20 julho, 2011

PANDORA (Cacau Loureiro)

Em amansadas águas seguem os meus sonhos,
aspirações de uma humana alma com todo o
seu singular padecimento...
Há lágrimas passadas que não mais movem
moinhos, e há as águas novas, límpidas que
me dissipam os meandros do medo.
A paisagem desconhecida para onde sigo
faz-me mais forte, numa força sobre humana
que emerge e irrompe do âmago dos que por
demais amam, amaram...
Amaro e mel mesclam-se nos rumos das águas
agitadas do destino, dimensão dos viventes.
Lavo o rosto, limpo as mãos, mas reconheço
os tiranos, todos que me tiraram a paz...
Contudo, há mansidão em meu espírito porque
a força do meu caráter é inabalável, e só não me
permite a escravidão, as grades dos desalmados,
as correntes dos que se aprisionaram ao lago e ao
lodo do desprezo.
A vida é-me presente, jarro onde guardo raros dons,
é belíssima caixa de Pandora onde apreendi o amor
e libertei a esperança...

2 comentários:

  1. Que lindo...que bom que as amarguras e dissabores não te tiram o brilho e os dons. Sábios os que sabem guardar as boas coisas da vida num lugar especial!

    Kenia Araújo.

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