22 janeiro, 2010

SEMIDEUS (Cacau Loureiro)






















A emoção como temporal alagou meus sentimentos... 
Ah! Estas torrentes por onde não sei nadar! 
O tempo fechou-se nas abundantes águas, e eu 
desejando o sol, pois sem sua luz não há esperança. 
Seco meus olhos, lanço meu olhar ao céu; lá onde 
ainda vejo o azul eu descanso minha alma. 
Ante as trovoadas eu fortaleço-me, ante os 
relâmpagos reconheço-me, ante o silêncio eu 
compreendo-me, ante as provocações eu aprendo-me... 
Como semideus ante os destroços da história eu sigo 
empunhando minha espada, marcho arregimentando 
meus soldados, prossigo enterrando meus mortos... 
Mas, não há tempo ruim para quem cultiva o entusiasmo,
para quem aprendeu a fortaleza. Nesta cinzenta manhã eu 
descobri um arco-íris e pintei meu coração com suas cores... 
Apesar do corpo combalido, o meu espírito altivo ainda sonha 
em migrar como os anjos, ainda deseja cantar como os pássaros, 
deseja ainda voar como Ícaro, 
Ainda deseja ser forte como um herói.

 

3 comentários:

  1. Obrigado Cacau, pela sua beleza interior e pelo seu comentário.
    Acho que temos que relembrar estes heróis da Ecologia como foi o Dr. Félix e espero que o Brasil nunca se esqueça do nome do maior cruzado que lutou pelos direitos dos seringueiros e da Amazónia e que foi assassinado. Refiro-me a "Chico Mendes" e faço votos para que não só o Brasil como todo o mundo jamais o esqueça.
    Beijos e luz.

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  2. Querida Cláudia!!!!
    Texto belíssimo! Adorei seu poema! Meus parabéns!
    Poeta Cigano!!!!!!!!!!!

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