jeito louco, de uma forma diferente,

apenas, a gente sente, acredites.

E é isso que eu quero que entendas,

sem preconcepções, ou amarras,

este é o meu apelo... como farol em

alta torre nos mares onde navegas.

Quero fazer-te sentir o quanto brilham

as estrelas do firmamento, o fogo

eterno do rei Sol dentro da noite, pois

que nenhuma noite é tão escura.

Que eu possa te ofertar um punhado 

do que sinto, do que tenho, de tudo o 

que quero e preciso.

Por isso te busco na noite... como

um refúgio, onde não há barreiras,

preconceitos, pudores, subterfúgios.

Conheces minha alma, sem atalhos, 

posto que aberta estou a ti, ao que

sentes, ao que esperas...

Sonho tão alto e tu não sabes que eu

posso sobrevoar todas as esferas, 

todos os planetas. 

A tua letra faz poesia em minha alma,

o teu sorriso, canção em meus ouvidos.

Quero ser, sem pretensão tão desmedida,

canção e poesia em teu coração, porque

escrevo sempre tentando te dar respostas.

Sigo-te por estes caminhos do mundo,

caminhos imensos, tortuosos, intolerantes.

E mesmo ao longe, tão longe, onde tu vives,

consigo como antena captar as ondas do 

teu riso.  

EU PROCURO VOCÊ!

Na tristeza do meu pranto...

na alegria do teu riso...

Encontro-te nas palavras, no vídeo da vida,

na tela do mundo, na dor, dentro da minha

própria alegoria, dentro do meu computador.