SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

28 agosto, 2024

O TEMPO E O VENTO (Cacau Loureiro)

Horas esparsas onde minhas lembranças

passeiam em teu sorriso flutuante.

O mar imenso que há em teus olhos inunda

também minhas águas abastadas...

O que farei desta viagem que não cabe mais

em mim, e como soprador selvagem adentra

florestas, movem as dunas do momento que

me segue lento por dentro?...

Saudade que macera, e faz correr estradas,

e faz mover a lua, mas, não se achega ao

teu corpo, ah! esses teus caminhos sinuosos

de desejos, de prazeres, de belezas!...

Eu abro as janelas e vejo as velozes luzes que

adentram minhas retinas e põem fogo em meu

peito e fazem arder minhas vontades.

E é o tempo, e é o vento a me prender contra

a parede da distância, aos quilômetros que 

me comovem, mas, movem-se devagar ante o

que corroeu meus dias de brancuras e de nadas...

ante minhas vistas, um holograma de ti remonta

momentos, em minhas veias as correntes fluidas

que me avivam a alma e faz brotar uma vida inteira

de esperas que me enchem as mãos de dádivas,

mas, que me pesam os pés como grilhões onde me

arrasto até onde estás e que me estacionam no trânsito

de tantos pensamentos, em emoções de um rumo só ...

em uma sexta-feira louca, quando eu corro demais,

corro ao encontro desta vontade... 

Vontade louca de te ver!!

07 agosto, 2024

MANIFESTA (Cacau Loureiro)


Há uma gema preciosa a habitar este globo,

presença entre flores sarapintadas de alegria,

flora em espírito a refrescar-me dias candentes...

Mãos de fada em pirlimpimpim de mágicas a

transformar pedras em maná de consagração.

Manifestar-se dentre a exuberante sarça por

divinas mãos, moldada, é ter o dom de luzir estrelas,

tornando férteis o solo seco das amarguras hominais... 

Contemplo tuas paisagens exatas, vejo-te em

manifesta presença, raridade das estações aquosas

a matar a sede dos que buscam alimentos d’alma.

Eu esfrego entre meus dedos tua essência, feita de

lua e de sol e que risca um clarão no céu ofuscando

aquilo que não conceba benesses ou que cesse as

lembranças.

Brotam-me lírios de delírios como ouro de festa,

assim vivo “caetaneando” mais que demais teus

olhos de gueixa... Brilhante luz... Revelação!...



04 julho, 2024

FLORES RARAS (Cacau Loureiro)

 

Eu vi tuas flores raras nascerem do teu sorriso

franco e suas pétalas seguem com o alísio para

se espraiarem pelo mundo... o mundo ideal que

sonhamos... com a paz que liberta como chuva

de rosas brancas, com o afeto que se expande

também colorido por ruas e avenidas nas quais

caminhamos para o amanhã e nos fez cruzar para

a edificação dos sentimentos súperos.

Pois, há um belíssimo sol a iluminar aqueles que

seguem os desígnios do Criador com bondade!...

Eu testemunho suas raízes crescerem com a 

força e a imponência dos que sobreviveram aos

incautos e às tempestades do não entendimento,

e sei que as águas límpidas dos amores maiores 

correm por suas veias porque isso te eleva entre os

homens também em humildade, faz-te planar sobre a

Terra como um grande espírito em busca de libertação.

Encontramo-nos por estas esquinas inóspitas dos

saberes humanos, mas, buscamos o conhecimento

ante as vicissitudes e percalços, pois que, descalços

limpamos nossos espíritos para melhores dias, estes

que cultivamos a cada nascer do sol, a cada gota de

orvalho que retempera a terra que nos suja os pés

e nos lava a alma...

Eu vejo tuas flores raras nas noites que descem sobre

meus olhos e que me acordam para as manhãs que

me renovam em esperança e alegria porque seus

aromas revigoram-me para a estrada e para o sonho...

Eu quero preparar o chão que nos leva ao futuro com a

firmeza daqueles que sabem o que querem, sob a égide

do divino que nos move em direção ao eterno, com as

flores raras do hoje a adornarem nossas cabeças porque

saberemos plantar o amor com dignidade...

11 junho, 2024

PROMISSÃO (Cacau Loureiro)


Há um universo encantado onde pousa

meu espírito sonhador, há um encanto

a me movimentar pelas vielas desse

globo de fábulas.

Há uma menina de vestido colorido a

brincar pelas canções bonitas, pulando

amarelinha em meu mundo cor de rosa.

Há um cheiro de acácias a nos envolver,

nesta brincadeira de roda... o tempo-será

não haverá de brincar de esconde-esconde,

pois, os caminhos serão de descobertas

venturosas, portanto, era uma vez...

Teus olhos e sorriso comporão este arco

da aliança como girassol nos jardins dos

Homens, como arco-íris no céu depois das

tempestades, porque bonançoso os ventos

nascidos no desejo dos que sabem amar.

Adiante há os votos plasmados no invisível,

enraizados em nossos corações como átrios

de um castelo, fortemente protegido pela

esperança. E verdes são os ventos que nos

movem ao futuro, trilhas de bençãos e de

paz para fazer permanecer para sempre em

minha alma teus olhos promissores...

29 abril, 2024

RECRIAR (Cacau Loureiro)

Ante a escuridão levantei meus olhos e
dentro da fumaça densa da noite eu
pude ver a luz nascer... Como o amor
pode nos levantar do limbo para um
amanhã profícuo!
Estradas quebradas, caminho desfeitos
também remendam e endireitam sonhos,
porque é preciso errar para reconstruir.
Estendo as mãos ao futuro para prover
aqueles que me chamam pelo afeto,
onde as máscaras realmente caem e
nos fazem ver a nós mesmos. Hoje
o meu espelho é aquele em que te
reflito e profundamente te vejo.
E eu que tanto plantei no passado para
colher no tempo presente tudo aquilo
que me cabe.
O mundo possui bifurcações que
nos confundem, mas, tudo é lição
e ensinamento, por isto, lanço-me
ao real aprendizado.
Eu só quero descansar minha cabeça
em teu peito honesto, berço onde ouço
as canções mais bonitas porque o teu
colo é repouso de alegria e refazimento.
A brisa penetra meus poros e faz
este concerto onde as constelações
cantam o teu belo universo.
Não, não há letras tortas neste hino o
qual te consagro... Pois, minhas rimas
correm para o teu rio de paz onde o
meu riso transborda esperança!...

24 abril, 2024

REGALO (Cacau Loureiro)


Existe em ti uma trilha de sol, feixe luminoso a

toldar meu afeto e que cintila continuamente

em meu afetado coração.

A palavra que em ti encerra-se, chama-se bálsamo,

pois que és unguento sobre minha corrida vida,

assim como pura vida corre em ti!...

Mais fáceis são os rumos da ternura, não há

humana força que a cesse, posto que contagiosos

os laços feitos no eterno tempo que nos foge

das mãos como as horas.

Contudo, meus pensamentos correm, passam

na tela de encantado mundo como fita colorida

na dança das emoções...

Há um cântico de paz em teus lábios, há um

hino de amor em teus gestos, há louvores de

esperança em teus olhos.

Não há como suster a força que promana do

teu farto espírito, porque há em tua mansidão

as cifras da concórdia... quietude, repouso.

Em meu acelerado ventre só o teu cordial ser

faz-me perceber o vento, faz-me olhar para o céu.

No páramo que em ti diviso a lua é sempre cheia,

excelsa, bonita, prata rara num mundo de desvalor.

Para além do teu horizonte singular meu mar

segue argentado em força e graça preciosas.

Caminhos de margaridas florescem, quadrantes

de belezas sem par eu vislumbro.

Contigo... desconheço a solidão...

14 março, 2024

ESPECIARIA (Cacau Loureiro)

Há uma lenta tarde a macerar as horas,

há um azul que viaja entre as nuvens

espalhando um verde de esperança

de que vou rever teus olhos âmbares...

de que eu irei tocar teu corpo quente.

A vésper morosa se aconchega no meu

peito fazendo-o queixar-se desse entardecer

que arde como febre terçã e que me causa

a tua falta...  horas mortas que se apresenta

ao sol que já vai alto também em meu seio.

Há um meio-dia que me parte ao meio, tira-me

do centro, descentraliza pensamentos, traz-me

sombras que dançam nas cavernas dos meus

sonhos exaustos, tão repletos de ti...

Na rede do tempo balanço as lembranças,

ando a esmo em tuas linhas belas, ilha de

plenos amores, oásis de suores escaldantes,

mar de beijos temperados, tão rara especiaria,

sal da vida!...

29 fevereiro, 2024

ROSA-CHÁ (Cacau Loureiro)

Eu quero a tua poesia nua...

Nuez rosa, chá dos deuses...

Essa venusta nudez em que vive a tua alma,

que ora em vez profana as madrugadas e

transforma a feiticeira dama da noite sob a

luz azul da lua...

Eu quero despir em versos o áster que voa por

sobre minha matéria e intumesce meus mamilos,

eriça todos os meus pelos e tece lúbricas rimas,

deixando-me palavras no corpo.

Eu preciso da tua poesia nua...

Essa mesma nueza que incita meus olhos atônitos,

que ora em vez infringe as leis da física e me põe

ponta-cabeça e me deixa os pés na terra e a

cabeça entre nuvens.

Eu desejo a tua poesia nua...

Essa mesma sem adornos e, no entanto, realeza,

que ora em vez entrelaça fios de ouro em filigrana

de estrofes... e como libélula do crepúsculo cria

matizadas asas e me trama este poema nu de gozo.