LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




30 de julho de 2010

FACE BELA (Cacau Loureiro)

Quando deparo com o teu singelo sorriso,
o mundo fica sossegado e mais bonito.
Com tua bela face a povoar meus instantes
eu retomo as sendas do sol... e descanso na
sombra amena das tuas mainas palavras.
Riacho doce a banhar-me em brandas águas,
a purificar minh’alma desvairada...
Ao teu lado, pacífico transforma-se o meu
caminho de pedras... as minhas lágrimas revoltas.
E eu persigo a pérola invulgar nas tuas profundezas
como um escafandrista extasiado ao vislumbrar
a tuas realeza... e eu bordejo em teu desmedido
mar de amor... em teu continente que eu pensara
perdido.
Participar deste mundo onírico é benesse, sortilégio,
donadio, e eu tenho tudo isto contigo!...
Meu amado, meu amante, minha lousa rara,
“Que o nosso amor pra sempre viva, minha dádiva.”

29 de julho de 2010

ALBATROZ (Cacau Loureiro)


Tentei achar palavras, construí-las em
meu mundo destrutivo, desvalido.
As implosões que me consomem a
alma, tornam-me explosiva, impulsiva,
temperamental...
Neste mundo onde o edificar seria o
natural.
Mas, a intolerância queda os seres,

inverte seus valores, prega a violência,
abjura a decência, origina horrores.
Observo o mundo em sua correria,
aí está a origem de toda a minha
rebeldia.
Movo em meus versos a terra, o céu
que habita os seres, o mundo que
mora em nós, o meu próprio coração.
Queria... em palavras construtivas,
compor uma canção, falar de alegrias,
acalmar os prantos do submundo,
adoçar tantas bocas já amargadas,
libertar tantos sentimentos tolhidos...
Abraço o tempo, rolo pelo espaço,
quero ter noção de quantos eu abraço.
Globos longínquos nesta imensidão
do universo latejam em meu pulso,
esclarecem o meu espírito tão obscuro.
Busco a aurora dos novos tempos, que
trará a luz da libertação interior, da
doação sem limites, do amor. Não
tenho medo nem receios em me expor.
Toco os meus centros vitais, busco o
equilíbrio que jamais tive... jamais.
Deixei um dia que roubassem a minha
paz, mas, na minha mente, ainda a meta,
firme e forte, não me deixa, não se desfaz.
Podem pensar que fui vencida, sub-rogada,
subjugada... mas, ainda está liberto o meu
espírito, que vibra, está vivo, latente, vital...
que o sinto tão rijo, tão forte que transpasso
os limites siderais.
Não mais cairei em negros abismos, pois
que hoje a minha alma se ergue e prossegue,
sublime, celestial...
Nos caminhos da vida, nos rumos dos mares,
não mais verei Leviatã, porque a força que me
move agora, é corajosa,é sã.
Deixarei o passado nas cinzas, onde a brisa o
levará ao sol, onde o orvalho o beberá com a lua.
Não sinto mais amargor em minha língua, tampouco,
azedume em meu peito, sou e estou refeita,

pronta para a luta.
Não edificarei mais sonhos vãos...
Que venham as flechas, que me sangrem os
braços, que me calem a voz, que me ofertem
a dor... pois, sou aço, sou fogo, sou laço forte,
vou rumo ao sul buscando o amor.

28 de julho de 2010

INSANA ORDEM (Cacau Loureiro)

À beira de trilhos sem fim, anjos caídos
seguem para lugar algum...
Por que olhamos e não os vemos?!
Apressados passamos ante a desesperança
que também nos habita.
Homens teus, oh Pai que seguem sem rumo,
abandonados pela pseudo ordem urbana social.
Jovens, quase crianças vivendo uma guerra onde
não sabem o que combatem, não reconhecem
sequer os seus iguais.
A fumaça a enegrecer seus olhos e suas sortes,
não há luz no fim da estrada... quiçá pensaremos
em futuro.
O pequeno fogo que consome tudo, tragando
toda felicidade e também o direito de florescerem.
Onde estarão os homens sãos que ora cegos não
divisam as estações perdidas, os becos onde se
enterram as almas vivas?!
Hoje os semimortos gritam mais que os insanos,
vejo zumbis como mecenas da humana miséria.
Homens tantos ao léu, não há céu para os viciados
da tristeza que sobressaltados permanecem nos
lúgubres recantos da cidade alerta.
Haverá céu para os investidores das desgraças,
para os investidos de poder, para os necessitados
de justiça?
Ah! Meninos, jamais saberão maturidade...
Ah! Meninas, jamais entenderão maternidade...
Existências suspensas como cavaletes eleitorais
representam a moderna crucificação dos mártires
pois, parede negra é a política brasileira, a carta
magna dos boçais.
Lealdade, segurança... Tateamos, nada achamos,
quando levantaremos os mortos que ocultamos?!
Sigamos como à dois mil anos, cegos, surdos,
absortos o calvário da omissão que nos assola.
Vielas, viadutos, barracos, esta é a tela morta
que pintamos.
Na animalidade em que vivemos, onde houver
túnel fechado, haverá mães chorando, corrupção
ativa e vidas expostas, suprimidas. Mas, ainda
velozes passamos, e lá bem ao fundo da poluição
visual que nos tornamos, eu leio:
“Amor, palavra que liberta!...”

22 de julho de 2010

VIRTUAL (Cacau Loureiro)


No silêncio as teclas gritam...
Não mais que o meu coração.
Fechar na tela do mundo o “xis”
da questão, não impede que a marcha
virtual dos homens prossiga.
Morrer?... Dormir?... Despertar!...
Dilacero botões descoloridos,
afasto-me das janelas, pois que
a banda já passou ao largo.
Nas praças as flores renascem
seguindo sempre a canção.
O mundo pulsa, a madrugada ferve
e o homem fenece em enredos irreais.
À noite nos labirintos da cidade a
carne sangra e os indiferentes sempre
estarão no lugar mais quente do inferno.
O universo paralelo vai impondo aos seres
a cinética superficial das humanas relações.
Ainda o meu espírito repousa na rede da
Via Láctea, pois é lá que se revigora dos
frios passantes da Terra.
Em minha esfera poética, onírica não há
lugar para os inertes, para os insensíveis.
Um cerne que não reage ao toque da vida,
ao chamamento legítimo da criação não
inspira, não palpita, não lapida e não percebe
que somente as preciosas almas movem
corajosamente o mundo real.

20 de julho de 2010

ASCA ( Cacau Loureiro)

Com a alma em prantos eu vou revendo a História...
Esqueléticos homens diante de espíritos incultos
curvam suas frontes, arquejam seus ombros
avançam para os campos sem volta.
Quem mais lavará as mãos?!
Na extensão da arena seguem a implorar pais,
amigos, mães, irmãos... até quando?!
Fumaça, cheiros, gemidos, a verdadeira bomba “H”
explodiu mais que terras, quarteis, estradas, ela
explodiu corações.
A humanidade segue incontinente como símbolo
da destruição e o seu tempo parou nas valas das
transformações inglórias, nas minas que não lhe
erguem tesouros, nas trincheiras que lhes rebaixaram
soldados, nas balas que lhes silenciaram os rebentos.
Quando o homem fará sua própria ressurreição,
emergirá dos escombros de sua podre ambição!?
Imagens passam velozes no vórtice do tempo,
homem caos, cães ferozes, algozes das etnias,
ases suicidas indomáveis, camicazes da mutilação.
Adeptos da falsa moeda, judas e vendilhões nos
templos ensanguentados do solo das religiões.
Mortíferos vagões instituindo com covardia a
nova ordem mundial das nações.
Cartas que nunca chegaram, outras tantas que
jamais foram lidas; castas, classes, segregação
levantadas como estandartes, insígnias de poder
e maldição.
Diferentes homens de indiferentes olhares, oh
Pai, o que será libertação?!
Corpos sobrepostos... bandeiras, rações, partidos,
morada de lobos guardiões, cova eterna dos lamentos.

Às águas passam sob moinhos, ainda há a chuva ácida
que não me lava o rosto, mas que me deforma a alma.
Toda noite abro o livro... que História contarei para
os meus filhos?!...
Gazes mortais, aviões, tanques, fogo de calcinações...
Dante, Dante, o teu inferno há muito está sob os céus!...

14 de julho de 2010

SENTENÇA (Cacau Loureiro)


Gostaria de dizer algo diferente
agora, mas, a saudade, a sede
da demora, fazem-me escrever
sobre o mesmo tema, a mesma
história...
Teço em vermelho meus versos,
pois são ardentes, abrasivos.
Escrevo em negro em meu livro,
pois estanque está a alegria,
ferido está meu coração.
Perigo! É o aviso que não leio,
posto que prefiro escrever com
os olhos da alma, com as mãos
do espírito. Eis a minha sentença...
Flagelo meus sentimentos e sei
que tolhê-los é preciso.
Bastou-me te ouvir, não me basta
te conhecer, porque quero amigo,
do fundo do meu peito, sentir-te.

12 de julho de 2010

PHOENIX (Cacau Loureiro)

Aprendi que nem sempre teremos o
amor que damos, e que mesmo assim
não desaprendemos o amar.
Só se comunica no amor aqueles
que aprenderam o que são os laços
dos afetos, pois quando o amor não
se infunde e não se sente na alma
como bálsamo regenerador, não há
como se abrir ao aprendizado do ser,
do estar para o outro.
A caminhada solo do amor já é maravilhosa,
belíssima canção transforma-se quando em
duo podemos caminhar.
Galgamos as altas esferas do sentimento
maior quando sabemos do sacrifício e do
despojamento que ele requer e não o tememos.
Estás preparado, armado, sagrado para a
batalha em que a alma e o corpo deverão ser
égide e broquel?
O coração de quem ama é uma águia, porque
plana altaneiro, porque mais longe vê, porque
mais a vida plena em amor lhe renova.
Recolho-me como fênix no mais alto cume,
entre poucas flores, entre muitas pedras,
pois descobri em meus longos voos que
um amor qualquer nunca me fez melhor...

9 de julho de 2010

VIRA-MUNDO (Cacau Loureiro)

O meu amor forte foi ferro e fogo,
inferno e céu foi a duetar na dança
da vida em meio aos lobos...
O meu brado ecoou como rara
sinfonia que nunca temeu a morte,
onde a tenacidade da minha verve nunca
imergiu no lago dos esquecimentos humanos...
Florescer em alegria ante as dores
do mundo, é ter genes de gigante,
é ser Davi a empunhar única arma
para vencer o inimigo, é estar sempre sozinho.
Feroz eu fui a defender-me, a defender-te
ante as muralhas dos preconceitos, ante os
teus muros de egoísmo...
Mas, o amor não veio para os frágeis, no
entanto, veio para os simples, pois que
para os sencientes somando-se um e um nunca
foi dois, porque para o amor só há um único caminho.
A adaga da verdade divide os rumos, levanta
os muros, apresenta os heróis da resistência e
patenteia ao mundo a lei de que não se pode viver
de insensatez, que não pode haver a pequenez de
sentimentos.
Um seio miúdo não comporta a grandeza do
amor pleno, não suporta a forja em que são
temperadas as índoles dos cunhados a ouro
para o maior laureamento, amar...
Coroa e espada eu trago em punho, em
meu manto acolho e guardo os meus raros
diamantes... num mundo escasso de cavalheiros
eu sou revel, obstinado, um vira-mundo errante!....

7 de julho de 2010

QUIXOTESCO (Cacau Loureiro)

Expor visceralmente o amor é para os fortes.
Ah! Estes modernos Quixotes!...
Mas, ainda há aqueles que sabem e fingem
não saber.
A ferida aberta, o seio que clama... como estes
sinais não reconhecer?!
A ignorância da alma torna-nos bárbaros,
cavaleiros andantes da inoperância.
No espelho em que nos olhamos mentimo-nos,
matamos sonhos, estagnamos esperanças.
Moucos para o grito diário de nosso âmago,
próximos sempre da invigilância.
Esconder-se da vida é covardia, sufocar o
amor que flui do outro, insanidade.
Há os seres que dormitam para a existência e
jamais saberão felicidade!...

5 de julho de 2010

RESSURREIÇÃO (Cacau Loureiro)

Minha obliterada essência almeja a ressurreição!...
Há lágrimas em meu rosto sulcando-o em
pranto universal... avisto paragens distantes
entre a cortina nevoenta que se encerra em meu caminho.
Vãs foram muitas das minhas lutas... infames batalhas.
Séquitos escabrosos estagnaram os meus passos,
estancaram meu voo libertário em vaidades e
narcisismos hediondos.
Meu espírito ainda combalido busca a cura
para as feridas sangrentas que me rasgam
as esperanças em mil pedaços.
A vingança acena em minha fronte, assinala
a vil inclemência de um peito agudamente ferido.
Afogo as palavras ensandecidas e ferinas para
que elas não tomem minha alma delirante.
Os meus dias são duros ensinamentos e
transcorrem devagar no afã de coisas mortas e
fugidias. Vãos caminhos que se vão pelas sendas da
memória... pelos trilhos das estações intermináveis e
intermitentes... eu vibro em rebeldia entre dentes.
Meus olhos não mais querem ver, meus ouvidos
não mais querem ouvir... não há princípios nem ditames.
É o fim! São os cânticos que reverberam em minha cabeça!
Ando a esmo por entre os escombros humanos,
tentando resgatar almas semimortas, semi-inteiras.
O cansaço é açoite, pesado fardo a curvar-me o cerne
irascível, empedernido... a dor lacera a minha têmpera
corajosa e justiceira.
Minhas mãos doem ... é aguda a flecha que penetra
minha carne quente, conturbada.
Ponho-me de joelhos ao léu, sou tudo e nada diante
do excelso Criador: perdoe por favor reles criatura
cambiante, desesperada!...
A chuva cai abundante em campo árido, o horizonte
relampeja em novas bênçãos... oro aos céus humildemente,
dou-me em corpo e alma ao divino eterno e imortal.
É doce a canção que vem no vento da equidade,
soprando em minha boca toda virtude,
penetra-me quinta-essência de santidade.
O perdão brota como semente sã e de benignidade,
minha gema em santificadas mãos se revigora.
Em teu manto, oh Supremo de amor e bondade!...
Sou recomeço, renascente luz em tua imensurável piedade!