SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

28 setembro, 2011

ANDAR CONTIGO (Cacau Loureiro)


Eu sei que as tuas mãos curam...
Porque sei que entre os teus dedos
brota amor.
Ouvi dizer, outrora, dos corações mansos...
É privilégio existir contigo.
E de mim para ti vai a paz, a paz que neste
meu tempo de guerra é cura de alma,
libertação de espírito. A mesma paz que
aprendi contigo.
Tenho caminhado na escuridão através
dos teus olhos, desta tua luz que fulgura
em irmandade, em desvelos e não tenho
te facilitado os passos, pois que o teu perdão
é paciência e também doçura.
Sei, não há santos nesta terra de misérias,
mas, há os que limpam as feridas e nos
mostram horizontes de esperanças.
Tua trilha de fé e flores é tão bonita!...
Nesta jornada de aprendizado, feliz estou
por andar contigo!...

14 setembro, 2011

IGUARIA (Cacau Loureiro)


O teu nome é ternura... Como não
provar o que de ti me embriaga?!
Ah! Em tua mansa fala todas as
cores vibrantes da sorte, todas as
luzes envolventes do afeto!...
Em teu amplexo criança, menina fico
e brinco nas tranças do destino feito
donzela.
Em teu nobre dossel tornas-me branda,
algodão de nuvens, porque só tu és
doce mel, ensejo dos meus dias,
nova lua...
Em teu beijo, pele e pelos eu deito
meus desejos, posto que em ti há
sossego onde não se deixam há
muito meus sentidos mortais.
Em teus olhos vivifico-me, pois que
irrompes em mim um animar de
mundos metafísicos, onde os lobos
adormecem e as panteras despertam.
E, no entanto, afabilidade e doçura
agitam-me músculos e sentimentos e
faz-me descobrir novamente encantada.

06 setembro, 2011

RARIDADE (Cacau Loureiro)


A tua felicidade não me pertence, e no
entanto, também ela mora em mim...
Como dimensionar tuas benesses?!
Quero sim estar à altura do que me tens
dado em amor, em afeição.
A linha curvilínea dos sentimentos nos
molda para receber um ao outro, e muitas
vezes insistimos em nos endurecer em
tantas retas!...
A lei maior é o amor, amar é a maior das
leis, e ainda nos deixamos prender aos
ecos do mundo quando o que ressoa em
nós é tão excelso, primoroso.
Em teu dinamismo de carinho eu encontro
respostas, quero fazer o bem que a mim
tu fazes.
Quero colher os frutos, as flores de manancial
tão singular, quão raro!...
Tocar teu seio com a delicadeza com que
me tocas as feridas d’alma.
Sem lágrimas quero manter limpo o meu
sorriso para em teus olhos eu verdadeiramente
entornar em ti o que de ti mesmo preciso.

05 setembro, 2011

RESILIÊNCIA (Cacau Loureiro)


Dentro de mim mora um lamento que guardado
está sob sete chaves..
Quanto pranto verti na demente espera!...
As lágrimas do desafeto e do desprezo
molharam-me a alma, fizeram-me crescer.
Mas, descobri na dor que também mora em
mim um anjo que abriu suas asas ao sol da
solidariedade.
Não há perecer eterno quando a vontade
que sobrevive em nós é de viver para amar...
As nuvens muitas vezes passam manchando
o céu de cinza, mas, a essência dos aprendizes
viajores sabem que o firmamento é azul.
Os dissabores também chegam sem avisar,
embora, sejamos seus maiores cultivadores.
Minhas alquebradas asas insistem em voar para
um horizonte de paz... em meio à guerra reconstruo
meus sonhos adolescentes massacrados pelos
insensíveis resilientes. Porém, meu sangue quente
não é vingador!...
Desejoso de amor meu espírito segue liberto ante
os grilhões e as grades dos desnaturados.
Na estrada aprendi que infinito é o universo divino
e tão diminuto é o universo dos homens... não sabem
eles que a força sempre esteve na delicadeza.

30 agosto, 2011

PIGMENTO (Cacau Loureiro)


Vento matreiro faz despencar as folhas sob
o sol frio destas tardes solitárias...
A paisagem invernal não me priva de sorrisos.
Minha viagem neste mundo vil é astral, não
posso negar-me a essência divina que me move.
Preciso de uma lágrima para temperar os meus
dias, assim como preciso de um sorriso para restituir
meu espírito.
Entre tantas mãos, as tuas, singulares, intensificam
meu ânimo para a existência.
Meus caminhos de pedras não me sangram os pés,
apenas me despertam para a vida.
Suor, pranto, dor... o cálice da verdade é provado
por todos nós...
Avisto a multidão, sei que estás dentre muitos e
tão marcadamente em mim, sinais feitos por mãos
pródigas, cinzel delicado a tarjar meu peito inquieto
por mais sonhos, por mais amor, por mais vida...
Impulso de gravar-me em tua pele em tatuagem
de mim mesma em pigmentos do eterno!...

15 agosto, 2011

EVOÉ (Cacau Loureiro)


A tua música move-me...
Quero ouvir-te mais perto.
A dança que fazes em mim desconcerta-me;
queria eu ser profetisa das tuas dádivas,
bacante do teu amor, descobrir o suprassumo
do que és e beber-te na taça das divindades;
ver-te muito além do que os meus limitados
olhos veem... quero sentir-te.
Ah! Esta candura singular que me comove,
melodia que permeia sonhos encantados!...
A tua voz narra-me o enredo da vida, da
vida que me anima em ti; deixa-me morar
em teu interior, beber em teu doce dormitar
o vinho de todos os amores, provar mel de lábios
deleitosos que proveem a eternidade.
Teu ser é dileto dos deuses, dos guardiães de maior
tesouro... do teu apreço.
Ora eu sei sobre diamantes lapidados em
mansidão... olhos que espreitam minha
alma na noite dos tempos evocam-me à
maioridade.
Meu ser afetado por teu afeto cambaleia ao
paraíso, meu passo açodado em teu ditoso
sentimento, é marcha, é jornada, é evolução!...
Sobeja em mim a tua boca, o teu ameno gesto,
grandioso existir... vida que explode em mim
neste diminuto planeta chamado coração.

SORRISO ABERTO (Cacau Loureiro)

Há um sorriso guardado para ti...

Nas folhas de um outono adormecido pelas

intempéries da vida, nas lágrimas que irrigam

as flores do caminho.

A primavera persiste e não se foi, porque há

corações que são bem mais que fortaleza,

são sobreviventes de guerras silenciosas,

são combatentes da dor que é acorde para

os heróis.

Há os que vieram para destruir, seja pela

ignorância da espada seja pela fraqueza

de espírito e não sabem lutar francamente

pela felicidade que é virtude e direito.

Ah! Guerreiro vendado eu sou!...

Destemida sigo os rumos que o mundo me

apresenta, pois que para mim a vida é dádiva

sagrada, e assim prossigo num instinto sobre

humano em viver.

Há um sorriso guardado para ti...

Como espectro solar que se levanta todas as

manhãs na esperança de aquecer as almas falidas,

reacender o fogo das paixões, reaver os sonhos

esquecidos, colorir as vidas vazias.

Mesmo na correria dos meus passos cansados,

na minha face desfigurada pelas noites mal

dormidas, há um sorriso guardado para ti.

Nos primórdios da infância eu tive um

sonho, voo lúdico envolto em esferas

coloridas... assim eu tive uma certeza,

há sim, ainda, um sorriso guardado para ti,

 e ele nascerá de minha alma pródiga como

fruto saboroso de árvore fértil e estará em

repouso em minhas mãos limpas esperando

o teu aberto riso...

E serei como um céu que se abre azul todas

as manhãs e avança desmedido e adentra o teu

vigoroso espírito lutador!...

10 agosto, 2011

ORESSA (Cacau Loureiro)


A tua calma apraz-me, aquieta-me o

coração, alísio de paz...
O sopro frio das manhãs não diz sobre
a centelha que reacendes em mim...
Assim são as ondas das emoções supremas,
há um arco-íris que se expande para além dos
humanos horizontes.
Eu sigo esta rota dadivosa, onde os rastros
deixam saudade e em aquarela pintam o teu
distinto sorriso.
Alço ao vento minhas lonas catitas que
sobranceiras envergam meus sonhos aos
mares não navegados, paraíso de fantásticas
descobertas; fartas águas tem este oceano
que sacia sedentos quereres, terra á vista em
minha restrita vida, ah, este rumo de um só!
O astro rei em sua majestade cinge-me a
fronte com seus raios em sal de entusiasmo.
A minha têmpera revel segue ao encontro
deste fanal de desejos... luz para os
desbravadores de afeto.
Iço âncoras, abro as velas em azul céu, nau
ligeira sou... vento em popa neste imenso
mar de apegos!...