SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

31 janeiro, 2010

FELICIDADE REALISTA (Martha Medeiros)


De norte a sul, de leste a oeste, todo mundo quer ser feliz. Não é tarefa das mais fáceis. A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor, o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos são ainda mais complexos.

Não basta que a gente esteja sem febre: queremos, além de saúde, ser magérrimos, sarados, irresistíveis. Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel, a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica, a bolsa Louis Vitton e uma temporada num spa cinco estrelas. E quanto ao amor? Ah, o amor... não basta termos alguém com quem podemos conversar, dividir uma pizza e fazer sexo de vez em quando. Isso é pensar pequeno: queremos AMOR, todinho maiúsculo. Queremos estar visceralmente apaixonados, queremos ser surpreendidos por declarações e presentes inesperados, queremos jantar à luz de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.

É o que dá ver tanta televisão. Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes de uma forma mais realista. Por que só podemos ser felizes formando um par, e não como ímpares? Ter um parceiro constante não é sinônimo de felicidade, a não ser que seja a felicidade de estar correspondendo às expectativas da sociedade, mas isso é outro assunto. Você pode ser feliz solteiro, feliz com uns romances ocasionais, feliz com três parceiros, feliz sem nenhum. Não existe amor minúsculo, principalmente quando se trata de amor-próprio.

Dinheiro é uma benção. Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo. Não perder tempo juntando, juntando, juntando. Apenas o suficiente para se sentir seguro, mas não aprisionado. E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.

Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível e aceitar o improvável. Fazer exercícios sem almejar passarelas, trabalhar sem almejar o estrelato, amar sem almejar o eterno. Olhe para o relógio: hora de acordar. É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro o que nos mobiliza, instiga e conduz, mas sem exigir-se desumanamente. A vida não é um game onde só quem testa seus limites é que leva o prêmio. Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade. Se a meta está alta demais, reduza-a. Se você não está de acordo com as regras, demita-se. Invente seu próprio jogo.

27 janeiro, 2010

SALMO QUINTO (Cacau Loureiro)

Eu louvo aos céus porque o Eterno não me abandona!
Ele faz-me enxergar os mortos vivos saírem das tumbas
para escarnecer os que possuem equidade.
Faz-me reconhecer os espíritos enganadores vestidos
em seda e assim eles não me logram, não burlam os que
tem bom ânimo, pois que a graça divina ronda minha casa
e a minha oração eu faço chegar ao Pai com sinceridade.
Exalto as alturas porque o Onipotente não me desampara,
Ele guia meus passos, Ele mostra-me o caminho da retidão.
Ele faz-me ver os bajuladores em suas túnicas de dissimulação
intentando contra os cingidos, e eles não me ludibriam, não
lançam sofismas na fé inabalável dos preferidos, pois que
o cajado do altíssimo é poderoso e as minhas súplicas eu
faço chegar ao Supremo com humildade.
Eu entoo aos céus meus cânticos de paz porque o altíssimo
não me renega!
Ele faz-me sentir a aproximação do inimigo, ele faz-me invisível
diante das lanças, ele faz-me forte diante da espada, ele faz-me
muitos diante das potestades do mal, ele faz-me acreditar no
triunfo da verdade, na soberania da justiça.
Eu lanço aos céus minha celebração, porque a minha taça
é transbordante e eu não me assento à mesa dos ímpios,
não compactuo com os ilegítimos, não ofereço banquete
aos aduladores.
Eu profiro meu rogo aos céus porque tenho certeza que o
olho do Espírito Santo de Deus me acompanha, protege-me,
enlaça-me em proteção contra os maledicentes, enaltece-me
ante as assembleias maléficas e lhos diz:
Este é meu filho muito amado e está sob minha guarda!

26 janeiro, 2010

MATURAÇÃO (Cacau Loureiro)

Aos que buscam o amor, o amor...
Aos que buscam a paz, a paz...
Há seres que tateiam no escuro, na penumbra da dúvida,
na sombra dos medos vãos, na noite sem explicação e se
esquecem que é preciso manter acesa a chama da verdadeira claridade interior.
É preciso que saibamos exercitar a vontade, a brava vontade de mudar o que está velho e investir no novo.
Não quer dizer jogar fora o que é passado, mas de trazê-lo
para uma nova vestimenta, pois que é possível a renovação.
Ninguém perde sua verdadeira essência quando opta pela
real transformação, apenas faz ressurgir àquilo que
verdadeiramente se é.
Aos que não partilham o mesmo amor, o caminho...
Aos que não partilham a mesma fé, o futuro...
Portanto, a vida segue diante das dores terrenas,
o mundo gira perante as idas e vindas, a marcha do
tempo segue adiante nas partidas e nas chegadas.
O importante é que o vento não leve o que temos,
o que somos e que o passado não mutile os valores,
não nos roube a identidade.
Aos que temem a caminhada, a solidão...
Aos que temem a verdade, o erro...
Que jamais deixemos que nos deturpem as qualidades
que abarcamos pela existência, seja ela curta ou longa.
Não é digno de nós aquele que não nos valoriza, porque
o valorizar não é prata de troca, mas é moeda de valor
inestimável cunhada na dedicação e no sacrifício de nossas
gerações passadas.
Sublimar nossas experiências de vida não quer dizer
esquecê-las, arrancá-las, extirpá-las, quer dizer
processar as alegrias e tristezas e usá-las como reboco
em nossos espíritos ainda em edificação.
Decerto que há pessoas indiferentes que estão de
passagem e sequer admiram a paisagem que se
lhes apresenta, que dirá contribuem para as novas
gerações com algo positivo, que dirá valorizam
aqueles que sabem o que é dedicação e amor.
Aos que não enxergam, o sacrifício...
Aos que não ouvem, os gritos...
Portanto, prossiga em tua jornada, em tua labuta
de empenho verdadeiro ao que chamamos próximo.
Seres humanos são aqueles que sentem dor, mas cultivam
a esperança; decepcionam-se, mas seguem adiante;
choram, mas acreditam que o sol nasce todos os dias;
oram e tem certeza que alguém os ouve.
Aos omissos, o silêncio.
Aos covardes, a justiça.

25 janeiro, 2010

SALMO QUARTO (Cacau Loureiro)


Há muito que colocas o véu no rosto e esconde-se.
Por que o homem se oculta do Senhor que o fez?
Como antifaz de crocodilo encobrimos nosso
semblante, enganamos o homem tolo, enganamos
mesmo o honrado, mas nossa página para o Senhor
está descoberta.
Transfiguramo-nos em monstros travestidos em pele
de cordeiro. Por que não olhamos face a face a criatura
que somos e arrancamos esse coração deteriorado?
Há desespero nas mãos que ocultam a faca;
nos olhos que ocultam a verdade há sofrimento.
Por que não levantas as vistas aos olhos do Criador
de todos os exércitos, ao que ciceroneia todas as almas?
Pois que sua lança alcança o malvado e o herege
esteja onde estiverem. Por que atiças o semelhante
no repúdio que fazes ao Único Deus da salvação,
posto que ele nunca te abandona, nunca dorme,
nunca se deixa na invigilância?
Eleva teu espírito ao Pai, entrega a ele suas vestes,
seus mantimentos, sua alvorada e seu entardecer.
O pergaminho que carregas nada é sem o consentimento
D’aquele que habita as luzes celestiais porque seu
braço é cruz e espada, é justiça e nada há que tenha
validade sem a Sua permissão.
Portanto, olhai as montanhas que enfeitam suas posses,
olhai os mares que sinalizam suas magníficas obras,
olhai os animais que habitam sua casa, nada há que
não tenha sua menção e vontade.
Por que ainda deixa a falsa aparência fazer arder sua
alma, deixa ainda a máscara queimar suas virtudes?
Só o soberano que é justo faz o julgamento do que
guardamos em nossos recônditos.
Somente o Justo dos Justos é capaz de ver e edificar
o homem que verdadeiramente possui o coração limpo!

24 janeiro, 2010

POSSO SER SINCERO? (Márcia Tiburi)


Quem hoje em dia é capaz de perceber algo estranho na pergunta “quando posso ser sincero?”. Ela traz uma dúvida importante quanto ao sentido da permissão exposto no uso do verbo “posso”. A pergunta oculta outra pergunta bem simples de ponderar: por que eu “não poderia” ser sincero? As questões definem que há muito tempo nossa intenção de sinceridade se tornou um problema.

Quando os seres humanos inventaram a sinceridade? O que ela significa entre nós hoje? A sinceridade é uma intenção, uma ação ou mais que isso?

Dizer é fazer
Quando falamos em sinceridade sempre pensamos na ação de dizer algo desagradável a alguém. Iniciamos uma crítica muitas vezes com a expressão “sinceramente”. Inaugura-se com isto a exposição de uma opinião que não está disposta a ser falsa e se declara de antemão com a autoridade da verdade. Junto com ela encena-se certo ar de coragem, como se a sinceridade fosse alguma sorte de franqueza grosseira. O sincero lembra o “grosseiro”, porta-voz de uma verdade bruta – tanto assustadora quanto obrigatória -, como se o delicado fosse falso na exata medida de sua polidez. Com isto demarca-se a sinceridade como um esforço que, além de desagradável a todos, tanto para quem o pratica quanto para quem o recebe, pode ser tanto inútil quanto comprometedor.
Pensa-se, para escapar disso, a sinceridade como algo que não se deveria “praticar”. Algo que é, em si mesmo, ruim. Que só com muito cuidado deveria ser usada. A pergunta que precisamos fazer diante desta evitação da sinceridade é bem óbvia: por que a prática da exposição das opiniões não pode ser vista como uma coisa boa, algo que deveria ser exercido livremente? Que nos faria crescer ética e mesmo psicologicamente? Que ajudaria a descobrir boas experiências, de alegria, de satisfação na convivência com o outro, aquele a quem se dirige nossa sinceridade?

Falsa sinceridade?
A acepção atual da sinceridade que sustenta a idéia de um caráter que deveria ser escondido, por não fazer bem a ninguém, ou por não trazer vantagens numa sociedade organizada em relações de troca tanto objetivas quanto afetivas, é precária ao não revelar a riqueza do conceito.
Muitos pensam que, se sou sincero com alguém hoje, posso receber de volta a sinceridade amanhã e isso não define vantagem alguma. Ou posso ser punido por sua ressonância: perder uma oportunidade, um negócio, um emprego, porque sou sincero. A sinceridade parece ser algo que apenas se pode temer, que só estraga a vida, espécie de talismã ao contrário, moeda falsa. Seria a sinceridade aquilo que os gregos chamaram “Phármakon”, uma substância venenosa que apenas parcimoniosamente usada se tornaria curativa?
A história da questão mostra, porém, o significado valioso do conceito. Um dos momentos mais importantes na história da sinceridade são as Confissões de Jean Jacques Rousseau, obra que inicia pela explicação do autor de que mostrará aos seus semelhantes um homem em toda a verdade de sua natureza. Conforme suas palavras “este homem serei eu”. Rousseau opta pelo “desnudamento de si” em sentido filosófico: falar do homem universal, mas na diferença que ele, o próprio Rousseau, torna real em sua própria vida.

Uma confissão
Sinceridade é, portanto, sinônimo de confissão. Quem se confessa dá testemunho, ou seja, conta algo porque o viveu, porque presenciou um fato e pode narrá-lo. O olhar do sujeito sincero é essencial na elaboração do que ele pode dizer. A confissão religiosa é originariamente um ritual de autoconsciência que envolve um exame de si, uma análise da própria pessoa por conta própria. Aquele que se confessa, porém, deve ter a disposição para libertar-se de si mesmo. Ao mesmo tempo, este gesto implica entregar-se ao outro, seja aos seus olhos, aos seus ouvidos, ao seu cuidado ou, negativamente, ao seu poder.
Infelizmente o poder como dominação não abandona a vida comum. A confissão do outro, seja na religião, seja na política, pode ser usada como arma contra aquele que se confessa. A confissão tem um poder equivalente ao do segredo que lhe é contrário. Alguém apenas entrega o que lhe é íntimo como uma generosa dádiva, ou, ao contrário, sob pressão emocional ou ameaça. Se nas relações mais íntimas os segredos confessados são usados por um contra outro é o valor da sinceridade como o mais íntimo que se pode compartilhar que cai por terra. A sinceridade não pode ser confundida com a mera desculpa diante do que acaba por ser dito sem pensar. A violência verbal e a maledicência muitas vezes são aceitas sob a máscara de sinceridade.
É porque a sinceridade diz respeito ao universo próprio do que pode ser expresso por cada um em seus limites que ela jamais é absoluta, pois ninguém pode saber tudo de si, nem revelar tudo a outrem. O sujeito humano vive do conhecimento de si em tensão com o que, de si, não pode ser conhecido, com o que nele é mistério e silêncio. Aquele que pudesse ser totalmente sincero – falar absolutamente de si ou do seu ponto de vista - ou estaria mentindo ou teria banalizado o poder da sinceridade.

(Marcia Tiburi é graduada em filosofia e artes e mestre e doutora em filosofia, é professora do programa de pós-graduação em Arte, Educação e História da Cultura da Universidade Mackenzie, colunista da Revista Cult e participante do programa Saia Justa, do canal GNT)
Site: http://www.marciatiburi.com.br/

22 janeiro, 2010

SEMIDEUS (Cacau Loureiro)






















A emoção como temporal alagou meus sentimentos... 
Ah! Estas torrentes por onde não sei nadar! 
O tempo fechou-se nas abundantes águas, e eu 
desejando o sol, pois sem sua luz não há esperança. 
Seco meus olhos, lanço meu olhar ao céu; lá onde 
ainda vejo o azul eu descanso minha alma. 
Ante as trovoadas eu fortaleço-me, ante os 
relâmpagos reconheço-me, ante o silêncio eu 
compreendo-me, ante as provocações eu aprendo-me... 
Como semideus ante os destroços da história eu sigo 
empunhando minha espada, marcho arregimentando 
meus soldados, prossigo enterrando meus mortos... 
Mas, não há tempo ruim para quem cultiva o entusiasmo,
para quem aprendeu a fortaleza. Nesta cinzenta manhã eu 
descobri um arco-íris e pintei meu coração com suas cores... 
Apesar do corpo combalido, o meu espírito altivo ainda sonha 
em migrar como os anjos, ainda deseja cantar como os pássaros, 
deseja ainda voar como Ícaro, 
Ainda deseja ser forte como um herói.

 

21 janeiro, 2010

CORDIAL (Cacau Loureiro)


É belo o sol que se levanta contigo, posto
que já verão em meu peito incontrito.
Como flor do dia a clarear minha alma
insana eu dirijo a minha prece ao Pai.
Porque quero que todos os mantos de

bondade cubram-te de bênçãos e amor...
Eu olho o mar que se apresenta a minha
frente, e ele é vasto como o calor que
arde em mim.
O horizonte que se perde nele me faz
ir ao teu encontro, pois que já não quero
mais estar aqui...
E eu viajo nestas letras que se ajuntam em
minha essência destoante em música suave
e juvenil, danço em tua rima cálida, porém
terna que me faz vibrar em pele e músculos,
em alma e coração.
O meu corpo diz, eu quero; meu âmago diz,
eu preciso... E em todas estas necessidades
eu estendo a ti minhas mãos de afeto. Pois
que os laços se fazem no invisível e também
nas distâncias dos olhares, na extensão das
vias e dos trilhos desta belíssima viagem.
A estrada que meus olhos não alcançam é
infinita em sentimentos primevos, porque
tudo é novo e renovado em ti.
Meu ser em cânticos encantado está; o doce
som que vem aos meus ouvidos acalenta
meus sentidos primitivos, minha carne ardorosa.
Nesta aura misteriosa eu desfio meus versos
frágeis, meu espírito baldio, e ainda sim
desbravador de ti.
Fito as flores que o astro rei insiste em avivar,
são as belas rosas do caminho... aveludadas e
cheias de cor. Tenho o privilégio de assistir
ao milagre da vida reacendendo o meu estro
para o mais cordial amor!...

19 janeiro, 2010

CORAÇÃO GENUÍNO (Cacau Loureiro)


Eu desponto novo céu, nova paisagem, em
luz, em calor, em comoção...
Como veleiro a singrar sem ansiedades em
mar de calmaria... Adentro este mundo
enigmático e promissor das estrelas perenes
do crescimento interior.
Sobrevoo campos verdejantes, sem fim, pois
que infinito pode ser o coração humano em
sabedoria, em amor.
Nas distâncias pouso teus olhos e adormeço sob
teus cílios espessos como virgem mata.
A estrada entre tu e eu é, ao mesmo tempo, tão
curta e tão larga.
A lira por onde te toco sensibiliza-me, posto que
hoje és a cifra mais bela de minha pauta outrora
esquecida no empoeirado tempo onde permaneço.
A tua melodia em meus ouvidos como o ar que respiro,
como o sol em minha pele, como o sorriso em minha
face faz-me oscilar ritmadamente em teus sons
aprazíveis, até oblíquos.
Eu enxugo meus olhos em tuas mãos benéficas, em
teus lenços macios e quentes.
Desperto em teu berço de montanhas altaneiras,
pois que há azeite em tuas metáforas, há néctar em
tuas palavras, há açucarado leite em teu impermisto
coração menino!...