LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




29 de junho de 2011

LUA CRESCENTE (Cacau Loureiro)












Quero eu crescer em tua crescente lua,
navegar desnuda em tuas partes nuas.
Tocar tua paisagem exuberante com meus
lábios crus, adentrar intumescência em
percepções auditivas, olfativas e táteis,
fremir contigo em impulsos insanos...
Ah, eu creio na química rascante dos
sentimentos cálidos, na energia faiscante
de nossos corpos nus...
Cessar com minhas mãos quentes a tua
abrasiva carne, sorver-te aos goles em
inebriantes haustos.
Assim em teu dossel, em noite enluarada,
dormitar em tua pele cintilante, caprichosa,
dizer-te de minhas vontades soprando em
tua nuca, passar para os teus olhos os meus
delírios lúbricos.
Meus braços amarrados em teu corpo
trêmulo, teu cheiro adentrando em minha
boca e poros, rio de desejo alagando-me
a alma, fazendo-me crescer em tua
crescente lua.

27 de junho de 2011

DEIDADE (Cacau Loureiro)

O teu cometa quando por mim passa e reluz,
explode feito estrelas em meu peito, é céu
iluminado!...
Será direito querer-te assim?!
E quando as tardes amenas sossegam
o meu âmago agitado por tuas canções
primaveris, eu não esmaeço as vontades,
eu não esqueço contornos, reacendo este
meu mundo libidinoso onde demarco
meus espaços, onde relembro teus sons.
A vida contigo é bela cantata de luz e de
cor, e de cor eu sei dedilhar as tuas cifras,
as tuas confissões mais intrínsecas.
Fato é, luzes-me como clarão de eternidade
que jamais cessa, pois que um dia o que
fora desejado para sempre no universo
estará marcado, latente como vulcões que
transformam e consomem o estático;
passarão os tempos, mas o verbo conjugado por
nossos corpos, realizado existirá na vontade de
permanecer... contudo, somos singular movimento.
Como apagar na névoa das eras o teu olhar
de meiguice confessado por teus ternos gestos,
lapidado em olhos de diamante?!
Há sossego e paz em tua companhia, não há
cansaço, caminharia mil anos ao lado teu,
porque o que foi marcado pela divindade jamais
será profanado.
 

DISPARATE (Cacau Loureiro)

Não me falta inteligência, muito menos me falta
amor... e mendigar afeto não é o meu lema,
tampouco, minha filosofia de vida.
Os meus desafetos sabem o porquê de
não amá-los tanto, embora, o amor seja
a lei primeira entre os cristãos, ou deveria ser.
E ainda que eu tenha aprendido à duras penas,
eu tenho ainda esperanças na humanidade.
Não encontrei muitos fiéis na doutrina da
existência, não testemunhei adeptos da cristandade...
Os templos andam lotados de hipócritas. Todos,
nós, lá no mais profundo de nosso ser somos
iminentes carrascos, professores de sentenças
sórdidas e injustos sentenciadores.
Plagiando o Cristo, escrevemos na areia da
atualidade com o dedo em riste, gritamos
ferozmente por uma paz transmutada em guerra e
sangue, disparates conclamando à salvação.
Há jardins onde somos traídos, oásis onde nos
tornamos desérticos.
A espada retirada da bainha não decepa orelhas
e nem transforma em cinzas as víboras falantes,
porque as más línguas serão por todo o sempre,
o chicote do corpo.

24 de junho de 2011

GALANTE (Cacau Loureiro)

Consinta-me traçar em tua castidade
os meus caminhos de rochas, mas
também de mil sorrisos, pois contigo, em
sublime graça movo-me em contentamento,
ando em felicidade.
Permita-me em total ternura e desejos,
tocar tuas sinuosidades, porque nas vias
por onde sigo, as da honestidade, eu brinco
com pueris vaidades.
Conceda-me meu bem amado, viajar nas
tuas rotas para chegar além de mim, para
estar aquém do que mereces...
Mas, aceda-me ainda, inspirar-me em tuas
dádivas, benesses, permanecer em lavra
e cultivo de afetos, em palavras e gestos de
afagos, em sincera forma de amar-te.
Possibilite-me em corpo, alma e espírito,
em signos, sonhos e verbos, tecer este simples
rimalho de meiguice para te alcançar em ardor.
Em teu doce amplexo, querido faculte-me,
refazer-me todos os dias em teu distinto amor!...

23 de junho de 2011

DIAMANTE (Cacau Loureiro)


Ah! Quando me abraças ser de luz,

esta energia que me aflui me toma

todos os poros!...

Embriagar-me neste frisson é algo

primoroso, já que o meu espírito

entregue está em tuas suaves mãos.

Os teus lábios como bálsamo-tranqüilo

trazem-me a paz que liberta, reedifica.

Como explicar este raro encontro no

encanto da esfera orbital de teus olhos

de diamante?!

Eu sigo este feixe de luz que promana

do teu repleto seio, sem medos, sem

meandros, sem rodeios.

Nesta estrada em que me guias não mais

sou nômade, finquei raízes em ti!...

Neste paroxismo que me toma e me abala,

não mais sei se sou dominada ou se domino...

Ah! Teu ser criança, alado, quase menino,

fez-me voar nas asas de Cupido!

1 de junho de 2011

PRAZENTEIRO (Cacau Loureiro)

Revolvo o meu peito inundado de quereres,
entre as coloridas flores, os espinhos que me
sangram a alma farta e transitam aprazerados
entre minha pele e músculos.
Viver é arder em desejos, e os impulsos não
fazem invioláveis, nem santificam pecadores.
Há um céu fora de mim que me move como
as nuvens, mas, há um céu em meu interior
que me faz voar em solo onírico, e leva-me à
terra dos poetas insaciáveis.
O que de mim brota é profuso, abundante,
exuberante, incontrolavelmente copioso.
Renovo-me em teu sorriso, por ti não morro,
porque em graça e vida eu em ti me animo.
Em teus viçosos caminhos meus pés seguem
descalços, não há prudência quando já se
sangra em vivo ventre por entre castas arestas...
...perdida e sôfrega em teu paraíso.
Visto-me de vento, aragem morna dos que
votam afeto imensurável... teço percursos
ínvios, posto que para amor não existem
perfeitos caminhos...