LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

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REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




27 de maio de 2010

PLÚMBEO (Cacau Loureiro)


Correm as paisagens em meu
coração estacionado...
Como pintar futuro colorido quando
o meu mundo é em preto e branco?
Há poeira e pó à beira da estrada,
caminhos dolorosos que sigo sem
pesares.
Pelo chão as folhas secas dos
enterrados frutos, sementes mortas
daquilo que deveria ser...
No céu cinza não há lua, não há sol,
apenas a estagnação dos sonhos,
somente o perfil das sombras.
Uma triste canção corta as fendas
das auroras, espaço por onde ordeno
a felicidade.
Esboço em papéis amarelados as tardes
que nalgum dia me fizeram forte.
Contudo, não há surpresa, não há espanto
quando o próprio amor foi o assombro.
Espectro de mim mesma eu desperto os
meus caídos anjos... Hoje eu quero voar,
mas, minhas asas são meus ombros!...

23 de maio de 2010

SALMO VIGÉSIMO TERCEIRO (Cacau Loureiro)


Para onde vão oh homens de mil faces?
Não vedes que todos já vos reconhecem?
Não há montanha que esconda as vossas impiedades,
não há mar que lave vossas injustiças!
Por que ainda caminham rentes às sombras, conquanto
sabemos que somente a luz liberta?
Por todos os lados há as fileiras dos bons e dos maus
lutando pelo e contra o poder que oprime, contudo, a
verdadeira libertação pertence àquele que emana toda
verdade.
Há os contendores e os defensores de falácias vazias,
dominadores de homens e escravos em suas próprias
celas de execrações.
Há os que usam do ferro para manejarem o gado rude,
mas, possuem as correntes que manietam seus próprios
pés e mãos e lhes obstrui o divino entendimento.
O Senhor dos Céus não criou escravos, não criou homens
senhores de homens, originou a criatura humana para
a felicidade plena.
Ouvirão oh, ambiciosos os chicotes ressoarem em toda parte,
verão a impiedade do vagão da vida estraçalhar-lhes os ossos,
sentirão o cheiro da morte em cada esquina que cruzarem até
cessarem com suas trilhas de destruição.
A água da purificação está nos olhos da criança que chora, está
na saliva doce do ancião que espera a permissão da palavra.
Oh, homens vós todos aborrecem a divindade com seus
discursos pomposos e suas posturas omissas.
Todo aquele que assiste ao espetáculo e se cala será chamado
a presença do Altíssimo e terá de dar contas as responsabilidades
assumidas, as improbidades praticadas.
Até quando pensarão que o Grandioso desvia os olhos de vós?
Ele não adormece para as suas criaturas, eternamente vela
por seus filhos seja na ceifeira da vida seja na seara da morte.
O Grande Pai atesta as abominações dos tolos, e Ele sabe quem
são os lobos famintos, ele tem ciência dos gafanhotos que
proliferam a fome e a miséria.
Em suas provisões o Santíssimo repousa a salvação para quem
queira apresentar-se, o pão eterno só comerá aquele que purificar
as suas chagas.
Tudo o que puseste no mundo oh raça indigna é coisa efêmera,
por que matas e enganas pelo que não possuis?
Há dois mil anos o maior dos estandartes foi elevado no
Gólgota para que a sua santidade fosse espalhada eternamente
pelos ventos que até hoje sopram insistentes na fronte dos homens,
quando aplacarão todo o martírio pela real conversão?
Quando a voz do Salvador, que ainda ecoa através dos séculos,
falará aos vossos corações?!

19 de maio de 2010

CANZONE DEL CUORE (Cacau Loureiro)


Sobre a noite silenciosa eu repouso
minhas dores... Sob a luz fraca do
abajur só o som da caneta no papel
reacende minhas notas na esfera da vida,
só a pena tece com maestria as cifras das
canções primaveris que me fizeste ouvir.
Fitando através da janela a lua tão distante,
só a saudade faz-se próxima, mas eu ouço
a música das estrelas adentrar meus poros,
reavivando cada célula do meu corpo,
ritmando-me a alma para o descobrimento
do meu verdadeiro universo interior.
A inspiração dissonante faz brilhar a vésper
de novas manhãs, e ela cintila singularmente
em meu âmago esperançoso.
Há um sorriso novo em meus olhos, pois as
trilhas para o futuro são ditosas.
Na ciranda das cores os anelos da esperança
entrelaçados com esmero, ao mesmo tempo
alimentam e libertam-me.
Eu tranço os fios dos afetos sem ansiedades,
pois que o meu coração é vasto e benigno.
Na dança dos meus sentimentos o sol dá o
tom maior em minhas cordas paralelas,
em meu desmedido concerto de deleites.
O som do coração é aquele que tu tocas
ao meu ouvido quando o meu peito bate
em plena sinfonia de amor...

18 de maio de 2010

QUISERA (Cacau Loureiro)


Quisera eu entender o mundo, o absurdo de todos,
os meus passos oriundos de um nada aquém, de
um nada além.
Mas, eu acredito no que vem antes e no que virá depois.
Eu confio que não existe a morte, eu admito o amor sobre
todas as coisas e causas.

Mas ainda, eu quisera entender o absurdo do mundo,
a força tamanha que reside e resiste no coração das
pessoas, em mim...
Porque eu creio na força invisível das promessas,
dos sentimentos maiores, que habitam as entranhas
e vêm do Altíssimo...

Eu intuo a nobreza das almas aflitas...
Os conflitos incomensuráveis da alma humanóide,
na fraqueza da minha humana raça, entretanto...
Eu tenho fé naquilo que edifico todos os dias em meu peito,
em meus poros, em meus pensamentos, em minha efêmera
existência que me faz transcender minhas próprias forças
para te convencer que te AMO!...

14 de maio de 2010

RENASCENTE (Cacau Loureiro)


No celeste de minha alma, os meus sonhos são
asas maiores a singrar miríade de promessas.
E eu vislumbro dia-a-dia o horizonte infinito

do meu amor.
Meu vôo libertário, mas não liberto de ti, tece

lírico caminho pelas sendas da esperança.
E eu nada te nego, nem minha guerra, nem
minha paz!...
Pois que os sonhos imensos também
sangram o espírito, também calam as
palavras, também banham os olhos.
Contudo, eu prossigo ornamentando os

meus dias com tuas dádivas de afeto.
Meu maior amor, maior que eu sempre ao

teu dispor, é melhor que tudo que já vivi.
Dessa forma eu aprimoro o meu íntimo
para a vida que há de vir, que há de ser
contigo e para ti..
Assim, inspiro-me para galgar em entusiasmo
a tua grande essência que amaina minhas
noites turbadas... Todos os dias o teu
verbo afável, a tua cordial prece reacendem
a centelha divina em mim!...

13 de maio de 2010

VIBRAÇÃO (Cacau Loureiro)


A música vibra em minha alma e enche
de amor o meu coração.
Vem comigo, ouça esta canção; vem
comigo, façamos vibrar nossos corações.
Faço apologias poéticas, componho elegias
românticas, mas, o meu espírito não se
aquebranta. No vórtice do tempo ele não
estaciona, segue sempre pelo esmeril da
vida sendo burilado eternamente.
Os horizontes do mundo são meus lares,
o refulgente céu azul minha morada... meus
irmãos são todos os seres viventes.
Não há espaço suficiente no mundo para
mim quando estou sintonizada.
O sol não aquece mais que minha alma,
a chuva não inunda mais que o meu
sentimento, pois, na vida, o amor é o
meu intento... e sei, será feliz aquele
que souber se dar.
Como posso recusar toda esta herança
do Senhor dos Céus, do Criador?!
Sou humilde criatura neste mundo,
e sigo descortinando a essência da vida,
a ausência da morte, deixando para trás
destino, sorte... posto que a vida é uma só.
O princípio vital está em toda a natureza,
não mais somos pó, porque o homem nasce,
renasce e floresce em sua mais perpétua
beleza. Assim sigo os meus caminhos de
pedras, assim vou, pois que com a dor eu
refrego, mas, não me entrego.
E rumo adiante ao som das melodias do
mundo, alçando vôos maiores que minhas
próprias asas.

11 de maio de 2010

AFFECTUS (Cacau Loureiro)


Minhas letras transfiguram-se...
As tardes frescas do outono trazem-me
um novo alento.
A viagem do poeta segue por trilhos que
não tem fim, são estágios sem pedágios,
embora as belas flores avistadas da janela
tenham seus ácidos espinhos.
Mas, eu vejo estrelas nesta tarde que se
deita sobre a noite silenciosa e refaz-me
para sortidos caminhos de sonhos benfazejos.
Uma energia sem limites toma meus sentidos
todos, fulgurante aurora desenha-se no ocaso
dos meus dias, pousa sobre o meu pesar a sombra
amena para apaziguar meu peito irresoluto.
A vida é pressurosa para acorrer aos que sabem
amar, aos que se permitem o bem-querer, aos
que abrem suas lacunas para os alísios da bem
aventurança, do saber se dar.
O trem misto do destino segue adentrando outras
paisagens e eu as vejo com olhos que jamais vira...
Não me cala a voz interior, aspiro ares de moça
terra, da tenra vida que ora brota em mim.
Todos os cheiros do prado fresco incitam meus
impulsos para a dádiva que há de vir...
Nesta vida onde os paralelos não se encontram
eu fito os trilhos que para adiante se cruzam na
mesma direção... o mundo insiste em passar

veloz e eu estaciono lá onde o meu coração
baldeou-se enamorado!...

SÓ DÊ OUVIDOS A QUEM TE AMA (Pe Fábio de Melo)


Só dê ouvidos a quem te ama. Outras opiniões, se não fundamentadas no amor, podem representar perigo. Tem gente que vive dando palpite na vida dos outros. O faz porque não é capaz de viver bem a sua própria vida. É especialista em receitas mágicas de felicidade, de realização, mas quando precisa fazer a receita dar certo na sua própria história, fracassa.
Tem gente que gosta de fazer a vida alheia a pauta principal de seus assuntos. Tem solução para todos os problemas da humanidade, menos para os seus. Dá conselhos, propõe soluções, articula, multiplica, subtrai, faz de tudo para que o outro faça o que ele quer.
Só dê ouvidos a quem te ama, repito. Cuidado com as acusações de quem não te conhece. Não coloque sua atenção em frases que te acusam injustamente. Há muitos que vão feridos pela vida porque não souberam esquecer os insultos maldosos. Prenderam a atenção nas palavras agressivas e acreditaram no conteúdo mentiroso delas.
Há muitos que carregam o fardo permanente da irrealização porque não se tornaram capazes de esquecer a palavra maldita, o insulto agressor. Por isso repito: só dê ouvidos a quem te ama. Não se ocupe demais com as opiniões de pessoas estranhas. Só a cumplicidade e conhecimento mútuo pode autorizar alguém a dizer alguma coisa a respeito do outro.
Ando pensando no poder das palavras. Há palavras que bendizem, outras que maldizem. Descubro cada vez mais que Jesus era especialista em palavras benditas. Quero ser também. Além de bendizer com a palavra, Ele também era capaz de fazer esquecer a palavra que amaldiçoou. Evangelizar consiste em fazer o outro esquecer o que nele não presta, e que a palavra maldita insiste em lembrar.
Quero viver para fazer esquecer... Queira também. Nem sempre eu consigo, mas eu não desisto. Não desista também. Há mais beleza em construir que destruir.
Repito: só dê ouvidos a quem te ama. Tudo mais é palavra perdida, sem alvo e sem motivo santo.
Só mais uma coisa. Não te preocupes tanto com o que acham de ti. Quem geralmente acha não achou nem sabe ver a beleza dos avessos que nem sempre tu revelas.
O que te salva não é o que os outros andam achando, mas é o que Deus sabe a teu respeito.

3 de maio de 2010

NIILISMO (Cacau Loureiro)

O sonho de felicidade não se concretiza
no exterior do mundo, mas sim, no íntimo
de cada ser...
inspiração.
Perdem-se os laços de afeto no submundo
dos interesses materiais, quando o alimento
mais nutritivo nós condensamos na alma...
entusiasmo.
Preciso é que nos preparemos todos os
segundos para receber o nutriente maior
que nos é ofertado pela vida... amor.
Deposito minhas lágrimas para aqueles
que deixaram passar a oportunidade do
verdadeiro crescimento interior...
partilha.
Triste é no alto degrau da existência ver
pessoas voltarem ao primeiro passo,
engatinhar no chão das torpezas, ferir
as mãos e o coração pagando o preço
da omissão...
indiferença.
Recomeçar é preciso, eu sei, recuar jamais...
Esperança.
As folhas desse outono voam mortas,
nunca a humanidade esteve tão estéril,
nunca o homem em tão franco progresso
esteve tão ignóbil, é a idade da pedra em
pleno século da nanotecnologia...
decadência.
Todos os dias nos permitimos à derrota
num mundo onde o Criador nos fez para
a felicidade e para a vitória, porém,
derrotamos uns aos outros solenemente,
sem direito a defesa...
covardia.
Gladiadores sem causa, sem honra,
sem ética, sem moral, sem dignidade,
sem força e sem coragem para dar um
basta em sua própria autodestruição.
Demiurgos do caos, algozes da vida...
Homem... aniquilação.

2 de maio de 2010

ANGEL (Cacau Loureiro)

Esta minha vida que sigo sem pesares
transformou-se ao teu primeiro olhar...
Eu quero amanhecer em teus braços sem temores,
apenas no sincero desejo de ser e fazer feliz.
Não há como contemplar as estrelas sem teu
abraço acolhedor, sem os teus olhos de diamante.
Anjo meu, estrela do meu caminhar, flor dos meus
campos primevos vem ficar comigo hoje, sempre!...
Nas infinitas noites de ausência somente tu me
fazes companhia, somente tu preenches as minhas
horas sombrias, porque não mais sei viver sem ti,
sem a tua vivaz presença e alegria.
Com as tuas palavras sábias, com os teus gestos de
afeto tu me ensinas a amar o mundo e as pessoas,
só assim eu aprendo a ser e a dar o meu melhor
que há em mim.
Pois quero ser o que há de bom para ti em dedicação,
em partilha, em fraternidade.
No teu chacra iluminado, em tua aura clara eu quero
transformar o meu universo interior com amor e pelo amor.
Quero ser semente benigna germinando em toda parte.
Anjo de carinho, anjo de bondade que modificou a
minha existência pelos laços de ternura, raro ser que
o meu espírito cativou guia-me com os teus passos
firmes, com tua índole forte, não nos percamos à beira
do caminho
Ensina-me a querer, a doar doravante como eu nunca
soube... Hoje... sempre... eternamente... o meu amor.

1 de maio de 2010

LÍRICOS OLHARES (Cacau Loureiro)


Pouso sobre o mundo o meu olhar...
O tempo passou como ondas, como
nuvens que eu nem percebi.
Mas, eu escrevi poemas, as rimas da
vida que eu nem mesma vivi, posto
que seus versos para comigo não
foram tão perfeitos assim.
Minha arte de escrever nunca seguiu
linhas retas, por isto vislumbro o teu
semblante nas minhas pobres métricas,
pois que só a poesia é minha mola maior
e mestra.
Decantei singularmente o meu próprio
planeta, achei nele um pouco de cada
ser... afinal nós todos somos poetas!
Tantos anos idealizando, traçando planos,
caminhos que se plasmados nos levariam
à felicidade que sonhamos.
As rosas que plantei e ofertei, também me
deram espinhos nos quais fui ferida e
ainda muito ferirei.
Atalhos mil, falsas trilhas, trilhos sem fim,
nesta viagem encantada aonde vou veloz...
chegarei!...
Neste contexto onde misturo o que vejo
ao meu pranto, sei que ainda somos
capazes de lançarmos ao mundo nossos
mais líricos olhares humanos.