SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

05 abril, 2013

ETERNAL (Cacau Loureiro)















Desejo estar em teu coração como
tu estás no meu...
Por todas as lágrimas que choramos,
por todo o tempo que esperamos o
amor não foi acaso.
Em tua primavera eu descobri o
sentido real das flores... as rosas
que hoje te dou cultivadas foram
desde o primeiro olhar, banhadas
foram na tua suavidade e delineadas
foram no teu frescor outonal.
Pura seda é a tua pele onde eu
deito os meus anseios todos e a
cada beijo teu dás-me mais um sonho
para sonhar...
E eu desenho o teu corpo em minhas
mãos para moldá-lo a minha retina
para que eu te esqueça jamais porque
quero ser sempre para ti a aurora clara
e nova, a doce estrela da manhã que
inaugura todos os afetos.
E eu te sondo em meus movimentos, e
eu te perscruto em minhas pálpebras,
e eu me apreendo em teu sabor legítimo.
E quero estar incansável em teus cetins,
envolta nos filós dos teus apegos pois
que em teu beijo eu ensejo a eternidade!...

04 abril, 2013

AUSO (Cacau Loureiro)















Os ventos mudam de direção...
Há um mundo novo que varrerá o antigo
e renovará o que imóvel permanecer.
Não mais há tempo para os corações
fechados, não mais tempo há para os
seres ineptos...
As flores belas da criação grassam sobre as
pedras da ignorância, e crescem vívidas, e
fortes elas crescem para professarem
a revolução dos humildes onde os rebaixados
levantam suas frontes para avistarem o
grande mar da vida... Amor!...
Não mais ásperos discursos conterão a essência
do divino que está em cada um de nós, pois que
salvação é a sagração do verbo maior em toda
sua plenitude.
E os cravos exalam o aroma das estações mais
leves, pois que a espada não mais cortará o
legitimado grito da liberdade no pesado metal
dos preconceitos.
Amar por inteiro, eis a maior coragem que
desafia os caminhos da revoluta Humanidade!

31 janeiro, 2013

MUNDO ANTIGO (Cacau Loureiro)

















Deixemos a poeira das cisões baixar,
o que não tem antídoto também não
tem remédio, remediado estará.
No rumo das palavras que perderam
o sentido dorme o verbo sem raiz, o
discurso radical não diz sim, não diz não.
Vorazes, contendamos com espíritos
semimortos; sangrentas espadas na
dimensão dos tempos atuais, num
cansaço que vai tomando a alma aos goles.
Na estação das armas perdemos a inocência...
e a paz que não vem!...
Há um futuro estacionado no presente,
ares que não purificam, paredes levantadas,
muros que dividem iguais, as grades que não
corrigem ninguém!
Não há verdade nos sons que adormecem
na garganta, posto que toda a verdade
malograda tem dois gumes, ou ela mata ou
ela fere.
Nos dias de hoje onde falta coragem, a
indignação também é um ato de amor!... 

29 janeiro, 2013

VOANTE (Cacau Loureiro)















Os caminhos que escolhi não

são os mais dolorosos, contudo,

também não os mais fáceis.

Rego minha sensibilidade em

profusas lágrimas porque a

felicidade precisa ser plena, real.
Permaneçamos no caminho, pois

o rumo dos que se reconhecem

não fica falto de sol.

Há que existir melodia no que

passamos ao que conosco

caminha... sentir a proteção

dos que carregam a clava forte

da verdade e da coragem porque

amar é mais que encontro, também

é despedida.
Enigmas são para os profetas,

santidade é para os utópicos,

amor para os humanos, assim disse

O Grande Mestre.

Eu quero a humanidade que liberta

onde aquele que amo me dê asas,

mas que também saiba voar...

22 janeiro, 2013

ESTIO (Cacau Loureiro)

Não para o mundo,
a chuva não para...
Tenho esperado o estio,
pelo verde das colheitas.
O meu caminho segue como
as estações dos homens,
inundadas pelas estações
do tempo.
Lágrimas a cultivar novas manhãs,
sonhos a contar estrelas!...
A flor na lapela finca em meu
peito o espinho... a rosa que
te dou... a mais bela.
Amar, amor...
As águas que não cessam,
a sede que não passa.
Passante sou, quisera eu
não mais ser...
Ser inteira e livre, ser cônscia
e leve como pluma no universo
que conspira na revoada da vida.
Um momento apenas no relógio do
tempo que não para... ser feliz!... 

16 janeiro, 2013

À MERCÊ (Cacau Loureiro)

 














Caminho de escarpas...

Por acreditar nos homens grassaram

em pedras as ervas daninhas.

Não posso crer que aqui terminam

os caminhos da luz!

Pela paz que busquei através dos atos

de minhas mãos, pela guerra que fiz ao

me direcionar para bem, não podem cessar

por aqui os caminhos...

O que fiz além de acreditar?!

Pergunto-me o que fazer diante das

montanhas que não movo, da chuva que

não vem molhar os meus desertos, do sol

que não vem iluminar minhas sombras?...

Onde estão os profetas deste mundo

caduco, as almas destes homens loucos?!

A insurreição dos meninos simples

quando advirá?!

Estou à mercê do Mestre da humildade porque

sei que “Ele” não veio para chamar os justos...

26 dezembro, 2012

DEZEMBROS (Cacau Loureiro)


 











Sinto o meu espírito alquebrado...
Queria fazer fluir a minha vida assim
como o sol se espalha sobre toda cidade.
Há dezembros intermináveis dentro de mim...
A força sobre humana que me movia adormecida
está nos atalhos tênues dos humanos afetos...
Revolvo pedaços de coragem como se incitasse
animal dos mais ferozes.
A rima cala-se e não há pranto, recolhe-se o verso
e não existe esperança.
A folha branca está morta, imóvel com a inanição
dos ventos que movem meus caminhos.
Os anos passam atropelados como quando aprendi
a contar em velha infância; há desordem na
memória que não revive os momentos há muito
desfalecidos de senso.
Busco razões que me façam transbordar as letras...
Em um coração que pulsa estrofes mortas!...


18 dezembro, 2012

PULSÃO (Cacau Loureiro)












Verão que em mim não cessa,
intermináveis noites!...
Vãos do tempo a impor o
descompasso do mundo.
Quando se dará o encontro
permanente?!
Explosão de estrelas, miríade
a avançar sob a pele extraindo
gostos, cheiros, profanando as
horas...
Ainda o grito permanece preso,
o nós a mais represa vontades,
apreende a poesia; o desejo só
pode ser inteiro, completo e cabal
ao compasso de quatro mãos, e
não mais.
A música de nossas vozes ainda se
expande no universo como promessa
a ser cumprida.
Longos os dias em que deixo de te
viver!...
Hoje não mais vivo... esperas...
Hoje não mais sonho... lembranças...
Hoje não mais falo... silêncios...
Hoje não mais concebo... entregas...