LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

Seguidores

REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




30 de abril de 2010

SALMO VIGÉSIMO SEGUNDO (Cacau Loureiro)


Resguarda-me oh, Pai daqueles que porventura
ameacem a minha paz. Poupa-me daqueles que
na mansidão da fala tecem a discórdia entre os meus.
Lance a tua soberana luz sobre a face do farsante
para que todos possam conhecê-lo.
Ponha-me Deus meu sob a tua proteção para
que eu não perca de vista o verdadeiro objetivo
para com o dom da vida que me deste.
Que o fruto que me permitiste colher, possa ser
saboreado com humildade e sabedoria.
Fazei oh, Pai que os justos levantem-se para evitar
o mal que espreita o teu plano de caridade e amor.
Apartai com a tua vara os filisteus da ganância e da
corrupção. Posto que, os olhos do adverso vigiam os
contentes em tua graça, valei-nos Santíssimo com a
tua proteção e honra para os desviar de nossos
caminhos elevados.
À boca pequena os injustos professam e planejam
para envergonhar teus filhos dignos, repele-os com
tuas mãos dessa nossa empreitada para que a tua
paz seja edificada com louvor.
Senhor, marca a minha casa com o teu penhor de
misericórdia para que nela floresça homens de
bem e distinção.
Nunca me omiti da responsabilidade que me
deste oh, Altíssimo, valha-me, pois, com o
teu manto de justiça e de verdade.
O maléfico arquiteta suas tocaias com requinte,
mas os teus olhos, oh Santo, serão meus guias em
qualquer serviço em teu nome.
Sei que a tua espada oh, Bondoso é ágil e afiada,
cortai então, inapelavelmente, o mal pela raiz.
Todos os dias eu renovo a minha coragem pelo teu
Santo nome, porque só tu és força e poder.
A minha glória não será minha, será a Ti ofertada,
pois que o teu escudo protege o meu coração
das amarguras, do ódio e da vingança.
Jamais perdi a fé em tua magnitude oh, Eterno,
pois que humilde não é aquele que tão somente se
ajoelha, mas o que curva o espírito à tua soberana
vontade.
Bendito seja o teu nome oh, Supremo, que purifica,
redime e transforma o infame. Amém.

27 de abril de 2010

VIRIDANTE


Mergulho fundo em teu aprendiz
universo, com a mesma fascinação
de quem abre um peito pródigo.
Em minha presciência poética eu
já supunha tua tenra e profusa
germinação virente.
Nas multicoloridas flores do teu
encantado jardim, eu ponteio os
meus dias de dourado. Já que
ensolarados são teus olhos em mim!...
Não há recato para viver a vida para
a qual me chamas, pois a ponte que
nos une transcende todos os aspectos
que envolvem coração e corpo.
A minha maravilhada alma, a tua alma
maravilhosa, levam-me ao teu condão
de entusiasmo imaculado, impermisto.
Não há o que apreender quando só o amor
edifica, só ele é capaz de transpor utopias,
preconceitos e todas as vãs filosofias.
Em meu dom clarividente o teu mundo
descerra-se... singelo, amante, corajoso,
Forte!

PERCURSO (Cacau Loureiro)


Sou eterna porque sou poeta, porque
o tempo é minha égide imortal.
As asas do autoconhecimento jamais
serão cerceadas pelos carcereiros do
mundo, tampouco, pelos traidores
da terra.
Eu não somatizo assombros... Eu
experimento alumbramentos.
Eu toco com a alma outras almas
tantas, pois que a palavra deu-me
o paraíso dos afetos e já não preciso
morrer para saber além desta vida.
A morte é uma quimera que não
me causa temor. Eu vejo com os
olhos do espírito e possuo a vida
em profusão.
Eu fito os olhos dos homens e conheço
seus segredos, porquanto os seus atos
materializam seus paleios.
Não há decepções permanentes, nem
mórbidas depressões, pois que todo

o poder humano é transitório e nós
somos meros passantes. O caminho

dos errantes na história fica para trás,
não altera a marcha do mundo, não
movimenta as pernas das eras.
Eu enxergo além da natureza humana,
pressinto bem mais que os seus atos
insanos.
Os ventos fortes que demarcam os
caminhos carregam as nuvens sombrias
para os vales desertos das pátrias
imateriais, morrem-me sem espanto.
Meus passos já não mais estacionam,
o verbo é o meu eixo e apoio, ah, os
cretinos da estrada não mais me
alteram a essência, não pesam mais
em meu bojo, são bagagens deixadas
nos trilhos do esquecimento...
E eu ainda vejo o céu azul sobre minha
testa, tenho o sol guiando os meus passos
e a chuva lava-me os medos.
Os carrascos cortam pescoços, e com isso
eles decepam suas próprias cabeças.
A obscuridade dos bosques reacende
a vontade indômita, o impulso descomunal
que me faz seguir adiante!...
Ouço música no alvorecer e alço vôo em
asas perfeitas, sobrevoo a eternidade, vou

de encontro a outro arrebol.
O meu futuro é logo ali, pois que ninguém
mais me detém a jornada. O progresso é

mais que esperança, para mim é verdade
sólida, para os covardes talvez seja insólita.
As causas dignas perduram altaneiras
e seguem os seus cursos provectos,
enquanto os hipócritas criam mofo com
vagareza.
O rio que represo é de águas abundantes,
cristalinas de manancial incomensurável,
correm em meio a natureza.
Amanheço como os pássaros, abro as
janelas do espírito, aspiro o mundo, porque
o mundo cabe em mim...

Todos os dias eu descubro maravilhada que
a vida é maravilhosa!...

26 de abril de 2010

ANTAGONIA POÉTICA (Cacau Loureiro)


As feras famintas estão às soltas, ideologias reles
disfarçadas em transcendentes revelações, sonhos
sinistros pelas mãos da malta fatídica.
Na rotina dos mascarados sidéricos, a dança das
vaidades na ciranda das palavras em servis antologias.
Virtuais negociatas por baixo das escrivaninhas geram
dissensões entre os líricos numa sincronia funesta.
Os quadrúpedes que me perdoem, mas os falsos letristas
regurgitam hipocrisias entre parcas notas de Real.
O inferno como as igrejas estão cheios de boas intenções,
projetos mirabolantes a emanarem o cheiro fétido das
falsídias, lesa ilusão. Maltrapilhas inspirações...
Os bardos de hoje não são mais os mesmos de outrora,
velhos babões e chistosos Dom Juan’s travestidos de
boêmios exalam o mal cheiro das frívolas idéias legitimando
as traições.
Ah! Aedos dos tristes versos, das mendigas rimas não

versejam os prantos, porque não valem uma lágrima sentida,
ridículos fanfarrões fadados ao anonimato!
Quem dera se lhes restasse um pouco da digna poesia,
mas a mente fria e os calculados atos tecem os absurdos
sonetos; mas a alvorada há de lhes carcomer os ossos,
pois quem usa o parnaso como boi de piranha, como
mulher da vida, não é digno das ruelas, tampouco das
desérticas esquinas.
Não cito aqui os grandes nomes do patriótico romanceiro,
posto que estes edificaram a Flor do Lácio, e não há que se
misturar o sangue dos honrados com o vômito dos embusteiros.
Na sociedade dos poetas rotos a palavra veste andrajos,
pede esmolas, morre de tédio.
Neste mundo de historietas onde vivem tantos José’s e
moram tantas Maria’s a métrica pede socorro, os bêbedos
escondem as garrafas, os zumbis tapam os bolsos, o crime
é cousa barata.
Aquele que não dignifica as artes não sonha, que dirá profecia,
jamais será venerável nas cadeiras das vizinhas, nos banquinhos dos parquinhos ou mesmo nos canteiros das pracinhas.
Feras famintas farejam as feridas abertas, sugam o pus dos
corrompidos, escarram no chão das estrelas, zombam da lua
mansa, têm sede de sangue e de louros, matam pelas insígnias.
Bestas travestidas de poetas, disfarçadas de Romeu’s,

à mesa dos imbecis, comem goiabada com queijo nas abas de
otários que usam bengalas e chapéus.
Os antigos trovadores tragavam cachimbos aromáticos,
hoje os plebeus da poética palitam os dentes amarelados
às portas de qualquer boteco.

Dantes o boêmio era ético, refinado, tampouco, era omisso,
muito menos resignado.
Ah, poeta jocoso, um tanto quanto presunçoso, até mesmo
asqueroso, imprime um texto chulo e diz-se o escriba
do amor, o comandante das artes. O namorado das musas,
o pulha apaixonado.
Hoje, a tropa dos poetas da mula ruça cavalgam
como porcos aos precipícios das telas, invadem as
terras alheias, poluem as ondas românticas, matam
as belas sereias, queimam as divindades eternas,
enterram o lirismo na lama, e nisto não são comedidos!
Os trovadores deslumbrados enfeitam suas próprias
lapelas com os seus desbotados retratos.
Os infiltrados da escrita vestem tantas camisas!...
Os borra-papéis decerto almejam os aplausos, também
a fita amarela, pleiteiam o choro e as velas, desejam
comer as donzelas.
Os poetas enganadores não se importam com plágios,
nem fingem sentir as dores, são eles os clones prodígios
que propagam a falsa poesia e alastram a partidária
idolatria aos santos de pau oco com inspiração quase broxa.
O covil está abarrotado de bestas feras, Orfeu’s loucos a
saírem pelo ladrão dos subterrâneos do mundo, muitos saem,
outros ficam, tantos entram porque a demanda é grande e
a permuta necessária.
Ah! Pseudopoetas! Psicopatas venais que na agonia da
ganância aspiram à ode virtual, praticam suas mazelas,
inflingem suas barbáries e covardemente promovem a
“antagonia poética”.

21 de abril de 2010

ESTRO (Cacau Loureiro)


Procuro ponderar... impossível!
Perdi a conta da profusão de pétalas que
jogaste aos meus pés.
No meu peito ofegante, na minha alma
errante da saudade arrasto as correntes.
A inspiração que me fascina é lírica,
elegíaca, apaixonante, lúbrica.
Como não suprir a sofreguidão?
Como não suster a lamentação?
Eu vôo como pomba branca entre os sinos
e os cimos dos enlevos, dos relevos da tua
longínqua cidade natal; por sobre os teus
campos abertos, por sobre os teus rios doces,
eu cruzo a tua riqueza, espontânea, natural.
Não mais te vejo como tu te vês em teu espelho...
as nossas rimas rosas, o meu sangue quente,
as nossas auras gêmeas, o meu desejo vermelho.
Tudo me atrai em tua lira, a tua matreira alegria,
a tua esbelta figura, a tua persuasão frontal,
objetiva, segura.
Procuro ponderar... impossível!
Perdi a conta da abundância de frissons
que me perpassam a espinha!...

SALMO VIGÉSIMO PRIMEIRO (Cacau Loureiro)


Poderosíssimo Deus. Sei que a justiça que vem do alto
não falha. Sei que tu és o Deus que levanta e que também
abate. Valei-me, pois sei que o tempo do inimigo que se
exalta está findando-se.
Ciente estou que quem prospera tem que se preparar para

a batalha, guarda-me pois, no teu poder.
Vede oh, amado Pai que o egoísmo e a soberba alastram-se

como cipreste sobre as lápides da santa terra.
Há muito que vês eu levantar as torres de vigilância
pelo deserto para mostrar ao falto que Tu estás comigo
como a maior das sentinelas.
Permita-me que os teus anjos de guerra e os teus anjos
de poder instalem-se dentro dos meus portões e encham
o meu povo de coragem e vigor para enfrentar as contendas
engendradas pelas facções do mal.
Sei Digníssimo que quem se instrui através dos teus profetas
tem a vitória como garantia.
Grande Pai, eu deito o meu esforço aos teus pés, porque
meus rebanhos estão nos vales e tantos outros estão nos
montes graças à tua direção e pastoreio, portanto, não temo
a derrocada, estando a teu serviço cresço perante os homens
e isto atrai os maledicentes e malfeitores.
Diante do teu sagrado templo eu apascento o meu coração
e sossego o meu espírito; aspiro os teus incensos e purifico
os meus pensamentos, santifico-me em teu altar, porque sou
com presteza um humilde pescador no teu imenso mar bonançoso.
A ti dou graças Senhor, posto que mesmo de longe as minhas
vistas flagram o movimento do ladino e o meu coração não se
envenenou com a tirania, nem com a torpeza dos astuciosos.
O meu caminho nunca se desvirtuou na trilha incerta dos homens
decaídos.
Graças a Ti eu dou porque o tempo da depuração se aproxima
e os falaciosos terão que arrancar suas línguas e cobrir os seus
corpos por conta da vergonha e serão levados ao leprosário para
esconder as suas máculas.
E graças dou-te pois que me resguardo sob o teu poder e glória.
Amém.

20 de abril de 2010

RÉQUIEM (Cacau Loureiro)


Não há paz em meu imo, no entanto, a
chuva lá fora encomenda um nobre hino...
miserere nobis,( tende piedade de nós).
Vozes ecoam em meu íntimo, todavia,
discursos não mais me comovem;
na roda do mundo, nas engrenagens da
vida, poucas coisas para frente se movem.
Meu espírito atirado, indisciplinado,
suspenso no espaço, recusa-se a mais
esta viagem profunda e fatigante.
Abjuro por instantes: Crer ou não crer?...
Partilhar o quê? Com quem? Para quê?
Vocações no meu ser represadas, há a
repugnância diante da perfídia que
sabota todos os atos de consciência, dá-lhes
misericórdia divina!...
Meus olhos de ver agora embotados, os
meus versos recolhidos, mas ainda minhas
mãos limpas. Enganam-se àqueles que acham
que me atraiçoam com mentiras!
Desta batalha bati em retirada, mas não
posso retroagir quando minha gema já
evoluída, experimentada sabe sobre todos
os fins escusos, das tentativas malogradas...
Por estradas sem canteiros locomovo-me,
não há flores no caminho, o ar seco esgota-me
as lágrimas, ressecam sementes em uma alma
há muito aprimorada. Lavro minha essência e
refreio o orgulho, insisto em banir o egoísmo;
neste mundo aviltado, maltratado pelo absurdo
dos seres, eu para frente prossigo.
Não há moeda que pague inspiração por longos
anos cultivada; não posso, não vou ficar muda
diante de falsas amabilidades trocadas, da
injustiça mascarada. Portanto, eu oro, faço
preces, "requiem aeternam dona eis, Domine..."
(Dá-lhes o eterno repouso, Senhor...)
para todos estes mortos vivos que falam!...

CAUSAS E CURAS PARA O FANATISMO (Voltaire)


O fanatismo é para a superstição o que o delírio é para a febre, o que é a raiva para a cólera. Aquele que tem êxtases, visões, que considera os sonhos como realidades e as imaginações como profecias é um entusiasta; aquele que alimenta a sua loucura com a morte é um fanático. (...) O mais detestável exemplo de fanatismo é aquele dos burgueses de Paris que correram a assassinar, degolar, atirar pelas janelas, despedaçar, na noite de São Bartolomeu, os seus concidadãos que não iam à missa. Há fanáticos de sangue frio: são os juizes que condenam à morte aqueles cujo único crime é não pensar como eles. Quando uma vez o fanatismo gangrenou um cérebro a doença é quase incurável. Eu vi convulsionários que, falando dos milagres de S. Páris, sem querer se acaloravam cada vez mais; os seus olhos encarniçavam-se, os seus membros tremiam, o furor desfigurava os seus rostos e teriam morto quem quer que os houvesse contrariado.
Não há outro remédio contra essa doença epidémica senão o espírito filosófico que, progressivamente difundido, adoça enfim a índole dos homens, prevenindo os acessos do mal porque, desde que o mal fez alguns progressos, é preciso fugir e esperar que o ar seja purificado. As leis e a religião não bastam contra a peste das almas; a religião, longe de ser para elas um alimento salutar, transforma-se em veneno nos cérebros infeccionados.

(...) As leis são ainda muito impotentes contra tais acessos de raiva; é como se lêsseis um aresto do Conselho a um frenético. Essa gente está persuadida de que o espírito santo que os penetra está acima das leis e que o seu entusiasmo é a única lei a que devem obedecer. Que responder a um homem que vos diz que prefere obedecer a Deus a obedecer aos homens e que, consequentemente, está certo de merecer o céu se vos degolar?
De ordinário, são os velhacos que conduzem os fanáticos e que lhes põem o punhal nas mãos: assemelham-se a esse Velho da Montanha que fazia - segundo se diz - imbecis gozarem as alegrias do paraíso e que lhes prometia uma eternidade desses prazeres que lhes havia feito provar com a condição de assassinarem todos aqueles que ele lhes apontasse. Só houve uma religião no mundo que não foi abalada pelo fanatismo, é a dos letrados da China. As seitas dos filósofos estavam não somente isentas dessa peste como constituíam o remédio para ela: pois o efeito da filosofia é tornar a alma tranquila e o fanatismo é incompatível com a tranquilidade. Se a nossa santa religião tem sido frequentemente corrompida por esse furor infernal, é à loucura humana que se deve culpar.
(Voltaire, in "Dicionário Filosófico")

ILUMINÍSTICO (Cacau Loureiro)


Atrevo-me a conhecer...
Saio às ruas, sigo estradas,
grasso em pedras, vou às
raias da indigência.
Nesta contenda que travo um
grito racional eu propago:
Independência!
No âmbito do meu pensamento
amotinado, e, pelo corpo e pelo
espírito desse homem iluminado,
inspiro-me ainda ao lema...
“Libertas quae sera tamen!”
Em meu coração inquisidor e
atraiçoado eu conspiro pelo
amor e pela espada!
A dúvida rasga-me os ossos
como um fio de adaga, o suor
como sangue, escorre-me pela
testa, salga-me um doce sonho
por ninguém jamais sonhado;
a luz da vitória cintila sobre
minha cabeça como coroa dourada
e circunda o meu pescoço como
corda corolada... mas, vou à corte,
segue-me a plebe... eu o martírio aufiro.
A bandeira que ostento é vermelha
como o sumo escarlate em solo pátrio
derramado, seiva que dos seus filhos
verte na busca por liberdade.
Brava gente brasileira eis a
fórmula que proponho, eis a
flâmula que sustento...
Pela balança aferida da justiça,
pelo ventre livre das mulheres,
pelo livre pensamento do alferes,
também eu daria minha vida
nesta luta a que vos conclamo!

18 de abril de 2010

SALMO VIGÉSIMO (Cacau Loureiro)


Não teme os homens de má índole aquele que
colocou a sua alma nas mãos do Justíssimo.
A semente do caráter reto provém do Pai e germina
em qualquer parte em que a terra já esteja preparada,
mas onde há a cobiça dos homens, degenera.
Mão de raça alguma desloca pedra bem assentada
porque meu castelo foi construído pela Ordem Eterna,
pois aquele que permanece face a face com o Senhor
é fortaleza.
Há ainda pelo mundo os filhos que não são dignos de
rastejarem no solo em que se levanta um digno.
Cada palavra saída da boca maldizente é lavrada
na pedra, para que o frívolo não a esqueça na hora
da derradeira conta.
Para o profanador da paz alheia e das leis do alto
há a morte do espírito, há a escuridão dos “nadas”.
Para o bruto que se levanta para atingir um filho
generoso, há a escuridão dos tempos, a desertificação
da alma.
As ervas daninhas e as serpentes venenosas estão
como rede para os usurpadores e para os bajuladores,
E a estes, raca, raca, raca!
Para os malévolos virão as grandes nuvens de gafanhotos
para invadir as suas leiras e destruírem as suas mudas de
corrupção e discórdia.
Aquele que conjuga com o injusto alargará a sua praga,
e só restará a sede da assistência, contudo, é dando que
se recebe!...
Um homem sem caráter é escória que não serve sequer

para disfarçar a lama. O que possui coração ruim, fadado
está ao descaso dos seus irmãos de jornada, pois que espalha
aos quatro cantos o seu cheiro fétido, e alardeia as tribos para
o seu mal passo e assim lava os seus andrajos na água estagnada.
Lavai a boca oh homem insano! Recolhei as mãos oh estúpido!

Posto que teus olhos já caíram no lodo e perdidos estão na vasa
dos renegados.
Arranca a tua língua oh infame! Não vês que a espada já sopra

sobre os teus cabelos os ventos da justa correção?!
Não teme as sombras aquele que revestiu seu coração de luz e

de verdade.
A quem temerei oh, incrédulo?
A quem temerei oh, profano?
A quem temerei oh, iníquo?
A quem temerei oh, vergonhoso?
A quem temerei oh, execrável?
A quem temerei oh, invejoso?
A quem temerei oh, infiel?
Aquele que está sob as asas do Altíssimo a quem temerá?!

16 de abril de 2010

ALÉM DA VIDA (Cacau Loureiro)


Como o mundo em sua constante agitação e
em seu acelerado movimento, estático fica
quando nossas emoções esmorecem?!
O sol alto lá no céu distancia-se da pele, não

penetra o peito, não desperta o cerne, não
aquece a vontade, não nutre o entusiasmo.
E seguimos autômatos... pois que em nós

a natureza se faz morta. Ah!...
Morro em ti, morro em mim, porque viver

sem amor é abandonar as vestes sutis da alma.
É expor a carne aos abutres da insensibilidade,
é dar ossos aos coveiros frios da terra.
Não se precisa da cruz, não se precisa da
fogueira; somos mártires em contenda
sanguinária e sem razão.
Covardes, não compreendemos os justos;
hipócritas, não reconhecemos os autênticos.
Por que insanos prosseguimos nesta guerra?!
Fechar a gema, ferir o imo, esconder-se na
inércia dos amores empoeirados e envelhecidos
na negação das épocas. Na teia dos nadas amarrados
posto que já morreram para a memória, perderam-se
no vão do tempo que consome os séculos e que

degenera tudo.
E quando as eras passarem dos milênios coisa

alguma restará, pois que nada se plantou para
germinar... desencontros...
O amor vivido em plenitude é como um filho

posto no mundo, cria raízes, engendra a história,
possui identidade própria, contém o espírito
do universo, forma a eterna substância, é o éter,
e é o sal, sobrevive além da vida!...

13 de abril de 2010

ASSUMA O RISCO DE SER SINCERO (Osho)


Nenhum relacionamento pode crescer de verdade se você continuar dando-lhe as costas. Se você permanecer esperto e continuar se guardando e protegendo, apenas as personalidades se conhecem e os centros essenciais permanecem sozinhos.
Então, apenas a sua máscara se relaciona, não você. Sempre que uma coisa dessas acontece, há quatro pessoas no relacionamento, não duas. Duas pessoas falsas continuam se encontrando, e duas pessoas reais continuam em mundos à parte.
Esse risco existe — se você for sincero, ninguém saberá se esse relacionamento será capaz de entender a verdade, a autenticidade; se esse relacionamento será forte o suficiente para resistir à tempestade.
Existe um risco e, por causa dele, as pessoas permanecem muito protegidas. Elas dizem coisas que deveriam ser ditas, fazem coisas que deveriam ser feitas; o amor se torna mais ou menos como um dever.
Mas então a realidade continua faminta e a essência não é alimentada. Assim a essência vai ficando cada vez mais triste. As mentiras da personalidade são um fardo muito pesado para a essência, para a alma.
O risco é real e não existem garantias quanto a ele; mas vou lhe dizer uma coisa: vale a pena correr o risco.
No máximo, o relacionamento acaba — no máximo. Mas é melhor ser separado e verdadeiro do que irreal e junto, porque então você nunca estará satisfeito. A bênção nunca virá com o relacionamento. Você vai continuar faminto e sedento, e continuará se arrastando, só esperando que aconteça um milagre.
Para que o milagre aconteça, você terá de fazer alguma coisa, e isso é: começar a ser sincero. Com o risco de que talvez o relacionamento não seja forte o suficiente e possa não ser capaz de resistir — a verdade pode ser demais, insuportável — mas então esse relacionamento não vale a pena.
Por isso, é preciso passar pelo teste.

(Osho, em "Intimidade: Como Confiar em Si Mesmo e Nos Outros)

SALMO DÉCIMO NONO (Cacau Loureiro)


Quem és tu que se nomeou patrono de todas as
cousas e causas e não vês que dentre céus e
mares e afora, quem rege os ventos sou eu?!
Vide como o Altíssimo nos proveu de tudo?!
Olhe em volta, veja que tudo que tem origem
no divino é maravilhoso, perfeito e funciona
de forma natural, perpétua e sem máculas.
Vide insano homem que diante da Potência
que provém do alto tu és pequeníssimo, um
reles presunçoso, inoperante em suas limitadas
funções diante da máquina do mundo e do tempo?
Pequeno grão de areia és no fomento do Deus Eterno.
E tu que dizes conhecer-me, ainda não me mostrou
um átomo de que és meu filho, minha criatura.
Saiba que quando eu chamar-te à responsabilidade
serei severo, pois que fui eu que te soprei as palavras
nas narinas para te animar o espírito.
Por que gritas em meio à lama pelo socorro quando
a limpeza tem que começar de dentro de ti oh,
indigno homem que se esconde atrás da falsa humildade.
Não carregues o teu próximo no tropel de tuas paixões,
não vês que por ele também irás responder?!
Aplaca, pois, tuas vaidades e não alimentes o faminto
com a erva perniciosa da arrogância, matarás a ti
envenenando o outro.
O poder não promana dos homens, fadado está à
vergonha aquele que toma para si o “doloso mando”,
não gastes o meu erário às minhas próprias expensas,
dentre os homens só houve um que me foi fidedigno.
Como tomas na minha taça sem ser purificado quando
o teu sangue para mim não tem valia? O povo do Egito
marcou a tua fronte e por onde andares reconhecer-te-ão
e não te terão respeito, a tua fama corre ligeira como a
fome e não haverá lugar onde possas esconder-se diante
da tua própria iniqüidade.
Como ousas tomar o condão sem seres apontado como
honrado quando plantaste a dissensão entre os justos?!
Sabes que pagarás o preço da discórdia que germinaste,
porque nada passa abaixo dos meus olhos.
Filho fraco, este será o teu estigma dentro e fora das
fortalezas, pois que a acusação que carregas ecoará no
deserto em vibrações milenares.
Lembras do que já tirei de ti? Eu posso tirar mais, pois que
eu sou Deus para todo o sempre.
Já há muito não me ouves, seria o bastante para a tua
corrigenda, mas, agora não mais me vês, contudo, eu
não me escondi de ti, perdeste a sanidade e a referência
diante da cobiça e da cupidez, em troca de moedas.
Como dizes que és possuidor, quando tudo o que há na
Terra só tem um Criador?!
Enterraste a modéstia junto com tuas vítimas e tu
continuas com a degradação da tua raça.
A potestade do mal se apossou de tua alma e
anda ao teu lado e já te esconde nas sombras.
O que calcarás com a tua vara desonesta? O covil
das serpentes venenosas?
O lobo faminto anda á espreita e o Bom Pastor
só protegerá suas ovelhas desgarradas, não tu
oh, ímpio que pactuou com o maléfico.
Eu sou a luz, a verdade e a vida, quem de mim
escapará?

12 de abril de 2010

O LOBO E O CÃO (Valmor Vieira)


Um cão pastor cuidava de seu rebanho de 15 ovelhas.

Nas redondezas tinha 3 lobos que todos os dias tentavam pegar as ovelhas. O cão sofria para proteger o seu pequeno rebanho.

Um dia o cão precisou viajar por motivos particulares.

Ele ficou muito preocupado, mas chamou o chefe dos lobos e disse:

Amanhã eu vou viajar. Ficarei fora por uns 15 dias. Você será o responsável pela vida das minhas ovelhas. Quando eu voltar quero ver todas as ovelhas bem tratadas.

Daquele dia em diante o lobo chefe passou a ser responsável pela proteção das ovelhas. Protegeu as ovelhas de seus amigos e também de outras matilhas que por ali apareceram.

Defina claramente as responsabilidades, estabeleça metas e dê liberdade. Os resultados logo aparecerão.

8 de abril de 2010

SOLAZ (Cacau Loureiro)


Há muitas rosas em meu jardim, nenhuma
jamais como tu é a mais rubra, é a mais tênue,
é a mais bela...
Os embrutecidos não enxergam as rosas,
divisam apenas a argila que as prendem em
derredor dos espinhos.
Os impassíveis não percebem as rosas, apenas
veem um modo severo de existir.
Sentir a flor que brota em nós é crescer para
a existência, é tocar de leve o presunçoso, é
aspirar profundamente o admirável.
Abrir a alma como as pétalas é desabrochar
para a vida, pois que não há nada mais belo
que o sol adentrando os olhos de quem ama,
é refulgir...
A luz do amor que enverga como a rosa para o
astro maior, regenera e ressuscita, é fonte de
nascimento interior, é cabedal de virtudes, é
edificação de força.
Em minhas mãos todas as rosas deixaram seus
perfumes, e com eles teci o que de terno há
em mim.
Em muitos azuis eu perdi-me, em muitos vermelhos
encontrei-me, em muitos amarelos eu sorri.
Alegrai-vos oh! Homens de corações duros, posto
que as rosas são as taças do alumbramento que
tomamos pelos lábios de todos os desejos.
São néctares que delibamos à mesa das esperanças.
São sonhos dos céus deixados na Terra para nos
despertar...

5 de abril de 2010

INTEMPORAL (Cacau Loureiro)


O solo dos amores é irrigado com lágrimas, mas,
somente alguns sabem chorar suas sementes...
Aos insensíveis, a solidão de dias frios, o silêncio
das almas sós.
Aos inertes de coração nem mesmo o broto da
esperança. Aos empedernidos a relva seca dos
campos mal cultivados.
Os incoerentes dizem saber amar, contudo, suas
palavras carecem das cores quentes dos verões

do corpo e seus olhos não trazem a luz que compõe
o arco-íris das primaveras que nos fazem renascer e
tornam-nos vitais para a natureza, fenecem diante
de quaisquer argumentos contrários, não vislumbram
que o mundo das emoções é complexo e, no entanto,
fascinante.
Quem teme a viagem do amor enterra o supra-sumo
da vida no fosso das desvalidas lamentações.
Um covarde não sabe amar, sabe sim, versar sobre
apegos e conta o tempo feito matemático, esquece-se
que o amor é filosófico, complexo, profundo, atemporal...
Quem somente pensa o amor morre como um calendário
antigo e tranca-se na gaveta do tempo, dentro de moveis
velhos e empoeirados, pois que amar é renovação constante,
assim como as folhas do outono; é despojamento de vaidades,
é o esquecimento de interesses.
Penaliza-me quem não sabe amar, porque tem o fruto maduro
nas mãos e não lhe toma o cheiro, não lhe prescinde o sabor,
não lhe experimenta a maciez, morre faminto posto que
não devora a vida...

LIVRO: DEUS SONHA COM OS TEUS SONHOS (Eduardo Santos)

Um livro que nasceu no coração de Deus e agora faz um link com a tua vida.
DEUS SONHA COM OS TEUS SONHOS irá te impulsionar a resgatar o que você tem de mais sublime: seus sonhos.
Escrito por Eduardo Santos, esse livro tem um pouco de ficção e muito de realidade, pois é baseado em fatos reais vividos tanto pelo autor quanto pelos personagens que enriquecem essa obra abençoadora.
Alguns testemunhos contados por pessoas simples fazem dessa literatura uma inspiração para aqueles que acham impossível realizar seus sonhos ou para aqueles que simplesmente já desistiram de sonhar.
Portanto sonhe! Pois um homem sem sonhos é como um navegador sem bússola: fica à deriva em meio às tempestades.

CONTENTAMENTO (Brahma Kumaris)

Contentamento é o brilho de ser livre. É ter a clareza e a convicção para ver que além do presente existe um bom futuro, não só para mim mas para tudo. Sentir nos ossos que o movimento inteiro da vida é em direção ao que é bom, sentir que todas as montanhas têm seus vales, que todo o deserto tem seu oásis. Uma face contente segue a longa jornada de tornar tudo melhor”.
“A água de superfície tem sempre o risco de ficar poluída ou estagnada, de evaporar, de secar. Mas a água subterrânea, livre de intempéries, não pode ser estancada. Contentamento é o mesmo - um movimento invisível e constante para frente, um rio subterrâneo. E quando a superfície da vida mostra algum obstáculo, o rio responde, muda, flui para dentro e ao redor, mesmo que não seja visto. Ele simplesmente nunca se esgota”.

* Extraído do livro "A Paz de Todo Dia - volume 1”, publicado pela Editora Brahma Kumaris (http://www.editorabk.org.br)

4 de abril de 2010

A SOLITUDE É A SUA NATUREZA (Osho)


O primeiro ponto a perceber é que, querendo ou não, você está sozinho. A solitude é a sua verdadeira natureza. Você pode tentar esquecê-la, tentar não ficar sozinho fazendo amigos, tendo amantes, misturando-se à multidão... Mas tudo o que você fizer fica apenas na superfície. No fundo de você, sua solitude é inatingível, intocável.

Um curioso fato acontece com todo ser humano: quando ele nasce, a própria situação de seu nascimento começa numa família. E não existe outra maneira, porque o recém-nascido humano é o recém-nascido mais frágil em toda a existência.

Outros animais nascem completos. O cachorro vai continuar sendo um cachorro durante toda a vida; ele não vai evoluir, não vai se desenvolver. Sim, ele ficará mais velho, mas não ficará mais inteligente, mais consciente, não se tornará iluminado.

Nesse sentido, todos os animais pertencem exatamente no ponto em que nasceram; nada de especial muda neles. A morte e o nascimento deles são horizontais — numa só linha.

Somente o ser humano tem a possibilidade de seguir na vertical, para cima, e não apenas na horizontal. Mas a maioria das pessoas se comporta como os outros animais: a vida é apenas um envelhecer, e não um amadurecer. Amadurecer e envelhecer são experiências totalmente diferentes.

O ser humano nasce numa família, entre seres humanos. Desde o primeiro momento, ele não está sozinho; portanto, ele adquire um certo padrão psicológico de sempre permanecer com pessoas. Em solitude, ele começa a ficar com medo... medos desconhecidos. Ele não está exatamente consciente do que está com medo, mas, quando ele se afasta da multidão, algo dentro dele fica pouco à vontade. Quando está com os outros, ele se sente aconchegado, à vontade, confortável.

Por essa razão, ele nunca vem a conhecer a beleza da solitude; o medo o impede. Por ter nascido num grupo, ele continua fazendo parte de um grupo. E, à medida que envelhece, começa a formar novos grupos, novas associações, novos amigos. As coletividades já existentes não o satisfazem — a nação, a religião, o partido político — e ele cria suas próprias novas associações, Rotary Club, Lions Club... Mas todas essas estratégias estão a serviço de um só objetivo: nunca ficar sozinho.

Toda a experiência de vida é a de conviver com outras pessoas. A solitude parece uma morte. De uma certa maneira, ela é uma morte, a morte da personalidade que você criou na multidão. Esse é um presente das outras pessoas para você. No momento em que você se afasta da multidão, também se afasta da sua personalidade.

Na multidão, você sabe exatamente quem você é; sabe seu nome, sua posição social, sua profissão, sabe tudo o que é necessário para o seu passaporte, para sua carteira de identidade. Mas, no momento em que você se afasta da multidão, qual é a sua identidade? Quem é você?

De repente, você fica consciente de que você não é seu nome — seu nome foi dado a você. Você não é sua raça — que relação tem a raça com a sua consciência? Seu coração não é hindu nem muçulmano, seu ser não está confinado à fronteira política de uma nação, sua consciência não é parte de alguma organização ou igreja. Quem é você?

De repente, sua personalidade começa a se dispersar. Este é o medo: a morte da personalidade. Agora você precisará começar a descobrir, precisará, pela primeira vez, perguntar quem você é. Você precisará começar a meditar sobre a questão, quem sou eu? — e existe o temor de que você possa não ser absolutamente nada! Talvez você não seja nada, mas uma combinação de todas as opiniões da multidão; nada, exceto sua personalidade.

Ninguém quer ser nada, ninguém quer ser ninguém e, na verdade, todo mundo é um ninguém.


(Osho, em "Amor, Liberdade e Solitude: Uma Nova Visão Sobre os Relacionamentos")

3 de abril de 2010

SALMO DÉCIMO OITAVO (Cacau Loureiro)


Não teme a sombra aquele que anda à luz do Senhor!
Não há injustiça que perdure nem perseguição que
se estenda. Por isto não temamos a noite que habita o
interior dos homens e o ouro que brilha em seus dentes.
A resplandecência do altíssimo afugenta o lobo faminto
de almas e sacia a sede do justo.
A chuva da purificação está prestes a precipitar-se,
não tenhamos receio da transformação que ele exigirá
de nós. A essência dos bons foi calcada no bem e
aquele que nasceu limpo pelas águas do Pai, não
fenecerá na lama dos ímpios. Portanto, a coragem
não deverá ser maquiada, terá de ser substância
incólume que professa a gigante vitória.
O Onipotente descansa o coração do franco em seu

manto de temperança e o reveste de poder para que
edifique os seus ensinamentos.
Um humilde servo tornar-se-á maior que um profeta!
Se mantivermos nossa palavra entre os homens, o que
prometermos ao Pai será realizado com louvor.
O mundo propõe todos os dias o teu sacrifício oh,
Santíssimo, até quando permitiremos o sangue do
teu cordeiro como escambo?!
Temperemos todo o desgosto na esperança professada
pelo Mestre dos Mestres, pois que com ela devemos
caminhar abraçados e para onde o Pai apontar, sigamos.
Que possamos renascer pelas chagas do Cristo Crucificado

para amanhecermos na relva que liberta das trevas.
Não construamos grilhões junto aos homens, porque
a verdadeira aliança faremos somente com o Eterno.
O Pai nos guia mesmo quando vendados, pois que os seus

filhos ele pousa em suas mãos feito ave ferida, e cuida, e zela.
Quando surgir nos céus a redentora luz quem se ocupará
de suas ganâncias? Quem esconderá as suas vaidades?
Não nos angustiemos, esperemos com paciência no Senhor.
Homens dementes escrevem o teu Santo nome em armas
de guerra, quem poupará as suas almas?!
Homens doentes discursam sobre a tua cruz ensangüentada
e a macularam com mentiras. Os fanáticos diante da tua
verdade absoluta o que então professarão?!
Dentre os teus filhos ilegítimos há os que usurpam, os que
dividem, os que manipulam, há os que matam, até quando
abusarão da tua misericórdia?!
Oh Pai em teu incomensurável chão plantaram a semente
da injustiça, não permita que teus inocentes colham deste
fruto amargo, dizime com o teu fogo a erva perniciosa.
Levante teus anjos oh eterno, em proteção dos vulneráveis.
Que o teu exército de salvação seja incansável diante da
plêiade dos tenebrosos.
Não tememos oh Deus meu mal algum, pois que curvamos
diante de ti a nossa fronte e compreendemos a tua mensagem
porque a cura vem muitas das vezes depois da dor aguda.
Ouça nosso clamor e refrigera as nossas almas, pois sabemos

que nos ouve e confiamos no teu pendão de amor e paz e
que a Ressurreição do teu filho seja verdadeiramente a
nossa renovação. Amém.

2 de abril de 2010

DOLOR (Cacau Loureiro)


Eu sei que a dor que dói em mim, dói em ti...
Pois que a ausência que nos arrebenta o peito
não nos deixa sequer espaço para as lágrimas.
A noite que chega solitária também é
dolente porque um coração vazio do que
carece,vagando está descontente.
Não se aprende a ser sozinho quando se
sabe amar. Por isto sei que a dor que dói
em mim, dói em ti...
Palavras ficam suspensas sem os atos que
as consolidam, nada valem... Por isto emudeci.
Não mais meus olhos falam, pois que se fincaram
no obscuro de um corpo semimorto.
Sonâmbula sigo na madrugada que não acaba,
há uma manhã ensolarada que há muito me
abandonou.
Rasguei as rimas belíssimas que outrora fiz,
fendi os versos que um dia foram o meu maior
tesouro. Perdi o tom do mundo, a marcha da
existência plena, como fazê-la fluir em mim?!
Meu tempo parou, não mais consigo engatar
a história que apesar de tudo me continua.
Eu sigo incontinente mesmo que a dor que
doa em ti ainda doa em mim...
O elo tão cuidadosamente fixado foi partido
pelas urgências do mundo, e um mundo
sem elos perde a graça, esquece o riso.
Eu tive um sonho e o vivi de olhos abertos,
descobri que viver de olhos expostos é encantador.
Eu sorri... Ah!... como eu sorria, tal criança livre
em florido quintal, vivendo fábulas que pensei
nunca teriam fim.
Ah! Vezes quantas me debrucei na janela
para te ver passar e fiz daquela rua a minha
passagem predileta, lá onde o sol era mais
quente e o céu era mais azul.
Quando sabemos colorir o mundo a vida fica
maravilhosa, é deslumbramento... E que só
encantados é que sabemos decifrar a poesia
dos homens, é que deslindamos o verso oculto
de nossas almas.
Mas, nestes desencantados dias, eu sei que a
dor que dói em ti, ainda dói em mim...