SOBRE ESTE ESPAÇO

"Este espaço reúne textos escritos ao longo dos anos, todos datados conforme o tempo em que nasceram. Não foram revisitados para correções de sentido ou intenção, pois cada palavra guarda a atmosfera emocional, espiritual e humana do seu próprio momento. O que aqui se apresenta não é uma narrativa linear, tampouco uma versão definitiva de quem escreve. É um percurso. Um registro sensível de atravessamentos, amadurecimentos, silêncios, afetos e travessias. A escrita que habita este lugar nasce do encontro entre poesia, espiritualidade e experiência vivida. Não pretende ensinar, convencer ou explicar — apenas partilhar estados de consciência, imagens e sentimentos que pediram forma. Quem lê é convidado a caminhar sem pressa, respeitando o tempo dos textos e o seu próprio. Algumas palavras são sementes, outras são espelhos. Cada leitura encontrará o que estiver pronta para encontrar."

REFLEXÃO

"Ao permanecer, iluminei. Não para salvar, não para provar, não para ser menos. Iluminei para seguir inteira." Claudia Loureiro

31 julho, 2009

DESCERRADO


Eu sonho na intemporalidade dos desejos
Suprimir todas as distâncias; em meus passos,
em teus passos, extinguir todas as dores...
Traçar um novo caminho que possa enternecer
meu coração hoje tíbio pelas intempéries de uma
vida sem entusiasmo.
Como me renovar dia-a-dia neste querer que
retido está em minha garganta, que escondido
está em meu caráter dantes ditoso?!
Eu abro os meus braços para ti, já que o meu
peito rasgado está, escancarado na tua esfera de
amplo poder, em teu carisma inaudito.
Assim contigo eu permaneço, eu sempre fico.
Não há como partir quando meus olhos vislumbram-te
e descerram-te para o meu espírito deliciado, tomado.
Sou humana criatura neste mundo vão...
Mas, meu sentimento plasmado, edificado, imanado
e contaminado de ti faz-me conhecer o paraíso.
Contudo, sou carne, sou osso, sou nervos e músculos
a correr na eternidade dos afetos, na infinidade do
teu globo. Eu quero o sincero, o franco, o aberto, o
teu sorriso mais bonito para te dizer tudo o que eu
contigo quero.
Eu sigo revelando minha fortaleza, todas as minhas
fraquezas, tudo o que vai no meu âmago conturbado...
Eu desvendo-me, eu descerro-te o meu simplório universo
para te dizer do amor que hoje cultivo em teu crédito.

CINTILAÇÃO


Eu quero decifrar o teu esfíngico sorriso...
Pois que a cismar fico quando me fitas em
afeto enigmático.
Na distância breve do teu olhar para o meu,
eu adentro teus abissais olhos negros, mas,
a minha alma colorida fica assim, embebida
e embevecida de ti.
Contudo, o meu coração sem mistérios, em alto
e claro alfabeto não te propõe insolúveis enigmas.
As minhas letras sem represas e apressadas
invadem tuas tenras gôndolas labiais em beijos
fartos de amor...
Eu impermista despudorada em desejos, tão
mistos de prazer e dor...
O meu franco fervor em tua pele noviça, em teu
cutâneo calor... Febril eu sou, viciada contumaz.
Quanto mais... pertinaz, tenaz, vivaz...
Teu inebriante hálito, toda esta aura luminosa em
nossos orbitais espíritos, teu olhar penetrante em sutil
apego a enlaçar-me ossos e músculos, alma e corpo.
O teu perfil sensato, empreendedor faz-me seguir
teus sinais místicos... e assim viajo nas mais altas
camadas do globo e pressinto a chama que emana
de dois corações faustos.
Eu fecho os olhos e entrevejo sortidas cores, também
luzes violetas, da cor das flores que sempre hei de te
ofertar por nossa cromática estrada...
Eu sinto a vida em ti de todas as formas, em halos de luz,
Assim vivo em ti, por ti...
E esta claridade que me persegue e me aclara a gema aflita,
eu sei, estará lá a nos esperar, no fim do túnel!...

ÁLACRE

Ah! Como te subtrair do meu peito
agitado, se tu és o seu ritmo e canção
acelerados, movendo-me os músculos
e os pensamentos?!
Amanheço e anoiteço em teu horizonte
de primorosa beleza...
No teu jardim de sortidas cores eu caminho
por entre as tuas flores perfumadas, em meio
a fresca primavera a colorir meu rosto soturno.
Em meu contumaz desejo, quanto mais te
tenho, mais te quero, mais em ti perco-me;
Já que vencida em teus braços agiganto-me
eu sigo magnetizando-me em teu manto e
banho-me em tuas ondas energizantes de
puro afago.
O meu riso solto e espontâneo é o retrato da
felicidade que capto e apreendo ao teu lado,
pois que sou àquilo em que me transformo
quando estou contigo.
Meu amado... benquisto... Meu amigo, minha
aura expande-se clarificada quando o teu sopro
de vida adentra a minha alma e por teu amor é
purificada!...

ÁLULAS


Alo as palavras... é o meu jeito
de liberar convulsões interiores,
os meus velhos temores.
Não obstante, a chama que a tua letra
acende em mim, ilumina-me a
solidão da alma, arranca-me lavas
do coração, é pira mais que sagrada.
Penso... algumas coisas nesta estrada
deviam permanecer imaculadas... o amor,
a amizade. Contudo, a luta pela vida é
desigual, é dura, é árdua. Logo, eu sigo
por essas vias marginais, pois que sou
poetisa anilhada.
É o milagre em ação quando duas almas
se descobrem, é a divindade a dizer:
Vem comigo, eu existo e te sustento!
Minhas frases vêm a esmo, desarrumadas,
mas, são presentes que te entrego neste
prorromper de desassossego.
Eu não nego, tenho-te apreço e nada
te peço além de permaneceres comigo...
Como amigo... Como amigo! Amigo, como?
Não me importa o quanto tudo já está
explícito, já não me importo se me explico,
pois se não te digo... eu silencio...
E em não permanecendo no “senão”,
eu me complico, então, eu falo, até escrevo,
assim, eu me desvio dos atropelos derramando
verbos, conjugando todos os meus medos.
Estou farta dos não me toques cheio de dedos!...
Em meu caminho já tive freios, as bridas
de um contumaz desejo... apegos.
Deixarei de mas...
Hoje é patente, eu criei álulas, e, quanto
mais eu alto vôo, mais alto sonho!... mais espaço
acho para abrir as minhas atrofiadas asas.

ABSORVIDA


A seiva que absorvo do teu ser
alimenta-me, e sacia-me...
Então, sorrio, peço-te: sorrias...
Nesta vida podemos escolher
muitos caminhos; segui-los até
o fim é uma incógnita. Que seja
bela a teia que o destino nos
traçou, a nossa história.
No meu mundo tão pequenino
a ti vislumbro, tanto universo
que te habita...!
Proporcionas-me mais que mil
sóis, aqueces-me mais que os
verões que há em mim, mil
primaveras. Que sejam assim
nossas raízes, as nossas asas:
um sol que arderá abrasador.
Com você não sinto dor... só
busco “amor”, ardor, fervor.
E não me importo por quanto
tempo estará aberta a tua porta...
Tens-me agora... isto é doce...
E isto é forte... Eu vivo agora!

27 julho, 2009

REDIVIVO


Teus lábios caprichosos
tocaram singularmente minha
alma semi-ânime.
Porque não volver ao teu
venturoso abraço?!
Circundo o tempo sem demora,
ao teu encontro não mais vai o
meu coração lesto, posto que
ele já está contigo...
O meu beijo pressuroso,
o teu amante, amigo, bonançoso,
remexe com minhas quimeras,
com minha retórica de apaixonada
poetisa.
Não mais sei dimensionar o que por
ti cultivo, eu elementarmente, vivo-te!
Diviso o pretérito, meus ulteriores
quereres, e, nesta lacuna que se fez
em meu destino, teus olhos, teus gestos
em labirinto intrinsecamente em mim
traçado, fixado, instituído.
Estou em ti, estás em mim...
Simbioticamente em androginia de um
mundo redivivo.

ILUSÃO ?

(Poema de Carol Luik)

E enquanto mais remoto você está,
Mais os meus sonhos ficam amontoados,
Sem que ninguém os execute,
E essa amplitude é tão desconfortável,
Mas hoje eu preciso me conduzir só,
Vai ser melhor pra mim,
E quando eu penso que você está próximo,
Você torna-se cada vez mais remoto,
Sem que eu possa te alcançar,
Mas nós crescemos, e aprendemos,
Que se nós não nos esforçarmos pelos nossos sonhos eles nunca serão realizados,
E os sonhos são o princípio de tudo,
Os sonhos são aspirações que quando dominados,
Faz-nos lícitos e rematados, o que nos conclui por inteiro.

DIATÔNICO


A luz que brilha lá fora é fulgor em
meu coração!...
Os caminhos que se abrem à minha
frente são de bela cor, e de cor eu sei
tua música suave.
O meu tom, os teus tons, orquestram
letras festivas, letras tristes em árias
de dias extensos.
Sem ti todas as cifras estarão mortas,
adormecidas no desassossego do não
te viver, portanto, vivo-te intensamente,
como cântico que reverbera no infinito.
Os clarins do amor transpuseram todas
as portas e janelas e tomaram de assalto
todos os sentidos que já se fazem há muito
ressentidos.
O tempo pára quando capto o teu momento,
flashes de júbilo e aprendizado tecem-me
percepções ambíguas, posto que há misto
de dor e alegria.
Mas o mundo traça a sua marcha incontinente
e o viver se faz necessário e presente, a ordem
é prosseguir. Assim viajo em teus signos e sinais
porque não há caminho de volta quando tudo
está adiante e mais além.
Aqui, dó, lá, ré, e se algum dia existiu um dó,
agora existe um sol!...