LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




30 de junho de 2010

OUTONO MORTO (Cacau Loureiro)


Nestas horas que alongo os meus dias frios
eu aqueço o esquecimento...
O vento passa gélido e veloz através das
folhagens de um outono morto num beijo de

morte em futuro fruto maturado em vão.
As mórbidas estações fendem o destino das almas,
alteram as rotas das marés e os rumos dos trilhos.
O sol que sempre brilhara no fim da estrada,
apagou-se; não há apogeu para sentimentos parcos,

para os frágeis laços tecidos em indiferença.
Vestígios de belos gestos dissolveram-se na areia
movediça das insanidades, sucumbiram ante as
águas fartas dos extraviados amores.
Faltou dizer, faltou fazer, faltou sentir, faltou saber,
faltou olhar e perceber que um seio egoísta adoece e

morre...
Há partículas de homens suspensas no vento, num
tempo que lhes despiu do amor em um mundo perdido
em outono morto!...

22 de junho de 2010

SALMO VIGÉSIMO QUARTO (Cacau Loureiro)


Grandioso Pai, Senhor construtor deste maravilhoso
universo, corrige-nos nossos corações magoados,
aviltados pela miséria do espírito humano.
Que Tu possas trabalhar em nossos âmagos a tolerância,
mas, jamais nos permita a omissão e livre-nos da avareza
dos afetos.
Que em Teu nome poderoso, Tu possas direcionar-nos para
o caminho do bem, para a confraternização com nossos
irmãos de jornada, filhos teus, no solo do entusiasmo incessante.
Que o teu amor possa achar morada em nosso íntimo, e que amar
seja a verdadeira guerra a travarmos.
Dirijo a Ti, oh Pai, a minha prece porque só em Ti a minha
confiança. Somos errantes neste mundo, mais das vezes mal
agradecidos, pois nosso entendimento está aquém de tuas
eternas leis. Contudo, rogo-te que diante das dificuldades
e angústias possamos crescer em aprendizado.
O teu sopro Amantíssimo, quando te abrimos os nossos
corações em sinceridade é como bálsamo a cicatrizar nossas
feridas crônicas, pois que a raça humana fere e transgride.
Agradecemos-te oh Eterno, pelos missionários teus neste
mundo de horrores, porquanto, testemunhando-os reedificamos
a esperança.
Oferecemos-te Digníssimo, os nossos espíritos alquebrados
para que neles possa edificar a fé que redime e que consola.
Em tuas mãos nossas dores cessam, ante tuas leis os homens
passam, não tememos os bípedes embrutecidos, tampouco as bestas
humanas, porque antes de pisarmos neste mundo vão conhecemos
a tua verdade, e só a tua verdade liberta-nos. Assim seja.

16 de junho de 2010

OUTONAL (Cacau Loureiro)


Num monumento
vislumbro a liberdade,
as asas que sequer
sonho em voar; o
cetim plúmbeo que
encobre a aurora
nova será breve,
como breves serão
nossas tristezas.
Perdidos estamos
em sonhos tantos...
estradas...
Por estes caminhos
que não possuem
sequer sinais, já é
outono... e por estes
lamaçais da vida, ainda
há flores brotando.


9 de junho de 2010

REVELAÇÃO (Cacau Loureiro)


Pessoas correm de um lado para outro, mas, o
chegar de um, será sempre o chegar de outros tantos.
Nesta vida estamos sempre partindo e a
circunferência do mundo nos dá esta categórica
lição... Nesta terra de ninguém não temos para
onde correr se não expandimos o espírito, este
é o verdadeiro voo da razão.
Homens fúteis, vazios de si mesmos traçam planos
de extraordinárias dimensões quando suas existências
finitas e efêmeras lhes demonstra a magnitude desta
força maior que move o mundo seja física, filosófica,
seja divina!
Não sou plantador de tristezas, sou espelho de
realidades, só se vê aquele que tem coragem para
se conhecer, arrancando máscaras que não permitem
o toque das almas, o verdadeiro insight da
transcendentalidade.
A crueza não está no mundo, está no homem que mata
a vida com sua frieza monstro, com sua fome de abutre.
Conhecer-se dói... E as criaturas tratam-se como estranhos,
pois que a superficialidade nos transformou em irracionais,
possibilitou o lidar fácil com o próximo que tão longe está.
Quando somos partidários não existe o convencimento,
não existem rupturas, não existem descobertas, sequer
existem transformações.
Porque conversão é para aquele que imerge em si mesmo
e reconhece em si próprio o outro!...

7 de junho de 2010

PRÍSTINO (Cacau Loureiro)


A noite desce fria sobre corpos nus
desmistificados, há um frio contínuo a
percorrer a espinha...
Já se passaram os dias de frissons, as
tardes tecidas apuradamente a quatro
mãos cálidas e lábios intumescidos.
A força fêmea que nos unia ao mais forte
amor estancou-se, desfigurou-se anômala.
Olhos injetados no moto-perpétuo não
mais trazem de volta o encantamento.
Não se ouve mais os carrilhões do futuro
ditando o compasso das alegrias, o balbuciar
das promessas silenciou na dobra do tempo.
Todos os decursos a romperem monótonos em
manhãs estáticas, todos os ocasos a estenderem-se
mórbidos em indiferentes amanhãs...
Hoje, o vigor que vem de dentro é arrancado
à fórceps num parto doloroso onde nasço
provecto todos os dias...

5 de junho de 2010

INDIVISA (Cacau Loureiro)


Quando ouvimos um chamado é, pois que
o preparo vem de longe...
Toda terra pobre precisa ser preparada para
o cultivo, posto que o fruto verdadeiramente
saboroso é aquele que colhemos em sua estação.
O que esperamos com paciência é mais doce...
Bonito é desabrochar para a vida em tempo de
ver as flores, em tempo de encarar o sol, em
tempo de sentir alma.
O amor e o sal do espírito e sábio é aquele
que sabe amar, porque tem a cura.
Rasgamos palavras, mas os afins se reconhecem
no silêncio, por isso fechei meus lábios quando
teus olhos sorriram. Porque quando chorares
beberei tuas lágrimas, porque quando me tocares
sorverei teu coração.
Nada pedirei a ti, pois que ao teu lado eu sou inteira...

1 de junho de 2010

ACORDE (Cacau Loureiro)


Descortinar o teu céu é exercício primoroso...
Como prever o que há de vir quando o presente
já é tão caprichoso?!
Então deito meus desejos aos teus pés de promissões...
O vento vem forte, rasa-me de alegria, o entusiasmo é a
mola que me arremessa ao teu juvenil bailado.
A música que vem de ti é singularmente melódica, mas,
ainda marcadamente melancólica, contudo, há um sol

maior a permear as nossas notas.
Deixemos as velhas canções silenciarem no passado,
o que há de ser será melodia de nós tão própria.
Contigo conjugo um novo verbo, em carne e em
espírito eu vou fazendo esta viagem cósmica.
O infinito que abarco nesta hora é bonito e promissor,
neste caminho de tantos itinerários eu vibro uma única
corda, aquela que em meu coração chama-se amor...