SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

30 dezembro, 2009

SENTIR-SE AMADO (Martha Medeiros)


O cara diz que te ama, então tá. Ele te ama.

Sua mulher diz que te ama, então assunto encerrado.

Você sabe que é amado porque lhe disseram isso, as três palavrinhas mágicas. Mas saber-se amado é uma coisa, sentir-se amado é outra, uma diferença de milhas, um espaço enorme para a angústia instalar-se.

A demonstração de amor requer mais do que beijos, sexo e verbalização, apesar de não sonharmos com outra coisa: se o cara beija, transa e diz que me ama, tenha a santa paciência, vou querer que ele faça pacto de sangue também?

Pactos. Acho que é isso. Não de sangue nem de nada que se possa ver e tocar. É um pacto silencioso que tem a força de manter as coisas enraizadas, um pacto de eternidade, mesmo que o destino um dia venha a dividir o caminho dos dois.

Sentir-se amado é sentir que a pessoa tem interesse real na sua vida, que zela pela sua felicidade, que se preocupa quando as coisas não estão dando certo, que sugere caminhos para melhorar, que coloca-se a postos para ouvir suas dúvidas e que dá uma sacudida em você, caso você esteja delirando. "Não seja tão severa consigo mesma, relaxe um pouco. Vou te trazer um cálice de vinho."

Sentir-se amado é ver que ela lembra de coisas que você contou dois anos atrás, é vê-la tentar reconciliar você com seu pai, é ver como ela fica triste quando você está triste e como sorri com delicadeza quando diz que você está fazendo uma tempestade em copo d’água. "Lembra que quando eu passei por isso você disse que eu estava dramatizando?" Então, chegou sua vez de simplificar as coisas. "Vem aqui, tira esse sapato."

Sentem-se amados aqueles que perdoam um ao outro e que não transformam a mágoa em munição na hora da discussão. Sente-se amado aquele que se sente aceito, que se sente bem-vindo, que se sente inteiro. Sente-se amado aquele que tem sua solidão respeitada, aquele que sabe que não existe assunto proibido, que tudo pode ser dito e compreendido.

Sente-se amado quem se sente seguro para ser exatamente como é, sem inventar um personagem para a relação, pois personagem nenhum se sustenta muito tempo. Sente-se amado quem não ofega, mas suspira; quem não levanta a voz, mas fala; quem não concorda, mas escuta.

Agora sente-se e escute: eu te amo não diz tudo.

AMOR MADURO (Artur da Távola)

O amor maduro não é menor em intensidade.
Ele é apenas quase silencioso.
Não é menor em extensão.
É mais definido, colorido e poetizado.
Não carece de demonstrações
presenteia com a verdade do sentimento.
Não precisa de presenças exigidas:
amplia-se com as ausências significantes.

O amor maduro somente aceita
viver os problemas da felicidade.
Problemas da felicidade
são formas trabalhosas
de construir o bem e o prazer.
Problemas da infelicidade
não interessam ao amor maduro

O amor maduro cresce na verdade
e se esconde a cada auto-ilusão.
Basta-se com o todo do pouco.
Não precisa nem quer nada do muito.
Está relacionado com a vida
e a sua incompletude,
por isso é pleno em cada ninharia
por ele transformada em paraíso.
É feito de compreensão, música e mistério.
É a forma sublime de ser adulto
e a forma adulta de ser sublime e criança.
O amor maduro não disputa,
não cobra, pouco pergunta, menos quer saber.
Teme, sim. Porém, não faz do temor, argumento.
Basta-se com a própria existência.
Alimenta-se do instante presente valorizado
e importante porque redentor
de todos os equívocos do passado.
O amor maduro é a regeneração de cada erro.
Ele é filho da capacidade de crer e continuar,
é o sentimento que se manteve mais forte
depois de todas as ameaças,
guerras ou inundações existenciais
com epidemias de ciúme.

O amor maduro é a valorização do melhor
do outro e a relação com a parte salva de cada pessoa.
Ele vive do que não morreu
mesmo tendo ficado para depois.
Vive do que fermentou criando
dimensões novas para sentimentos antigos,
jardins abandonados cheios de sementes.
Ele não pede, tem.Não reivindica, consegue.
Não persegue, recebe.
Não exige, dá.
Não pergunta, adivinha.
Existe, para fazer feliz.
Só teme o que cansa, machuca ou desgasta.

29 dezembro, 2009

SER ÍNTEGRO (Sofia Passos)

O que para uma localidade pode ser considerado moralmente aceitável, para outra comunidade pode ser verdadeiramente obsceno.
Além disso a vida é de uma extraordinária complexidade e a escala de cinzas na qual se desdobram os aspectos das nossas questões e posturas, é tudo menos linear e quem é muito linear nessas atribuições de certo e errado, facilmente escorrega para a inflexibilidade e a intolerância.
Também é verdade que tendemos a ser o que esperam de nós. É por isso que é tão importante escolher bem as pessoas que nos cercam porque é muito difícil não sermos o que é esperado de nós. “O que é esperado de nós” é-nos transmitido subtilmente e provavelmente sem consciência desse fato, mas é um forte fator de moldagem da nossa atitude.
Quando alguém nos observa e nos conhece, não vê apenas uma alma no momento presente, na sua luz e no seu potencial de brilho e aprendizagem.
Quando alguém nos conhece começa a colar os nossos maneirismos com outros que conhece, começa a rotular-nos em função da sua experiência pessoal de outros do “nosso tipo” que já conheceu; começa a esperar de nos que tenhamos determinadas atitudes e é muito difícil resistir a esse magnetismo, sobretudo quando ele é comum a muitos dos que nos rodeiam.
Então ser íntegro pode tornar-se muito complicado, porque há muitas formas de sermos como os outros esperam que sejamos. É muito difícil ser íntegro dentro das limitações que esperam que tenhamos e do grau de exigência com que também podem observar-nos.
É por isso que ser íntegro nunca pode ser uma questão pautada pelo exterior. Tornava-se demasiado complexo para ser praticável.
Ser íntegro é muito mais simples do que tudo isso.
Ser íntegro é ser inteiro, coeso e coerente.
Ser íntegro é algo que resulta de ouvirmos e conhecermos tão bem as vozes que nos habitam, que podemos encontrar formas criativas e inteligentes de não viver em conflito interior tentando satisfazer e corresponder ao exterior.
Para ser íntegro será o bastante conseguir acordos entre as nossas várias vozes interiores, os nossos vários aspectos de personalidade, a nossa cabeça, o nosso coração, o nosso corpo e a nossa alma.
Em cada decisão que conseguimos tomar de forma inteira, que tudo em nós sente essa decisão, que tudo em nós vive essa mesma verdade; estamos a ser íntegros.
Quem vê de fora sente confiança na pessoa íntegra porque percebe nela uma lógica perene e profunda, que não fica pela superficialidade e que não tem a fugacidade de quem vive de pressões externas.
Um ser humano íntegro, precisa de se conhecer bem, precisa de saber dialogar consigo mesmo com inteligência, serenidade e sensibilidade. Precisa de saber negociar consigo mesmo, as melhores soluções para conseguir dar inteiro cada passo na vida, cada escolha, cada palavra.
Quando conseguimos fazer essa aliança sólida e estável entre o que pensamos, o que sentimos, aquilo em que acreditamos, as nossas necessidades, as nossas potencialidades, as nossas limitações, os nossos sonhos e o nosso espírito; tornamo-nos pessoas muito grandes. É a maturidade da alma. É a integridade de um ser humano em tudo o que ele é.
Ser íntegro é ser como a natureza é, como um bebê, como todas as formas de existência e manifestação que podemos observar à nossa volta. Podemos pressentir uma espécie de inteligência maior nessa integridade que a natureza nos oferece sem pestanejar, desde sempre e para sempre na melhor resposta possível. Essa inteireza.
É a diferença entre a integridade moral e a verdadeira integridade.
Na primeira habitam regras de conduta codificada, na segunda é o espírito que habita.
(Sofia Passos é terapeuta)

28 dezembro, 2009

LOVE IS NOT A FIGHT (Warren Barfield)


Love Is Not A Fight (tradução)
Compositor: Warren Barfield

AMOR NÃO É UMA BRIGA

O amor não é um lugar
para ir e vir quando você desejar
É como uma casa que você entra
E ai então promete que nunca mais vai embora

Então tranque a porta depois de entrar
E jogue a chave fora
Vamos resolver isso juntos
Deixe que nos Faça ajoelhar

O amor é uma proteção
Em uma feroz tempestade
O amor é paz
No meio de uma guerra
E se a gente tentar sair
Que Deus mande anjos para guardar a porta
Não, o amor não é uma luta
Mas vale a pena lutar por ele

Para alguns o amor é uma palavra
Que eles podem repousar
Mas quando eles deixam de se falar
Manter a palavra é difícil

O amor é proteção
Em uma feroz tempestade
O amor é paz
No meio de uma guerra
E se a gente tentar sair
Que Deus mande anjos para guardar a porta
Não, o amor não é uma luta
Mas vale a pena lutar por ele

O amor nos salvará
Se nós apenas chamarmos
Ele não nos pedirá nada
Mas exige tudo de nós

O amor é proteção
Em uma feroz tempestade
O amor é paz
No meio de uma guerra
E se a gente tentar sair
Que Deus mande anjos para guardar a porta
Não, o amor não é uma luta
Mas vale a pena lutar por ele

27 dezembro, 2009

Não há Felicidade sem Verdadeira Vida Interior (Arthur Schopenhauer)

A vida intelectual ocupará, de preferência, o homem dotado de capacida­des espirituais, e adquire, mediante o incremento inin­terrupto da visão e do conhecimento, uma coesão, uma intensificação, uma totalidade e uma plenitude cada vez mais pronunciadas, como uma obra de arte amadurecen­do aos poucos. Em contrapartida, a vida prática dos ou­tros, orientada apenas para o bem-estar pessoal, capaz de incremento apenas em extensão, não em profundeza, contrasta em tristeza, valendo-lhes como fim em si mesmo, enquanto para o homem de capacida­des espirituais é apenas um meio.
A nossa vida prática, real, quando as paixões não a movimentam, é tediosa e sem sabor; mas quando a movi­mentam, logo se torna dolorosa. Por isso, os únicos feli­zes são aqueles aos quais coube um excesso de intelec­to que ultrapassa a medida exigida para o serviço da sua vontade. Pois, assim, eles ainda levam, ao lado da vida real, uma intelectual, que os ocupa e entretém ininter­ruptamente de maneira indolor e, no entanto, vivaz. Pa­ra tanto, o mero ócio, isto é, o intelecto não ocupado com o serviço da vontade, não é suficiente; é necessário um excedente real de força, pois apenas este capacita a uma ocupação puramente espiritual, não subordinada ao ser­viço da vontade. Pelo contrário, o ócio destituído de ocupação intelectual é, para o homem, morte e sepultura em vida (Séneca).
Ora, conforme esse excedente seja pe­queno ou grande, haverá inúmeras gradações daquela vida intelectual levada ao lado da real, desde o mero tra­balho de colecionar e descrever insectos, pássaros, mine­rais, moedas, até as mais elevadas realizações da poesia e da filosofia. Tal vida intelectual protege não só contra o tédio, mas também contra as suas consequências pernicio­sas. Ela é um escudo contra a má companhia e contra os muitos perigos, infortúnios, perdas e dissipações em que se tropeça quando se procura a própria felicidade apenas no mundo real. Para mim, por exemplo, a minha filoso­fia nunca rendeu nada, mas poupou-me de muita coisa.
O homem normal, pelo contrário, em relação aos de­leites de sua vida, restringe-se às coisas exteriores, à pos­se, à posição, à esposa e aos filhos, aos amigos, à socie­dade, etc. Sobre estes se baseia a sua felicidade de vida, que desmorona quando os perde ou por eles se vê iludi­do. Podemos expressar essa relação dizendo que o seu centro gravitacional é exterior a ele. Justamente por isso, tem sempre desejos e caprichos cambiantes. Se os seus meios lhe permitirem, ora comprará casas de campo ou cava­los, ora dará festas ou fará viagens, mas, sobretudo, os­tentará grande luxo, justamente porque procura nas coi­sas de todo o tipo uma satisfação proveniente do exterior. Como o homem debilitado que, por meio de consom­més, canjas e drogas farmacêuticas, espera obter saúde e robustez, cuja verdadeira fonte é a própria força de vida. Para não passarmos desde já ao outro extremo, coloque­mos ao seu lado uma pessoa dotada de capacidades es­pirituais não exactamente eminentes, mas que ultrapas­sem a escassa medida comum. Veremos tal pessoa prati­car como diletante uma bela arte, ou uma ciência como a botânica, a mineralogia, a física, a astronomia, a história e semelhantes, e nelas encontrar de imediato uma grande parte do seu deleite, nelas se reabastecendo quando es­tancam aquelas fontes exteriores ou quando não mais a satisfazem­.

23 dezembro, 2009

EDIFICAR (Cacau Loureiro)

Nós muitas das vezes em finais de ano nos pegamos fazendo uma reflexão sobre o que fomos capazes de fazer pelos outros e o que os outros foram capazes de fazer por nós em 365 dias. Inevitavelmente fazemos estas reflexões. E sabemos lá no fundo de nossos corações que poderíamos ter feito mais. Eu que venho num ritmo de muitas mudanças em minha vida nestes últimos anos, confesso que passei muitas frustrações, tristezas, fiquei muitas e muitas vezes com aquele sentimento de incapacidade, de querer veementemente muitas coisas e por muitos motivos as coisas não acontecerem, principalmente quando as coisas para acontecerem não dependerem somente de nós. Enfim, sei que vivemos em sociedade e devemos nela interagir de forma positiva e abrangente, contudo, o nosso trilhar espiritual depende só de nós. Neste mundo em que a maioria prega o direito a individualidade e a privacidade nós vamos seguindo mesmo os caminhos do egoísmo que na verdade é a nossa ferida e o nosso ponto fraco.
Respeito muito as correntes idealistas que passam pelo caminho da humanidade, portanto aqui expresso também minha opinião sobre ela (a humanidade). Sou uma observadora minuciosa das pessoas e de suas falas, embora eu seja extremamente agitada e falante, nada, mas, nada mesmo passa ao meu crivo sem uma profunda análise. Já fui acusada de ser dona da verdade, pelo menos eu tenho certeza que cada um é dono da sua, eis a autêntica verdade da vida. Sou mulher de colocar o dedo em riste quando luto por algo que acho justo e nunca me arrependi de minhas lutas e, incorrigível sei que travarei ainda muitas batalhas. Penso que minha consciência está limpa, pois que bati em todas as portas, lutei todas as brigas, entrei em todas as raias e jamais o que pleiteei ou quis ficou guardado no silêncio da covardia ou na omissão da falta de responsabilidade. Penso também que o direito do outro termina onde o meu começa, e assim será “ad aeternum”.
Testemunhei a mediocridade de muito perto, a omissão na própria carne, falsas promessas ecoaram em meus ouvidos como nunca, risos, e eu rio disso porque aquilo que de fato não me matou, me fez crescer. Dizem que os iguais se atraem, mas que os diferentes em algum momento se encontram, ah, se encontram, porém passam, não permanecem, porque simplesmente não contribuem, são ocos, vazios, vivem de nadas, de futilidades e superficialidades. Fazer a vida fluir, acontecer é o que importa e nós temos a obrigação de sermos parte operante e integrante dela, da vida!...
Quero muito ouvir os discursos dos homens, mas somente depois das coisas concretizadas, na verdade, os discursos tem que ser a posteriori, quando as promessas já foram cumpridas, quando os caracteres já foram mostrados, quando as máscaras já foram tiradas, quando os valores já foram aplicados.

Edificar, sim esta é a palavra, viemos ao mundo para edificar o que temos de melhor, pois que somos criaturas com canal direto com a divindade, e rezar, orar, fazer prece só não adianta, precisamos sim, agir para nos edificarmos e em nos edificando edificarmos o outro. Nós que já passamos dos quarenta sabemos que já almejamos tantas coisas e por muitos motivos adiamos, desistimos, mudamos de rumo porque em algum momento a nossa edificação como “seres humanos” é mais importante. As pessoas gostam muito de medir a felicidade do outro e se esquecem de construí-la dentro de si mesmas e ao seu derredor. Eu não posso tomar para mim o que é do outro, tampouco dar ao outro o que eu tenho obrigação de desenvolver em mim.
Felicidade edificada é um bem que não tem preço, é viver cada dia como se fosse o primeiro, com entusiasmo de uma criança e sabedoria de um idoso. Eu tento e você tenta?!

22 dezembro, 2009

TREVAS OU LUZ? (Cacau Loureiro)


As ovelhas passeiam desgarradas
contudo, o onipotente não desistiu
de suas criaturas.
O livre arbítrio foi corrompido pela
ganância, pelo orgulho e pelo egoísmo
da raça humana.
Os falsos profetas se espalharam
na face da terra como erva daninha
a carcomer os espíritos ignorantes.
Muitos dormem o sono dos loucos,
muitos vivem uma vida de “nadas”.
Muitos seguem os mensageiros que
em seu íntimo são lobos rapaces.
O céu grita em nome de toda gente,
ricos, pobres, sãos, doentes, órfãos,
pais, mães, filhos, a terra grita em seu
âmago pela salvação!
Os prodígios humanos nada são
diante da glória do Eterno, diante
dos incomparáveis milagres do médico
dos médicos, o bendito Reis dos Reis.
As trevas cobrem e permeiam a mente
dos homens e os seus atos.
Os sinais se apresentam...
Ouvem-se os clamores...
Nuvens negras são nossas auréolas,
a lágrima é nosso cajado, a fome é
a nossa bandeira, o medo é nossa casa,
a violência é o nosso discurso e a impunidade
é o nosso troféu diante dos pseudo-líderes,
dos falsos Salvadores.
Diante da convulsão do mundo a espada
agora está na mão do Justo Misericordioso
na cruz crucificado há dois mil anos.
O que temos feito conosco?
O que temos feito com o mundo?
O que temos feito em nome do Pai?
A escolha sempre será nossa...
E quando ELE voltar o que você será
TREVAS OU LUZ?


17 dezembro, 2009

ASSIM SEJA... (Cacau Loureiro)

Difícil escolher o caminho quando estamos
cegos pelas paixões que nos tornam oblíquos
à verdade.
Pessoas há que nos roubam a própria identidade
e julgam-se oprimidas, vitimadas.
Mas, eu não culpo esses alardeadores de
promessas falsas, de discursos efêmeros
em nome da bondade, pois que eu os ouvi,
eu os deixei ficar...
Mas a marcha do progresso é incontinente,
e os escolhidos estão sempre amparados na
Luz da Divina Providência.
Creio piamente que tenho a fronte marcada
para o desenvolvimento espiritual, contudo,
em alguns momentos perdemos o objetivo.
O Grande Pai tem sido abundantemente
misericordioso em minha vida, porque em
cada passo ele me mostrou sempre a sua face.
Desviei meu olhar algumas vezes... e meu coração
travou batalhas vis, e o meu trilhar era de espinhos,
e o meu céu não era azul, e a minha fala não
era minha.
Reneguei de alguma forma todos aqueles que
sempre me deram e ofertaram a compreensão,
e o acolhimento, e estes atos são amor balsâmico.
Deixar a vaidade de outrem habitar em nós é
veneno digerido diariamente, e isto nos mata
e mata aqueles que estão ao nosso derredor,
compartilhar deste cálice amargo nos transfigura,
deturpa nossa real identidade.
Porém, eu tenho o gérmen do criador pulsando em
minhas veias, a visão das águias que rasgam os céus
em busca da liberdade maior, que nem dinheiro, nem
posição e nem o poder desvirtuam ou consomem.
O meu caráter é o cajado que carrego para me
defender dos inimigos, a minha franqueza para
afastar a hipocrisia dos que intentam lograr
com a justiça.
Eu não brinco com a vida e eu não temo a
morte por isto vivo mais e intensamente.
A covardia nunca habitou o meu coração,
embora algumas pessoas consigam nos destituir
de inteligência por algum tempo com suas bárbaras
atitudes dissimuladas.
Os que vivem sem bravura são repugnantes,
assim sendo os encolhidos de espírito nunca se
expandem para a verdadeira vida porque temem
o compromisso com a existência, pois que
o seu intento é passar por ela, não vivê-la.
Mortos vivos a poluírem os lugares por onde
passam omissos; pobres coitados fragilizados
pela estampa de falsa benevolência.
Não culpo ninguém pelas minhas escolhas,
posto que elas me foram escola austera.
Compreendi também que o meu crescimento
muitas das vezes foi forjado na pequenez
de outros. E só os sábios aprendem com
os erros alheios.
Sou tão insignificante neste mundo, e por isto
também dou graças a Deus, talvez se ele me
fizesse maior eu não soubesse usar os dons
que me concedeu, mas eu faço a minha parte.
Descobri já a algum tempo que mágoa sempre
nos faz estacionar na marcha do progresso,
e para elas tenho um tempo muito curto,
também elas temperam-me e preparam-me
para o melhor que há de germinar em mim.
Valores morais hoje são discutidos como plano
de política, pela qual, aliás tenho asco.
As pessoas planejam: vou ser assim para obter
isto, falarei assado para angariar àquilo.
Não vim à vida com etiqueta de valor de mercado,
muito menos dou desconto, minha alma não está
à venda, e por isto sempre paguei caro por minhas
opções...
Hoje volto a ver as coisas com nitidez e lucidez...
Há pessoas que se corrompem por qualquer quinhão
de falso afeto, de fugidios laços, de vantagens
baratas, usurpam o que não lhes pertence pelo puro
prazer de dizer que estão aproveitando a vida.
Entregam-se a relações falsas, medíocres e
superficiais para mostrarem que tem alguém
ao seu lado, mas caminham sós e egoisticamente.
Tenho certeza que viemos ao mundo para sermos
fortaleza, a fleuma não nos leva a lugar algum,
tampouco a passividade. Sei também que não
vivemos num país pacífico e sim num país passivo
e assim marcham as pessoas para a frieza diante
de todo este caos que vivemos nós hoje em dia.
Identidade plena é ser amplo sem ser hipócrita,
é fazer o suficiente que se pode sem ser mesquinho.
Dei minha cara á tapa muitas vezes, e daria e darei
quantas mais forem preciso, pois que não posso me
esconder atrás de máscaras de torpeza e futilidade.
Sou de carne e osso e já fui pregada na cruz para
a minha própria salvação.
Morri e renasci mil vezes porque as sementes
que venho plantando em meu caminho sempre
me dão novas possibilidades de recomeços...
E acreditem, sempre recomeço com mais força,
com mais vontade, com mais capricho, com
mais empenho, com mais amor e com mais perdão.
Assim seja, graças a Deus!...