SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

06 dezembro, 2013

MADIBA (Cacau Loureiro)















Nos diversos tons do mundo a
tua música é quem me liberta! ...
Em África de Mandela a tua cor é
o hino que entoa em meu coração.
O vento forte dos mares que vem
de encontro à América das correntes,
vem feito tombadilho medonho cortando
os céus dos homens bons.
Exorto Castro Alves no verde e áureo
pendão de minha terra onde a salvação
estará sempre na luta injusta e árdua,
mas também no verbo forte e profundo
de todos que lutaram contra a escravidão.
O sol retira-se em silêncio pois que a
bandeira que tremula de norte a sul desta
Terra é negra como a cor dos meus
antepassados, heróis sem ostentação.
Na história que tanto falou de grades
e açoites os meus pensamentos hoje
livres voam... Pairam por sobre todas
as biografias que não tiveram final;
porque ainda seguem pelos nossos
passos tecendo os rumos da humanidade
que haverá de ser nova e que terá o seu
canto ecoando como vozes uníssonas
da liberdade, como as aves que unidas
sobrevoam a imensidão do eterno
forjando a ressurreição do homem
pelo próprio homem.
Que as grandes almas sempre
renasçam dos ventres livres como
as mais belas das inspirações! ...

08 novembro, 2013

VIGÍLIA (Cacau Loureiro)















Mortifico-me na saudade...
Sublimá-la na lembrança é
altruísmo.
Meu coração ferido, abatido
pela ausência é brasa viva a
queimar-me a alma amásia
O compassado ciclo é como
lâmina afiada, talhante, cruel.
As profundas raízes lançadas
em minhas entranhas não me
desatam de ti, porque são a causa
justa do meu abundante afeto.
Todos os dias em meu relógio
biológico, há densas noites,
escusas, intermináveis.
O sol que habita a minha imaginação,
imergiu no teu horizonte afastado...
Só o meu peito calado, extasiado da
espera faz-me fitar a lua flutuante,
na esperança de que lance teus raios
suaves e prateados sobre mim...

ÁSTREO (Cacau Loureiro)



Depuro meus sentidos para a emoção que
em mim despertas...
Espero-te nas esquinas dos planetas
iluminados... Vênus que nos atrai e nos
realiza quer nos presentear com a joia
rara de Saturno, anéis dos sublimes afetos,
laços eternos plasmados pela divindade.
E eu quero irromper em teu Universo de calor
e claridade como Marte dos meus nascedouros
dias, quentes e carmins.
Em véus e em ouro quero te perpetuar, pois
que és Sol em meus caminhos soturnos...
em minha Via Láctea de sonhos és luminosidade.
No céu sem limite do meu amor eu vou
descortinando o mundo imensurável que
me ofertas... o abismo dos teus olhos que
me acercam, as fronteiras dos teus lábios
em que me perco.
E neste abraço interestelar de nossas almas
eu edifico nosso planeta em caos, em luz e
em sons.... Explosões que me adormecem,
silêncios que me despertam em tua alvorada
de paz!...

06 novembro, 2013

GRÁCIL (Cacau Loureiro)



O tempo é doce bálsamo para as dores
do presente...
Depois de ti nasceram flores em mim!...
Merecimento ou sortilégio quem sou
eu para conhecer divinos desígnios.
Alísios habitam meu espírito depois
do teu sopro de vida em minha boca,
depois da tua terra fecunda em meu
corpo inerme.
Unguento de benesses é o teu ser para
o meu ser, a tua alma para a minha!...
Os teus campos de ternura conduzem-me
ao infinito dos eternos afetos, fazem-me
perceber a essência do real verbo, amar.
E quero ainda ouvir a tua música que me
move comovente e toca cada nervo do meu
ser como cantata para mil flores, como
melodia para quatro mãos, ritmo para dois
corpos. És tu cântico benigno para a minha
alma encantada!...

16 outubro, 2013

AÇUCENA (Cacau Loureiro)


Doçura açucenal tem os teus lábios

capitosos...

Como não delibar supra bebida que

promana do teu peito ardoroso?!

És perfume preparado em primaveril

claridade, aconchego balsâmico para

todas as minhas dores,

Como posso abnegar tal sortilégio?

Destino caprichoso a encher-me a alma

farta com o doce dos teus olhos langorosos,

a mostrar-me estrada extensa nos teus braços

de premissas.

Quero repousar o meu olhar no teu... Poço

profundo de candidez inefável e infinita.

Quero me achar neste lirial de promessas

que tremula em minhas células rútilas e

que vibra em minha essência entusiasmada.

Flor rósea suavizante e perfumada que

germinou no meu jardim de deleites.

Hei de tocar-te o semblante como óleo essencial

que me desperta para a vida...

Esta bela face que se “acende em carminação

ardente dos frutos tropicais.”

Em mim és lírio gracioso... És açucena-branca...

Pois, que és todo o meu encantamento...

E nada mais!...

15 outubro, 2013

ALQUIMISTA (Cacau Loureiro)


















Não recrimines o meu jeito de ser, tu
não entenderias as razões...
Mas, não peço para ti entendimento,
compreensão, apenas desejo estes
pequenos momentos de ilusão...
... tua voz, a leve lembrança do teu
rosto. Queria eu poder sentir todo este 
gosto... tão mágico, misterioso, secreto.
Já te disse de toda esta comoção que 
me apossa o espírito, o coração.
Aguardo a hora certa da descoberta,
mas, o momento agora é do experimento.
Contudo, não me julgues a emoção, não
dilaceres os alicerces de minha invenção.
Formulo, busco, provo, crio...
Nesta alquimia que transcende o meu corpo,
também, o meu espírito, transformo-me em fogo,
em sangue, em aço, e em lágrimas desfaço-me.
Não quero compaixão, meus sentimentos são o
resultado da formula de amores, ódios, paixões.
Eu insisto, eu quero meu experimento, intenso,
denso, vivo, eu quero alcançar o meu objetivo:
mistificar-te em minhas andanças, caminhos.
Quiçá, encontrarei o quinto elemento que te
transformaria em água, terra, fogo e ouro,
na alquimia do meu abraço caloroso.

09 outubro, 2013

ONDA LIVRE (Cacau Loureiro)














Eu ouço música no ar...
Danço ao teu som melodioso e viajo
nas tuas ondas sonoras para te cifrar.
O teu receptivo sorriso, o teu afável
olhar... perderam-se em mim!...
Como agora ultrapassar a espera
sem me revelar em cada letra da
poesia viva que te principia em
meu âmago hoje carmim?!...
Viver no vão deste momento
extasiante e enlevado é descortinar
dia após dia o teu universo encantador.
Depois da dor a calmaria ao imergir
no teu mundo de águas tranqüilas...
Ao teu ritmo doce eu dispo-me das
tolas fatuidades.
Meu corpo, minha alma e o meu coração,
nas ondas livres da emoção, do desejo e
da paixão ao teu encontro vão!...

27 setembro, 2013

ESTRIBILHO (Cacau Loureiro)


           
















É o vento que ritma o meu relógio...
Não sei parar o pensamento, e pairo
nesta tarde fria que faz cair a noite
sobre mim...
Quero extrair poesia onde não há
estrofes e nem melodias; quero trazer
de volta a aurora que me tornou poetisa
e criou meus versos mais bonitos.
Quero prorromper em paz no fogo
que me consome, no burburinho
que não me desperta; quero ser o
sopro e a corda dos acordes que
habitam minha alma em diapasão.
Guerra e paz, sombra e luz,
frio e quente, amaro e mel,
águas mortas, águas vivas em
estribilho de mistificação.
Quero tocar em meu peito as canções
dos ventos que varreram os meus
caminhos como um el niño de solidão!...