LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




20 de fevereiro de 2011

CALIGINOSO (Cacau Loureiro)


Mil verões adormecem em meu peito...

Pois que um vento forte invadiu minha estação

quente, e doravante sigo o caminho morno de

quem espera.

Nuvens ajuntam-se tenebrosas prometendo

temporais que varrerão o tempo passado, porque

só a vida me é presente.

A marcha das represadas lágrimas não há como

conter, então, eu deixo vazar as angústias,

professo em outras esferas.

Caminhos de pedras movem-se ante as águas,

não há o que permaneça incólume perante

a força da mudança iminente.

Meus versos propagam-se em silêncios

dolorosos, ecoam em noites solitárias, não

têm rima, e, no entanto, melancolicamente

ritmados estão por vazias alvoradas.

Ante o tempo nada é permanente, assim

como nenhuma noite é eterna...

16 de fevereiro de 2011

SOMMELIER (Cacau Loureiro)


As frutas trazem acidez à minha
boca, na mesclagem das dores
vislumbro minha maturação.
Vejo-me aprendiz num mundo
onde professores são escassos,
aromas diversos na arte de viver.
Se todos partilhassem em espírito,
é cruel, mas o se não existe.
Para que adiar a magia do momento?
Como espuma branca ela pode se
diluir no ar.
Degusto a tristeza, a alegria, mas,
nada, nada impedirá que eu sorria.
Em vivaz embriaguez, tomo-te rosto,
mãos... lábios... tez...
Sinto o gosto do que jamais provei!
Mesolagem cutânea, sabor frutado
e furtado em acidez.
Meu corpo é bolha flutuante, o que
traz legitimidade ao meu coração.
Bebo-te em meu cálice na síndrome da minha libação.

6 de fevereiro de 2011

SOANTE (Cacau Loureiro)


Há um caminho florido para os que precisam de amor,
para os que sabem amar... Como o sol se levanta todos
os dias eu lanço sementes nos jardins dos homens
nus, na seara dos corações simples, no recôndito das
almas boas.
Quisera eu cantar esta canção que se forma agora em
meu peito, mas um dia eu a cantarei sem o peso do
passado, sem as lembranças que feriram, porque sei
que há sempre um sinal luminoso no ocaso das
despedidas que ilumina um novo amanhã para aquele
que dá o seu coração como dádiva.
Assim como asas, os sentimentos também voam
intentando o céu, este firmamento de todos nós feito
de orgulho e egoísmo. Mas, as pedras têm seu tempo
de passagem e de permanência no caminho.
Minha estrada é feita de lírios e de sons que só o
meu coração sabe perceber, quisera eu a partir de
agora repartir a sonata que me empolga e entusiasma
para a vida...
Que os sinos desta canção que me move hoje possam
acordar o coração de quem adormeceu ante as decepções
do mundo...

4 de fevereiro de 2011

JUSTIÇA, FOGO CONSUMIDOR (Cacau Loureiro)


Há no coração do ser humano a centelha da fé,
bem aventurado é aquele que crê sem precisar ver.
Contudo, a justiça do Homem estagnou-se, vendeu-se
por parcas moedas.
Onde estarão os verdadeiros homens de bem, pois
que não ouço mais suas vozes clamando pela
conformidade do que é direito?!
Os bons de coração enxergam, sabem que em breve
chegará o tempo da regeneração de todas as coisas.
Advirá pelas mãos do Justo o fogo consumidor e tornará
as coisas retas, os sentimentos puros, fará cair todas
as máscaras. Não há mais como assistir este espetáculo
de desmandos e corrupção.
Temos sido omissos, e isto hoje, talvez, seja o nosso
maior pecado capital. Por que nos falta a coragem
para pleitearmos sem medo o que nos é de direito e
correto?! Porque não confiamos. Façamos nós a
transformação do interior para o exterior.
Para mudarmos a trajetória de nossa espécie é
preciso coragem de reconhecer nossos erros, e isto
será nosso resgate do abismo de “nadas” que criamos,
do vazio torpe no qual vivemos. Estamos de passagem
e vivenciamos ferozmente o materialismo exacerbado
de todas as eras. Mudemos nossas rotas, façamos
nossas orações, mas que não nos falte a ação contundente
da mudança.
O Mestre amado jamais deixou de ser corajoso e
negamos mais vezes o Cristo que o próprio discípulo
temeroso, abandonamos o Mestre no Jardim das Oliveiras
tantas vezes, quem de Vós vigiará com Ele?!
Permaneçamos com a espada na bainha, visto que o
sacrificado pregou o amor sobre todas as coisas, pois,
queres coragem maior do que amar sobremaneira?!
Mas, que a justiça do Pai Maior seja nosso eterno fogo
consumidor, o mesmo que faz arder em nós a essência divina.