LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




25 de abril de 2011

INSÓLITO (Cacau Loureiro)


No instante em que mergulho em teus olhos eu

viajo para além do horizonte ignoto do teu olhar...

Não há destino certo para quem imerge extasiado!...

Não posso negar-me este sortilégio, ternura, paixão,

amor...

Meu peito singra o teu mar na descoberta maior do ser,

amar...

Eu quero esta viagem insólita nos rumos do teu apreço

tesouro maior do existir, encontrar-se em teu abraço.

Há uma pérola rara em tuas profundezas, e eu quero ser

ponte sobre o teu amplo oceano de belezas.

Ligar-me ao céu através do teu arco-íris singular, fanal

que me aponta tuas doces provisões em luz de mar a mar.

DEVOÇÃO (Cacau Loureiro)

Há um verbo criador vibrando no universo,
há cânticos louvando Aquele que nos tocou
o coração com amor.
Ah! Em graça está aquele que ouve a palavra
suave dos fraternos laços!...
No horizonte o sol eterno a brilhar insistente
nos corações dos homens é cinzel a marcar
Suas palavras em nossos âmagos, a penetrar
em seus espíritos incultos com vigor...
Quando abriremos nossos chacras ao divino?!...
Todo irmão é para ser amado, quem ousa dizer
dos caminhos errados quando o Cristo ressuscitado
elevou-se com as chagas dos homens, limpou-nos
com o sangue do Eterno?!
Quem de vós hoje tem direito ao céu, de adornar
os altares?
O mestre amado escreveu na areia só para os que
tem olhos de ver, lavou-nos os pés com sua humildade,
ofereceu-nos a dádiva de sua santidade.
Quantos de nós usaremos de nossa alegria para com
os fatigados?!
Há um modo diferente de olharmo-nos no espelho,
a consciência deveria ser o grande espelho do mundo.
A tua porta como a minha também é estreita, já
passastes um camelo pelo fundo de uma agulha?!
Abra o teu cobertor e amplie teus olhos, orai, vigiai,
instruí-vos, pois que bem aventurados os humildes
porquanto “fora da caridade não há salvação.”

23 de abril de 2011

À FLOR DA PELE (Cacau Loureiro)

Raro cravo a aflorar minhas fantasias...
Eu desnudo-te em verso e prosa, todas
as rimas.. retira-me o véu, mostra-me
o teu céu... ah! Tudo que me escondes
em baixo ventre, em bom alvitre.
Lábios, pétalas em sincronia, lâminas que
me cortam tez e vulva.
Paixão voraz que me envolve terna e
lúbrica, deixa-me à flor da pele.
Vem com teu canto e faz sinfonia em
meus ouvidos, faz pulsar meu coração...
Rara flor em manhãs tão coloridas,
revela-me em teu verbo, verso e prosa
porque palavra sou em tua poesia!...


19 de abril de 2011

REGALO (Cacau Loureiro)


Existe em ti uma trilha de sol, feixe luminoso a

toldar meu afeto e que cintila continuamente

em meu afetado coração.

A palavra que em ti encerra-se, chama-se bálsamo,

pois que és unguento sobre minha corrida vida,

assim como pura vida corre em ti!...

Mais fáceis são os rumos da ternura, não há

humana força que a cesse, posto que contagiosos

os laços feitos no eterno tempo que nos foge

das mãos como as horas.

Contudo, meus pensamentos correm, passam

na tela de encantado mundo como fita colorida

na dança das emoções...

Há um cântico de paz em teus lábios, há um

hino de amor em teus gestos, há louvores de

esperança em teus olhos.

Não há como suster a força que promana do

teu farto espírito, porque há em tua mansidão

as cifras da concórdia... quietude, repouso.

Em meu acelerado ventre só o teu cordial ser

faz-me perceber o vento, faz-me olhar para o céu.

No páramo que em ti diviso a lua é sempre cheia,

excelsa, bonita, prata rara num mundo de desvalor.

Para além do teu horizonte singular meu mar

segue argentado em força e graça preciosas.

Caminhos de margaridas florescem, quadrantes

de belezas sem par eu vislumbro.

Contigo... desconheço a solidão...

15 de abril de 2011

VENTURA (Cacau Loureiro)


No mundo em que tu habitas eu sempre

vejo flores... e enquanto houver flores a

permear corações como o teu, o mundo

haverá de ser colorido!...

Ah, estes jardins por onde plantas a tua

liberdade e a tua graça em livre ser, belos

são assim como são doces os frutos que

brotam de tua inigualável florada, sementes

do bem que alimentam o coração dos elementares.

A tua beleza está na singeleza ao ver a vida,

em brincar como criança nos quintais em

primavera; o teu sorriso, aquarela que descerra

olhos de esperança...

Em meio as tuas cores eu pinto o meu caminho

em traços expressivos de contentamento.

A vida contigo é graça, leveza, aroma de lavanda,

cheiro de chuva na batida terra a adornarem meus

dias de ventura...

8 de abril de 2011

ANTROPOFAGIA MODERNA (Cacau Loureiro)


Os homens continuam cantando as suas canções...
Nenhuma comoção poderá esmaecer as dores dos
que perderam seus filhos de forma injusta e indigna.
Quantos doentes da mente professam um Deus
mentiroso, num fanatismo fatal que jamais permitirá
saber-se o que é o amor e a tolerância.
Matam-se todos os dias os diferentes porque estão
no alvo do egoísmo e do orgulho mesquinho de
seres que se fecharam em seus conceitos retilíneos,
nos seus falsos moralismos, porque verdadeiramente
a diferença será a mudança.
Onde os olhos não veem e os corações não sentem,
não há santidade, quiçá salvação.
O que será impuro neste mundo vão?!
O Grande Mestre nos disse que o que é impuro não
entra pela boca, mas dela sai.
É preciso que os grandes homens, que não são os
poderosos de nossa terra, assumam um compromisso
com a vida.
Despida das lágrimas, pois que as minhas nada valem
diante de quem teve a perda irreparável de um filho
que jamais voltará a sorrir em suas vidas.
Não há choro que lave suas almas, não há luto que encubra
em seus espíritos a indecência que é a violência entre
os iguais.
Homens hipócritas, canibalismo selvagem!...

6 de abril de 2011

PRÓDIGO (Cacau Loureiro)


O vento frio que bate à minha porta não

traduz a minha alma em constante erupção ...

O meu peito, a minha alma, o meu coração

coloridos por teus olhos, fazem-me traçar

caminhos de aedo, assim, em tua cítara

eu ouço as mais belas canções.
Trago nos dedos o teu raro dom, amar,
e misturo-me à tua essência
rara, amor.
Em teus adocicados aromas eu sintetizo os

sabores de todas as cores que permeiam

este mundo vão, desse modo edifico as

belas artes, porquanto, viver.

Das ervas benignas cultivadas nos campos

de tua beleza sem par sou humilde cultivador

de sonhos, posto que tuas sementes benéficas

enfeitam meus dias , enobrecendo a árvore

da minha vida .
Sacia-me pois com teu fruto saboroso,

pois quero ainda ao sabor dos ventos

colher açucaradas promessas ao lado teu.
Meu peito imensamente amante refaz-se em

graça, porque tu és benção em meu traço belicoso.
Contigo eu revivo em paz e , em verso e prosa,

em silêncio e luz .
Em tua poesia que me consome e estimula
eu quero respirar e inspirar-me em teus odores.
Em teus gestos delicados e sutis eu tento

apreender tua afabilidade; em tua singular
brandura eu aprendo a cultivar a ternura que

tu sabes exercitar.
Dá-me teu fruto de singular sabor, a iguaria

invulgar que os pacientes conquistam e
que satisfaz o mais exigente paladar;
dá-me sob tua sombra, o sabor aprazível e

incomum do teu prodigioso amor!...

4 de abril de 2011

FOGO MORTO (Cacau Loureiro)

Há nesta tarde um tênue sol a adentrar
minha janela...
O que será capaz de aquecer meu coração?...
Neste mundo de sonâmbulos só o amor
dormita.
Não há olhos capazes de ver o milagre da
vida;
Não há ouvidos aptos a ouvirem o som
do coração.
Há flores abandonadas no jardim dos
seres sós, fato é que a solidão é opção
dos frustrados e egoístas.
O caminho dos altruístas é como veleiro
no mar, não deixa rastros, e no entanto,
indelével a sua marca.
A minha história eu teço a cinzel, a ferro e
fogo, e todo aquele que veio a este mundo
a passeio, é fogo morto.

1 de abril de 2011

ALUMBRAMENTO (Cacau Loureiro)

Brisa fresca que me trouxe o mais suave

perfume de rara flor cultivada em azeites...

Puro encanto espalhado em gomos, em

pétalas de bem-me-queres.

Branca nuvem a embeber meus olhos de

ternura, meu coração de saudades...

Fresca manhã a despertar-me para a vida,

novedio fruto a esboçar-me novos sabores.

Meu coração abundante está em afeto que

sobeja e esbanja-se para além do que posso

crer, pois que já não mais me pertence.

A fonte do meu maior querer são teus olhos,

a água da minha mais ardente sede está em

teu oásis de lenidade.

Como refrear está força que me impulsiona

aos teus afetos, aos teus cantos de dulçor?

Ah! Estes meus dias radiosos de ti transformaram

o meu riso, estancaram o meu pranto.

O teu nome para mim é sol, deleite, primavera,

alumbramento!...