LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




30 de agosto de 2011

PIGMENTO (Cacau Loureiro)

Vento matreiro faz despencar as folhas sob
o sol frio destas tardes solitárias...
A paisagem invernal não me priva de sorrisos.
Minha viagem neste mundo vil é astral, não
posso negar-me a essência divina que me move.
Preciso de uma lágrima para temperar os meus
dias, assim como preciso de um sorriso para restituir
meu espírito.
Entre tantas mãos, as tuas, singulares, intensificam
meu ânimo para a existência.
Meus caminhos de pedras não me sangram os pés,
apenas me despertam para a vida.
Suor, pranto, dor... o cálice da verdade é provado
por todos nós...
Avisto a multidão, sei que estás dentre muitos e
tão marcadamente em mim, sinais feitos por mãos
pródigas, cinzel delicado a tarjar meu peito inquieto
por mais sonhos, por mais amor, por mais vida...
Impulso de gravar-me em tua pele em tatuagem
de mim mesma em pigmentos do eterno!...

15 de agosto de 2011

EVOÉ (Cacau Loureiro)

A tua música move-me...
Quero ouvir-te mais perto.
A dança que fazes em mim desconcerta-me;
queria eu ser profetisa das tuas dádivas,
bacante do teu amor, descobrir o suprassumo
do que és e beber-te na taça das divindades;
ver-te muito além do que os meus limitados
olhos veem... quero sentir-te.
Ah! Esta candura singular que me comove,
melodia que permeia sonhos encantados!...
A tua voz narra-me o enredo da vida, da
vida que me anima em ti; deixa-me morar
em teu interior, beber em teu doce dormitar
o vinho de todos os amores, provar mel de lábios
deleitosos que proveem a eternidade.
Teu ser é dileto dos deuses, guardiães de maior
tesouro... do teu apreço.
Ora eu sei sobre diamantes lapidados em
mansidão... olhos que espreitam minha
alma na noite dos tempos evocam-me à
maioridade.
Meu ser afetado por teu afeto cambaleia ao
paraíso, meu passo açodado em teu ditoso
sentimento, é marcha, é jornada, é evolução!...
Sobeja em mim a tua boca, o teu ameno gesto,
grandioso existir... vida que explode em mim
neste diminuto planeta chamado coração.

SORRISO ABERTO (Cacau Loureiro)

Há um sorriso guardado para ti...

Nas folhas de um outono adormecido pelas

intempéries da vida, nas lágrimas que irrigam

as flores do caminho.

A primavera persiste e não se foi, porque há

corações que são bem mais que fortaleza,

são sobreviventes de guerras silenciosas,

são combatentes da dor que é acorde para

os heróis.

Há os que vieram para destruir, seja pela

ignorância da espada seja pela fraqueza

de espírito e não sabem lutar francamente

pela felicidade que é virtude e direito.

Ah! Guerreiro vendado eu sou!...

Destemida sigo os rumos que o mundo me

apresenta, pois que para mim a vida é dádiva

sagrada, e assim prossigo num instinto sobre

humano em viver.

Há um sorriso guardado para ti...

Como espectro solar que se levanta todas as

manhãs na esperança de aquecer as almas falidas,

reacender o fogo das paixões, reaver os sonhos

esquecidos, colorir as vidas vazias.

Mesmo na correria dos meus passos cansados,

na minha face desfigurada pelas noites mal

dormidas, há um sorriso guardado para ti.

Nos primórdios da infância eu tive um

sonho, voo lúdico envolto em esferas

coloridas... assim eu tive uma certeza,

há sim, ainda, um sorriso guardado para ti,

 e ele nascerá de minha alma pródiga como

fruto saboroso de árvore fértil e estará em

repouso em minhas mãos limpas esperando

o teu aberto riso...

E serei como um céu que se abre azul todas

as manhãs e avança desmedido e adentra o teu

vigoroso espírito lutador!...

10 de agosto de 2011

ORESSA (Cacau Loureiro)

A tua calma apraz-me, aquieta-me o

coração, alísio de paz...
O sopro frio das manhãs não diz sobre
a centelha que reacendes em mim...
Assim são as ondas das emoções supremas,
há um arco-íris que se expande para além dos
humanos horizontes.
Eu sigo esta rota dadivosa, onde os rastros
deixam saudade e em aquarela pintam o teu
distinto sorriso.
Alço ao vento minhas lonas catitas que
sobranceiras envergam meus sonhos aos
mares não navegados, paraíso de fantásticas
descobertas; fartas águas tem este oceano
que sacia sedentos quereres, terra á vista em
minha restrita vida, ah, este rumo de um só!
O astro rei em sua majestade cinge-me a
fronte com seus raios em sal de entusiasmo.
A minha têmpera revel segue ao encontro
deste fanal de desejos... luz para os
desbravadores de afeto.
Iço âncoras, abro as velas em azul céu, nau
ligeira sou... vento em popa neste imenso
mar de apegos!...

9 de agosto de 2011

A CAVALEIRO (Cacau Loureiro)

Estrelas serpenteiam o céu com suas luzes
exuberantes...
Como um coração pode conter tanta força
e coragem, ao mesmo tempo fome e
dissabores?!
As canções do caminho fortalecem esperanças,
recriam sonhos encantados.
A luz só desperta aquele que vê o céu...
E eu olho as nuvens como passageiro de
promessas, como guerrilheiro das savanas,
como integrante das infinitas caravanas da
existência... viajor... eu prossigo cavaleiro
andante diante dos temporais.
Não sigo discursos, eu reconheço os sinais,
não estendo bandeiras, distingo o amor.
Hoje moro nos desertos dos homens que
jamais foram humanos, estereótipos dos
pseudoimortais.
O meu compromisso é com a vida, porque
ela é o valor maior que impulsiona os meus
passos, a mola mestra que me esclarece
o espírito e que me move equidistante ao
progresso, tão próxima ao sol. Ademais,
aos mortos-vivos não me permitirei jamais!...