SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

29 agosto, 2009

SIMBIOSE


Deixe-me nutrir teu coração
com a minha ternura.
Envolver-te em ondas de
emoção, afeto, carícia pura,
deflagrar em teus lábios
tantos desejos, e em teu
corpo tanta candura, que
assim eu creio, sentirias meu
corpo, e sem limites eu te
daria a minha alma.
A minha boca canta agora
esta saudade, e transborda
toda esta vontade: de
dulcificar a tua vida, de
acalmar a tua pressa.
A minha dor está em toda
esta afirmativa: abre-me
uma ferida o não me deixar
te querer.
Sejas deísta, agnóstico ou ateu,
o nervo em que te toco exalta-te
e exaspera-me...
Entreabertos os meus lábios
esperam-te, minha razão afasta-te,
mas, meus olhos entrevêem-te,
pois que as portas do meu ser
estão expostas.
A minha voz chega a ti em
simbolismos, e tu chegas a
mim tão facilmente, que de
repente só te vejo à minha frente...
Meu coração devoluto em rimas
consome-te, em prazeres deleita-te,
o que me torna normal. O que fazer?
Não sou perfeita!
A minha letra convida-te à sagração
dos corpos, à perdição das bocas,
à simbiose sensual.

SIMBIÓTICO (Cacau Loureiro)

Teus lábios caprichosos
tocaram singularmente minha
alma semi-ânime.
Porque não volver ao teu
venturoso abraço?!
Circundo o tempo sem demora,
ao teu encontro não mais vai o
meu coração lesto, posto que
ele já está contigo...
O meu beijo pressuroso,
o teu amante, amigo, bonançoso,
remexe com minhas quimeras,
com minha retórica de apaixonada
poetisa.
Não mais sei dimensionar o que por
ti cultivo, eu elementarmente, vivo-te!
Diviso o pretérito, meus ulteriores
quereres, e, nesta lacuna que se fez
em meu destino, teus olhos, teus gestos
em labirinto intrinsecamente em mim
traçado, fixado, instituído.
Estou em ti, estás em mim...
Simbioticamente em androginia de um
mundo redivivo.

JUNGIDA


Da janela eu vejo o cair da chuva...
Abundantes em minha alma são teus olhos
radiosos de afeto.
O nebuloso tempo não me traz melancolia,
apenas saudades...
Diviso o céu em vertigem emocional, teu
retrato na paisagem é ímpar, sem igual.
A voz da natureza sussurra em meu ouvidos,
diz-me de tanto amor em sua própria profusão;
Vento frio a refrescar minha vida insana, chama
do teu amor primeiro, ardente, brilhante, raro e
verdadeiro aquecendo-me os frios d’alma.
Aprisiona-me em tuas correntes de desvelo, dado
que já não sei viver sem teu coração afeiçoante.
Sigo pelas ruas sinuosas do imenso mundo que ora
me habita, encontro-te em cada esquina, em cada
ser que toco, falo, ouço... em cada rosto...
Respiro-te, pressinto-te!...
Eu já não sei viver sem ti, porquanto,
“eu não sei dizer que eu não te amo!”

26 agosto, 2009

POEMA INCOMPLETO


A chuva não faz passar a dor...
Não desfaz a marca do teu toque
em minha tez...
Noite e dia não se delimitam nesta
alma conturbada pela ausência...
Saudade que finca nos olhos feito
espada e grita no peito todos os
silêncios mendazes e atrozes das
demoras...
Nada há que substitua o teu gosto,
não há nada que o teu toque represente,
nada há que se troque por seu rosto,
não há nada que se ponha no lugar
da tua lembrança tão amada.
Deito meu corpo, mas o espírito sempre
alerta não desvanece os teus traços, não
me fazem esquecer-te...
Como os sulcos do meu rosto, acordas
e dormes comigo, em mim, sem o ir ou o vir;
mas, sempre distante, no entanto, nunca ausente...
O pesar não consome as horas mortas em
que semimorta eu versejo-te...
É lenta a alvorada, o ocaso é lento,
é veloz o coração, é mordaz a tua falta...
Eu estampo a tua imagem na paisagem,
traduzo nossos momentos nas palavras,
em cruéis linhas que me sangram invisíveis,
assim componho os versos mais bonitos
nas estrofes deste poema incompleto!...

24 agosto, 2009

A ÚNICA ROSA

Disse o poeta outrora: Todas as rosas
são a mesma rosa, entretanto, eu
não infra-assino isto, porque a rosa que eu
versejo é o horizonte lento, é o mar bravio,
pois que cada um tarja à sua imagem o que
se lhe afigura.
Minhas impressões sobre o mundo são as
rosas que plasmo por ti.
Em filigranas de afeto eu delineio muito mais
do que vês... Pois até meus olhos que não
vejo vêem você.
Os meus símbolos são muito mais que a
estampa floral de um buquê, são as efígies
de afeto de rosas que cultivo em mim.
E cada rosa vai completando a beleza de
outra rosa como um caleidoscópio produzindo
infinitas combinações de cores. As rosas que
eu cultivo são os versos que esboço em
formas sutis. Esta é a singularidade que te
dou: de cada movimento estudado, de cada
momento traçado de minha caligrafia.
Com delicadeza, com calma eu modelo os
ornatos da esperança, da inspiração que vai
além do que consegues apreender nestas
metáforas.
Com poesia eu dinamizo o infinito, transcendo
a esfera imensa, o sol abrasador, o meu próprio
espírito, O TEU E O MEU AMOR.
Porque ele é a nossa única rosa...!
Hei de concordar de outra forma com o meu
poeta dileto: Quem se arrima à rosa não tem
sombra... O amor... ah!
Amor! A única rosa que te dou.

ENAMORADA


O meu enamoramento tem força
inelutável, poder inesgotável, não
há fogo que o faça extinguir-se, pois
que também queima, também arde.
¿Qué es su poder en su cama?
Eu temo não ter o fascínio suficiente...
Proporcionas-me emoções violentas,
amor inveterado, apaixonado, pois
que és aventureiro, decidido, corajoso,
porque apostas na sedução.
Queres o sexo, eu a emoção erótica,
visto que te quero para sempre.
Quero o idílio íntimo, carícias,
abraços, elogios, flores, o erotismo
difuso, cutâneo, muscular; paixão
transbordante, incontida, um meio,
um modo de amar...
Corpus prae animus.
Não busco em ti priapismo, mas
um misto de Dom Juan e de Cyrano,
pois que já reinas dentro de mim
como Romeu.
Desejo-te forte e terno ao mesmo
tempo, mas temo a tua força, temo
a minha febre.
Não sou gueixa, mas me deixes
exercitar todas as técnicas da
sedução.
Usted sabe sobre el poder supremo
que tiene en su manos!

DESEJO, DESEJAS, DESEJOS...

Tu sequer imaginas como
se afiguram os meus desejos.
Minha imaginação inventiva,
minha emoção criadora
transfiguram-te em minha alma,
desinquietam-me o espírito.
Resfolego em teus ouvidos,
transpiras sobre o meu corpo.
Toco-te sem receios, sinto-te
inteiro... pés, mãos, tórax,
pescoço, nádegas, só assim
te tenho apreço. Só assim eu
reconheço quanto tenho em poderio!
Suor escorre em minhas costas,
entre meus seios... surpresas
agradáveis, impulsos incontroláveis,
desejos e mais desejos.
Busco-te os lábios, encontro tua língua...
Explosões, libido, salivas... sensibilidades
orais, visuais, carnais. O teu gosto
desperta-me e domina-me.
Não quero, não posso mais dormir,
quero me sentir viva, vibrante ao
me dar a ti.
Delírios tantos, noite quente, enluarada,
frêmitos, nós dois de prazer tontos...
Estarei enamorada!
Teu corpo contra o meu desnudo em
tua cama, não me cala, só me encanta.
Cabelos em desalinho, versos ao pé do
ouvido, perdidos em uma só boca.
Teu corpo tenho inteiro, braços, abdome,
coxas; tuas mãos em minhas pernas, em
minhas ancas, prazer iminente, aperto
os travesseiros.
Tua nudez virilizada desatina a minha
cabeça tão pouco centralizada... gostos,
gestos, gozos... tesão. Sussurros, palavras
de emoção satisfazendo o meu corpo, mas
também meu coração.
Em teus braços sou fêmea indomável, és
o macho é me protege, incansável.
Pulso em teu enleio exausta, mas ainda
as minhas mãos apertam-te, arranham-te.
Cheiro tua pele, beijo o teu pescoço, roço
em teu dorso, refaço-me em teu gosto.
Sorrio-te em desafio, este prazer é tão
fluídico, esvai-se num curto lapso...
Teus dedos, teus beijos... desejo,
desejas, desejos, começo tudo de novo.

AEDO


O meu coração é alado,
em suas asas carrego os
meus sentimentos.
Com olhos de águia,
voando além do firmamento
tento te encontrar.
Fito todo o horizonte,
porque escondido estás
em suas linhas.
Terra, mar, céu e eu, tudo
tem um brilho teu, a brisa
que toca meu rosto, o azul
que reflete em minha alma,
o sol que aquece o meu
coração, e sobre tudo e
todos voo com as asas do
teu encantamento...
Queria, neste entorpecimento,
afagar-te a fronte, beijar-te a
boca com toda esta sede insana,
louca... por instantes.
Contudo, ainda vôo cheia de
alegria, decantando em simples
rimas toda a tua simetria, e o
meu coração, com esta pouca
e pobre métrica, mas em carinhos
milimétricos, ainda faz de ti, o
aedo dos meus versos.