SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

04 julho, 2024

FLORES RARAS (Cacau Loureiro)

 

Eu vi tuas flores raras nascerem do teu sorriso

franco e suas pétalas seguem com o alísio para

se espraiarem pelo mundo... o mundo ideal que

sonhamos... com a paz que liberta como chuva

de rosas brancas, com o afeto que se expande

também colorido por ruas e avenidas nas quais

caminhamos para o amanhã e nos fez cruzar para

a edificação dos sentimentos súperos.

Pois, há um belíssimo sol a iluminar aqueles que

seguem os desígnios do Criador com bondade!...

Eu testemunho suas raízes crescerem com a 

força e a imponência dos que sobreviveram aos

incautos e às tempestades do não entendimento,

e sei que as águas límpidas dos amores maiores 

correm por suas veias porque isso te eleva entre os

homens também em humildade, faz-te planar sobre a

Terra como um grande espírito em busca de libertação.

Encontramo-nos por estas esquinas inóspitas dos

saberes humanos, mas, buscamos o conhecimento

ante as vicissitudes e percalços, pois que, descalços

limpamos nossos espíritos para melhores dias, estes

que cultivamos a cada nascer do sol, a cada gota de

orvalho que retempera a terra que nos suja os pés

e nos lava a alma...

Eu vejo tuas flores raras nas noites que descem sobre

meus olhos e que me acordam para as manhãs que

me renovam em esperança e alegria porque seus

aromas revigoram-me para a estrada e para o sonho...

Eu quero preparar o chão que nos leva ao futuro com a

firmeza daqueles que sabem o que querem, sob a égide

do divino que nos move em direção ao eterno, com as

flores raras do hoje a adornarem nossas cabeças porque

saberemos plantar o amor com dignidade...

11 junho, 2024

PROMISSÃO (Cacau Loureiro)


Há um universo encantado onde pousa

meu espírito sonhador, há um encanto

a me movimentar pelas vielas desse

globo de fábulas.

Há uma menina de vestido colorido a

brincar pelas canções bonitas, pulando

amarelinha em meu mundo cor de rosa.

Há um cheiro de acácias a nos envolver,

nesta brincadeira de roda... o tempo-será

não haverá de brincar de esconde-esconde,

pois, os caminhos serão de descobertas

venturosas, portanto, era uma vez...

Teus olhos e sorriso comporão este arco

da aliança como girassol nos jardins dos

Homens, como arco-íris no céu depois das

tempestades, porque bonançoso os ventos

nascidos no desejo dos que sabem amar.

Adiante há os votos plasmados no invisível,

enraizados em nossos corações como átrios

de um castelo, fortemente protegido pela

esperança. E verdes são os ventos que nos

movem ao futuro, trilhas de bençãos e de

paz para fazer permanecer para sempre em

minha alma teus olhos promissores...

29 abril, 2024

RECRIAR (Cacau Loureiro)

Ante a escuridão levantei meus olhos e
dentro da fumaça densa da noite eu
pude ver a luz nascer... Como o amor
pode nos levantar do limbo para um
amanhã profícuo!
Estradas quebradas, caminho desfeitos
também remendam e endireitam sonhos,
porque é preciso errar para reconstruir.
Estendo as mãos ao futuro para prover
aqueles que me chamam pelo afeto,
onde as máscaras realmente caem e
nos fazem ver a nós mesmos. Hoje
o meu espelho é aquele em que te
reflito e profundamente te vejo.
E eu que tanto plantei no passado para
colher no tempo presente tudo aquilo
que me cabe.
O mundo possui bifurcações que
nos confundem, mas, tudo é lição
e ensinamento, por isto, lanço-me
ao real aprendizado.
Eu só quero descansar minha cabeça
em teu peito honesto, berço onde ouço
as canções mais bonitas porque o teu
colo é repouso de alegria e refazimento.
A brisa penetra meus poros e faz
este concerto onde as constelações
cantam o teu belo universo.
Não, não há letras tortas neste hino o
qual te consagro... Pois, minhas rimas
correm para o teu rio de paz onde o
meu riso transborda esperança!...

24 abril, 2024

REGALO (Cacau Loureiro)


Existe em ti uma trilha de sol, feixe luminoso a

toldar meu afeto e que cintila continuamente

em meu afetado coração.

A palavra que em ti encerra-se, chama-se bálsamo,

pois que és unguento sobre minha corrida vida,

assim como pura vida corre em ti!...

Mais fáceis são os rumos da ternura, não há

humana força que a cesse, posto que contagiosos

os laços feitos no eterno tempo que nos foge

das mãos como as horas.

Contudo, meus pensamentos correm, passam

na tela de encantado mundo como fita colorida

na dança das emoções...

Há um cântico de paz em teus lábios, há um

hino de amor em teus gestos, há louvores de

esperança em teus olhos.

Não há como suster a força que promana do

teu farto espírito, porque há em tua mansidão

as cifras da concórdia... quietude, repouso.

Em meu acelerado ventre só o teu cordial ser

faz-me perceber o vento, faz-me olhar para o céu.

No páramo que em ti diviso a lua é sempre cheia,

excelsa, bonita, prata rara num mundo de desvalor.

Para além do teu horizonte singular meu mar

segue argentado em força e graça preciosas.

Caminhos de margaridas florescem, quadrantes

de belezas sem par eu vislumbro.

Contigo... desconheço a solidão...

14 março, 2024

ESPECIARIA (Cacau Loureiro)

Há uma lenta tarde a macerar as horas,

há um azul que viaja entre as nuvens

espalhando um verde de esperança

de que vou rever teus olhos âmbares...

de que eu irei tocar teu corpo quente.

A vésper morosa se aconchega no meu

peito fazendo-o queixar-se desse entardecer

que arde como febre terçã e que me causa

a tua falta...  horas mortas que se apresenta

ao sol que já vai alto também em meu seio.

Há um meio-dia que me parte ao meio, tira-me

do centro, descentraliza pensamentos, traz-me

sombras que dançam nas cavernas dos meus

sonhos exaustos, tão repletos de ti...

Na rede do tempo balanço as lembranças,

ando a esmo em tuas linhas belas, ilha de

plenos amores, oásis de suores escaldantes,

mar de beijos temperados, tão rara especiaria,

sal da vida!...

29 fevereiro, 2024

ROSA-CHÁ (Cacau Loureiro)

Eu quero a tua poesia nua...

Nuez rosa, chá dos deuses...

Essa venusta nudez em que vive a tua alma,

que ora em vez profana as madrugadas e

transforma a feiticeira dama da noite sob a

luz azul da lua...

Eu quero despir em versos o áster que voa por

sobre minha matéria e intumesce meus mamilos,

eriça todos os meus pelos e tece lúbricas rimas,

deixando-me palavras no corpo.

Eu preciso da tua poesia nua...

Essa mesma nueza que incita meus olhos atônitos,

que ora em vez infringe as leis da física e me põe

ponta-cabeça e me deixa os pés na terra e a

cabeça entre nuvens.

Eu desejo a tua poesia nua...

Essa mesma sem adornos e, no entanto, realeza,

que ora em vez entrelaça fios de ouro em filigrana

de estrofes... e como libélula do crepúsculo cria

matizadas asas e me trama este poema nu de gozo.

28 fevereiro, 2024

LUA NOVA (Cacau Loureiro)


Não morrerei por não falar... só sei que por

ti eu morro todo dia, sempre e um pouco

mais, e além, e tanto, no tanto quanto de

saudade que já não sei mais estar...

Sem ti nada fica no lugar, pois, há uma

dança que me nasce dentro e te põe para

fora em sorrisos que te dou de longe e que

te deixa mais perto. Só sei que te quero...

sempre quero, mas, te quero para ontem

porque o hoje já não me basta...

Há um amanhã de sofreguidão que pulsa

em meus poros e lateja em meu corpo,

em vida latente, neste céu incandescente

de lua cheia prateada em muitas cores.

Meus silêncios falam tanto nas manhãs em

que desperto com os raios do teu sol que

ora arde em meu peito dando-lhe o ritmo

das tardes de manso horizonte, este aceno de

despedida onde coloco minha vontade de estar...

Voo então ao teu amplexo, aquele mesmo que

num dia ameno fez-me nascer em ti, e assim fui

contigo, ali onde ficaste comigo para um até logo

que demorou tanto naquele abraço forte e que

na longa noite fez nascer tua lua nova em mim!...

22 fevereiro, 2024

LUMINOSIDADE (Cacau Loureiro)

Guardei aquele beijo que tu me deste,

aquele que acordou meu espírito e

apascentou minha alma...

Meu pensamento viageiro busca-te

no vento, aragem que desalinha meus

cabelos e alinha meus passos.

Por quanto tempo eu te esperei já

não sei, as dores nos estacionam

entre pedras, mas, sempre que

olhamos para o alto, vislumbramos

o sol, num amplo céu em que podemos

atravessar vestidos de esperança e

revestidos pela fé.

E eu repousei no horizonte meus desejos,

aspirações de quem sempre soube amar

e sonhar com as promessas.

E diante de ti, estou de pé pelo respeito

e apreço aquilo que te fez fortaleza,

entre sombras e claridades que te fizeram

crescer e ir tão longe... em teus lábios eu

bebo o vinho das essências raras, néctar

de profundos aprendizados... deposito

ósculos em tuas mãos pacíficas, pois que,

a paz é desafio para os incautos, lição para

quem só enxergava os próprios pés...

oferto-te minha alegria simples ante teu

sorriso cristalino.

Na poeira espessa do destino a luz se

resguarda para os olhos semicerrados,

e tua vinda, tua chegada em meu caminho

foi como um pasmo de luminosidade!