LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




29 de novembro de 2011

FLAGELO (Cacau Loureiro)

A raça humana tem esperado há séculos
o seu salvador, alguém de carne e osso
que fosse sacrificado por ela.
De fato, acredito no Cristo como personalidade
histórica, um ser singularíssimo, dotado
da mais alta luz dentre os mortais.
Se o que vivemos hoje são as trombetas
dos apóstolos do apocalipse ou dos
cavaleiros andantes das utopias
crucificadas pela cruel realidade, sim,
continuemos, pois, a esperar o enviado.
O Homem nunca se despiu da barbárie
e os governadores da espada e da
balança continuam a lavar suas mãos
em decisões judiciais covardes fazendo
de nós, o povo, os bobos da corte.
Até quando esperaremos pelo cordeiro,
já que os messias da modernidade
derramam seus sangues na tela das Tv’s
e nas páginas dos jornais todos os dias?
Os filhos desta pátria pseudodemocrática
são servis, são gentis quando sorriem
felizes e depositam sua fé nas urnas da
impunidade antropofágica.
A realidade de nosso país é surreal e
trágica!...
Não é preciso que se ressuscite o homem,
seja ele santo, enviado, consagrado...
Posto que este está morto, exposto aos
abutres da falsídia e do peculato.
É preciso trazer à vida a dignidade porque
para a injustiça neste país não há grades.
Ela é a peste que se alastra dia e noite, o
inseto infame que nos pica e que nos mata.

27 de novembro de 2011

PASSAVANTE (Cacau Loureiro)

Diante do tempo, das colinas da vida,
sou peregrino da dor...
Diante da luz eterna que mãos me amparam?!
Nos pilares que erigiram meu caráter,
somente um deu-me sustentação e alento.
Neste mundo de muitos deuses, só a um
  eu clamo em lamento, porque somente
 
Ele tira o véu de minha alma, e não mascaro
 
o meu desgosto, posto que diante D’ele
 
criança coloco-me, novata sou no espaço
 
do eterno infinito.

  Deixo-me ao vento dos dissabores, contudo,
 
a mão do mestre é-me elmo e defesa.

Como diz o profeta, somente com os meus
  olhos verei a recompensa dos ímpios.
 
O tempo cura as feridas, e todos e tudo passaremos,

  assim como indefesos passarinhos.
 
O arauto da vida transforma o mundo, pois
 
que somente Ele, é justiça e amor.