LÍRICOS OLHARES

LÍRICOS OLHARES

PENSAMENTO DO DIA

"O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós." (Clarice Lispector)

Seguidores

REFLEXÃO

"Por mais que se mantêm em consideração as circunstâncias do tempo, do lugar, do gênio do povo, dos seus conhecimentos, de suas inclinações, falham os cálculos, desmoronam-se os edifícios, inutilizam-se os trabalhos e só se colhe o conhecimento de que não se acertou e que o coração do homem é um abismo insondável, e um mistério que se não pode entender". (Frei Caneca)




29 de agosto de 2009

SIMBIOSE


Deixe-me nutrir teu coração
com a minha ternura.
Envolver-te em ondas de
emoção, afeto, carícia pura,
deflagrar em teus lábios
tantos desejos, e em teu
corpo tanta candura, que
assim eu creio, sentirias meu
corpo, e sem limites eu te
daria a minha alma.
A minha boca canta agora
esta saudade, e transborda
toda esta vontade: de
dulcificar a tua vida, de
acalmar a tua pressa.
A minha dor está em toda
esta afirmativa: abre-me
uma ferida o não me deixar
te querer.
Sejas deísta, agnóstico ou ateu,
o nervo em que te toco exalta-te
e exaspera-me...
Entreabertos os meus lábios
esperam-te, minha razão afasta-te,
mas, meus olhos entrevêem-te,
pois que as portas do meu ser
estão expostas.
A minha voz chega a ti em
simbolismos, e tu chegas a
mim tão facilmente, que de
repente só te vejo à minha frente...
Meu coração devoluto em rimas
consome-te, em prazeres deleita-te,
o que me torna normal. O que fazer?
Não sou perfeita!
A minha letra convida-te à sagração
dos corpos, à perdição das bocas,
à simbiose sensual.

REDIVIVO


Teus lábios caprichosos
tocaram singularmente minha
alma semi-ânime.
Porque não volver ao teu
venturoso abraço?!
Circundo o tempo sem demora,
ao teu encontro não mais vai o
meu coração lesto, posto que
ele já está contigo...
O meu beijo pressuroso,
o teu amante, amigo, bonançoso,
remexe com minhas quimeras,
com minha retórica de apaixonada
poetisa.
Não mais sei dimensionar o que por
ti cultivo, eu elementarmente, vivo-te!
Diviso o pretérito, meus ulteriores
quereres, e, nesta lacuna que se fez
em meu destino, teus olhos, teus gestos
em labirinto intrinsecamente em mim
traçado, fixado, instituído.
Estou em ti, estás em mim...
Simbioticamente em androginia de um
mundo redivivo.

JUNGIDA


Da janela eu vejo o cair da chuva...
Abundantes em minha alma são teus olhos
radiosos de afeto.
O nebuloso tempo não me traz melancolia,
apenas saudades...
Diviso o céu em vertigem emocional, teu
retrato na paisagem é ímpar, sem igual.
A voz da natureza sussurra em meu ouvidos,
diz-me de tanto amor em sua própria profusão;
Vento frio a refrescar minha vida insana,
chama do teu amor primeiro, ardente, brilhante,
raro e verdadeiro aquecendo-me os frios d’alma.
Aprisiona-me em tuas correntes de desvelo,
dado que já não sei viver sem teu coração afeiçoante.
Sigo pelas ruas sinuosas do imenso mundo que ora
me habita, encontro-te em cada esquina, em cada
ser que toco, falo, ouço... em cada rosto...
Respiro-te, pressinto-te!...
Eu já não sei viver sem ti, porquanto,
“eu não sei dizer que eu não te amo!”

26 de agosto de 2009

POEMA INCOMPLETO


A chuva não faz passar a dor...
Não desfaz a marca do teu toque
em minha tez...
Noite e dia não se delimitam nesta
alma conturbada pela ausência...
Saudade que finca nos olhos feito
espada e grita no peito todos os
silêncios mendazes e atrozes das
demoras...
Nada há que substitua o teu gosto,
não há nada que o teu toque represente,
nada há que se troque por seu rosto,
não há nada que se ponha no lugar
da tua lembrança tão amada.
Deito meu corpo, mas o espírito sempre
alerta não desvanece os teus traços, não
me fazem esquecer-te...
Como os sulcos do meu rosto, acordas
e dormes comigo, em mim, sem o ir ou o vir;
mas, sempre distante, no entanto, nunca ausente...
O pesar não consome as horas mortas em
que semimorta eu versejo-te...
É lenta a alvorada, o ocaso é lento,
é veloz o coração, é mordaz a tua falta...
Eu estampo a tua imagem na paisagem,
traduzo nossos momentos nas palavras,
em cruéis linhas que me sangram invisíveis,
assim componho os versos mais bonitos
nas estrofes deste poema incompleto!...

24 de agosto de 2009

A ÚNICA ROSA


Disse o poeta outrora: Todas as rosas
são a mesma rosa, entretanto, eu
não infra-assino isto, porque a rosa que eu
versejo é o horizonte lento, é o mar bravio,
pois que cada um tarja à sua imagem o que
se lhe afigura.
Minhas impressões sobre o mundo são as
rosas que plasmo por ti.
Em filigranas de afeto eu delineio muito mais
do que vês... Pois até meus olhos que não
vejo vêem você.
Os meus símbolos são muito mais que a
estampa floral de um buquê, são as efígies
de afeto de rosas que cultivo em mim.
E cada rosa vai completando a beleza de
outra rosa como um caleidoscópio produzindo
infinitas combinações de cores. As rosas que
eu cultivo são os versos que esboço em
formas sutis. Esta é a singularidade que te
dou: de cada movimento estudado, de cada
momento traçado de minha caligrafia.
Com delicadeza, com calma eu modelo os
ornatos da esperança, da inspiração que vai
além do que consegues apreender nestas
metáforas.
Com poesia eu dinamizo o infinito, transcendo
a esfera imensa, o sol abrasador, o meu próprio
espírito, O TEU E O MEU AMOR.
Porque ele é a nossa única rosa...!
Hei de concordar de outra forma com o meu
poeta dileto: Quem se arrima à rosa não tem
sombra... O amor... ah!
Amor! A única rosa que te dou.

ENAMORADA


O meu enamoramento tem força
inelutável, poder inesgotável, não
há fogo que o faça extinguir-se, pois
que também queima, também arde.
¿Qué es su poder en su cama?
Eu temo não ter o fascínio suficiente...
Proporcionas-me emoções violentas,
amor inveterado, apaixonado, pois
que és aventureiro, decidido, corajoso,
porque apostas na sedução.
Queres o sexo, eu a emoção erótica,
visto que te quero para sempre.
Quero o idílio íntimo, carícias,
abraços, elogios, flores, o erotismo
difuso, cutâneo, muscular; paixão
transbordante, incontida, um meio,
um modo de amar...
Corpus prae animus.
Não busco em ti priapismo, mas
um misto de Dom Juan e de Cyrano,
pois que já reinas dentro de mim
como Romeu.
Desejo-te forte e terno ao mesmo
tempo, mas temo a tua força, temo
a minha febre.
Não sou gueixa, mas me deixes
exercitar todas as técnicas da
sedução.
Usted sabe sobre el poder supremo
que tiene en su manos!

DESEJO, DESEJAS, DESEJOS...


Tu sequer imaginas como
se afiguram os meus desejos.
Minha imaginação inventiva,
minha emoção criadora
transfiguram-te em minha alma,
desinquietam-me o espírito.
Resfolego em teus ouvidos,
transpiras sobre o meu corpo.
Toco-te sem receios, sinto-te
inteiro... pés, mãos, tórax,
pescoço, nádegas, só assim
te tenho apreço. Só assim eu
reconheço quanto tenho em poderio!
Suor escorre em minhas costas,
entre meus seios... surpresas
agradáveis, impulsos incontroláveis,
desejos e mais desejos.
Busco-te os lábios, encontro tua língua...
Explosões, libido, salivas... sensibilidades
orais, visuais, carnais. O teu gosto
desperta-me e domina-me.
Não quero, não posso mais dormir,
quero me sentir viva, vibrante ao
me dar a ti.
Delírios tantos, noite quente, enluarada,
frêmitos, nós dois de prazer tontos...
Estarei enamorada!
Teu corpo contra o meu desnudo em
tua cama, não me cala, só me encanta.
Cabelos em desalinho, versos ao pé do
ouvido, perdidos em uma só boca.
Teu corpo tenho inteiro, braços, abdome,
coxas; tuas mãos em minhas pernas, em
minhas ancas, prazer iminente, aperto
os travesseiros.
Tua nudez virilizada desatina a minha
cabeça tão pouco centralizada... gostos,
gestos, gozos... tesão. Sussurros, palavras
de emoção satisfazendo o meu corpo, mas
também meu coração.
Em teus braços sou fêmea indomável, és
o macho é me protege, incansável.
Pulso em teu enleio exausta, mas ainda
as minhas mãos apertam-te, arranham-te.
Cheiro tua pele, beijo o teu pescoço, roço
em teu dorso, refaço-me em teu gosto.
Sorrio-te em desafio, este prazer é tão
fluídico, esvai-se num curto lapso...
Teus dedos, teus beijos... desejo,
desejas, desejos, começo tudo de
novo.

AEDO


O meu coração é alado,
em suas asas carrego os
meus sentimentos.
Com olhos de águia,
voando além do firmamento
tento te encontrar.
Fito todo o horizonte,
porque escondido estás
em suas linhas.
Terra, mar, céu e eu, tudo
tem um brilho teu, a brisa
que toca meu rosto, o azul
que reflete em minha alma,
o sol que aquece o meu
coração, e sobre tudo e
todos voo com as asas do
teu encantamento...
Queria, neste entorpecimento,
afagar-te a fronte, beijar-te a
boca com toda esta sede insana,
louca... por instantes.
Contudo, ainda vôo cheia de
alegria, decantando em simples
rimas toda a tua simetria, e o
meu coração, com esta pouca
e pobre métrica, mas em carinhos
milimétricos, ainda faz de ti, o
aedo dos meus versos.

19 de agosto de 2009

EXORTAÇÃO


Nos confins do teu coração interiorano
ouço canções primaveris, pois os cânticos
das flores só me enfeitam os dias.
Não posso olvidar de ser feliz quando
mãos como as tuas a mim são estendidas.
Ainda quero o ameno sol transpondo as
folhagens das frondosas árvores de nosso
singular jardim, cingindo nossas faces
de criança, fazendo-nos arriscar brincadeiras
audaciosas.
Teu sorriso furtivo de garoto, teu rogo
conciso de homem-feito estremece-me,
também me envanece.
Quero ainda as tardes que me açulam os
ânimos, que a minha têmpera animam.
Não posso despir-me do desejo intrigante da
minha essência pela tua, do meu corpo pelo teu.
Meus pensamentos já não se ajuízam, meus
olhos já não mais prevêem, contudo, o meu
espírito escuta-te, perscruta-te, esmiúça-te,
desnorteia-me!...
Deixa crescer toda volúpia,
deixa rolar toda emoção,
deixa fluir todo desejo,
tocar a tua alma deixa-me!...

ARRANHA-CÉU


Daqui vejo o mundo...
Restrito parece ante minha visão,
apenas constato no finito dos meus
olhos, a bruma incerta na qual se
encerra o horizonte.
O mar que daqui parece manso
devora as pedras.
O céu está turvo, em tarde vai
se esvaindo o dia.
Ouço as buzinas, lá embaixo
estão todos apressados.
Daqui vejo o mundo e ao
mesmo tempo não vejo
sequer um palmo adiante.
Como as linhas do horizonte,
perdi-me ao pronunciar da noite.
A noite que vive em nós e
quando a sós não conseguimos
clarear, como naus nas tempestades.
A noite escura do céu, a noite das
velas a vagar.
Enfim, daqui vejo o mundo e um
mar para navegar até o infinito.

BENFAZEJO


Em teu peito exposto, honrado eu recrio
uma forma de doar-te o meu amor.
No meu coração amplíssimo não
há meios-termos... para ninguém
mais, espaço; somente para ti o meu
chão, as minhas sementes, o meu céu
os meus nobres pensamentos, o meu
sorriso inspirado.
A força que promana de nosso atrativo
sentimento faz-me melhor, forte, mulher,
estrela de outra dimensão. Em tuas mãos,
em tua emoção a propulsão que principias
em mim faz-me querer-te mais e mais...
Assim perto, em mim!
Teus lábios, tua boca, tua língua... tua alegre
cor que em mim guardo de cor em amplo feixe
rutilante que me impacta e deslumbra...
Paliativo tonificante que me restaura o vigor,
as minhas razões, minhas fantasias...
Teu bem-querer proficiente, espargido e
eminente acorda-me, também me faz sonhar
com um futuro tão multicor.
És aquarela meu querido, colorindo frutiferamente
o teu e o meu amor!...

DEDÁLEO


Alço voo...
Minhas ceráceas asas foram de
encontro ao sol, como Ícaro eu
sobrevôo teu páramo ímpar e
ardoroso que reacendeu todos
os meus sentidos.
Meus anseios primevos lançaram-se
em tua órbita... Todos os abraços
já sentidos, todos os beijos já tomados
vieram à tona neste sonho repentino.
Predileção aquosa a transbordar por
todos os meus canais de afeto...
Pelos meus olhos hoje expressivos.
Por mais que eu replique, eu sei, não
há conflitos... Pois a resposta que busco
já está comigo.
Viver isto tudo é planar em teu mundo
ilimitado e tão bonito.
Minhas asas, meus sonhos... os meus
desejos mais profundos cingem o espaço
para te dizer: deste labirinto só sairei se
estiveres comigo!...

CANTADA


Há algo de pele em nós dois, a tua voz
aguça-me, tuas palavras assustam-me,
teu tom atrai-me, busca-me de alguma
forma sensual.
Como uma essência de desejo afluindo
a mim, germinando assim uma vontade
de ir mais fundo, de ir além.
Uma liga doce, forte, carnal.
Eu quero sim, molhar meus lábios,
com meu batom delinear tua boca,
fitar teu rosto, em ver em teus olhos
o que está nos meus...
Não me importa o amanhã, o futuro
seja bom ou malsão... o agora é o
que interessa, sei da ansiedade, sei
da pressa, tu sabes também.
Contudo, permita-me...
Não quero ferir-te a alma, quero apenas
marcar teus lábios, timbrar teu corpo,
apenas, experimentar teu gosto... selar
esta vontade transpassando os meus
braços por teu pescoço... cheirar teu
rosto, extrair estímulos, sanar a sede,
refrear a pressa que agora me transtorna,
e não contorna esta distância.
Eu sinto, existe a química, como uma
força atrativa, radioativa, que é fluídica,
mas, que não vai embora, não evapora.
Eu quero o conto e o encanto do encontro...
Porque eu te “canto” todos os dias, com
todas as letras... mas, saibas, que sou
comporta, sou represa, e minhas amarras
terás que desatar... tocar em mim, chegar
mais perto, falar baixinho, aquecer-me,
desdar os nós e me ganhar.

ANAMNESE


Flagro-me ainda em reminiscências,
obstinada e atroz expulso em vão
velhas lembranças que me instigam
o seio contrito.
Obsessão, castigo, já não mais sei.
Pois quando penso que te esqueci já
estou contigo... emoções à tona
num mar de tanto afeto. Querer-te
bem foi tão bom e tão incorreto!...
O pretérito abre-me as portas, dá-me
acesso a um labirinto colorido, paixão
vivida intensamente entre flores e espinhos.
Em desatinada primavera tantas quimeras
remonto hoje em teu espectro de sombra
e de silêncio.
Remendo o passado, moto-contínuo de
uma alma maculada.
No intento de retomar-te já fui romântica,
impetuosa, quão verborrágica...
No momento, saudosa, fraciono o tempo,
retalho versos e mais nada!

15 de agosto de 2009

UMA MÚSICA ESPECIALÍSSIMA


Sintonia e Desejo
Aviões do Forró
Composição: Ivete Sangalo / Gigi

Toda hora me vem um desejo
Até a lua sabe o segredo de nós dois
A lenda de um amor
Um conto de paixão e prazer

Fogo que acende me queima
Essa loucura toda que eu só sinto por você
Ainda sei de cór
Seu gosto, seu gemido, o seu cheiro

Olha
Faça valer a nossa história
Nossos momentos bons de glória e paz
De sintonia e desejo

O meu coração cheio de paixão
Bate por você
Preciso te dizer te amo
Uuhhh
O meu coração cheio de paixão
Bate por você
Preciso te dizer te amo
Uuhhh
Eu te amo

Toda hora me vem um desejo
Até a lua sabe o segredo de nós dois
A lenda de um amor
Um conto de paixão e prazer

Fogo que acende me queima
Essa loucura toda que eu só sinto por você
Ainda sei de cór
Seu gosto, seu gemido, o seu cheiro

Olha
Faça valer a nossa história
Nossos momentos bons de glória e paz
De sintonia e desejo

O meu coração cheio de paixão
Bate por você
Preciso te dizer te amo
Uuhhh
O meu coração cheio de paixão
Bate por você
Preciso te dizer te amo
Uuhhh
Eu te amo

11 de agosto de 2009

EM AMOR...


Enxuguemos todas as lágrimas, porque não
há dádiva maior do que amar e ser amado...
Pois que um coração repleto de afeto é como
sol a adentrar profunda madrugada, içando
todas as luzes em odes ao Criador.
E eu creio na claridade profusa que habita o
Altíssimo e se esparrama em bênçãos sobre
todos os homens de bem, sobre todos os bons
espíritos da face da Terra.
Porque um peito cultivado na fraternidade é
semente fecunda e profícua na vastidão dos
sentimentos de quem ama,de quem perdoa.
Visto que a rosa mais bonita da seara da bondade
é a que desabrocha em mãos estendidas em caridade
e que nos liberta dos grilhões do egoísmo e da
cegueira das vaidades.
E a palavra sã é bálsamo que alforria os subjugados
pela inveja, pela maledicência, pela iniqüidade.
Não há canção mais benéfica do que aquela que
ouvimos nos confins de um coração em que habita
um amor poderoso.

ÁUREO


No horizonte ainda rebrilha a esperança,
como um fanal de amor e paz, sã claridade...
E brilha intensa a esfera imensa abrasadora
dentro de mim, como nascente de dias
melhores, futuro bom.
Em tuas pálpebras que se abrem e fecham-se,
feito janelas onde entro e mergulho por entre
paisagens de vários tons eu poetisa sou.
Ostro belo, doce sabor, mágico toque a
transpassar a minha alma enamorada.
Como te saber sem delibar teu vinho suave,
como te decifrar sem enfrentar a tua esfinge?
E eu prossigo nisto e naquilo, ser ou não ser!...
Em uma guerra que me pacifica e liberta-me.
Em teus intrínsecos gestos, promessas sugestivas,
eu me lanço como insano desbravador.
Sigo a rota das sublimes obsessões porque
amar assim é privilégio insofismável.
Em tua aura gigante sou pequenina, perdida
nos ínfimos caminhos do orgulho tolo,
assim prossigo em aprendizado de amor e dor;
em plano terreno transcendendo o plano astral
eu quero mais e ir além de onde estou, pois
para adiante desta estrada que caminhamos,
Em tuas mãos o meu amor tarjado em ouro!...

AFLUÊNCIA


Alagas o meu desejo com o teu basto desejo...
Nascentes que me fartam o peito de quereres.
Mesclo o teu paladar ao meu paladar... a todo
custo, a todo gosto em salivações ardentes,
quimicamente desenvoltas, indecentes...
Teu tronco ebuliente ligando-me tenazmente
a ti em corpo e mente.
Não quero partir, quero ir mais fundo, além
de mim, além de ti, permanecer para sempre,
pois que tudo és tu em mim.
Para ti todos os meus eflúvios carnais, viscerais;
puro prazer em ser, em ter, tocar-te.
Meus olhos derramados em tua face singular,
Já em mim, tua alquimia inesquecível, ímpar.
Imã que nos une, e imantados em manta de calor
percorremos com furor nossos dorsos, em densos
toques libidinosos.
O meu corpo inteiro tarjado e trajado de ti,
tudo em mim em mil vozes a clamar por teu
ser intenso, provecto, langoroso.
Eu meço cada palmo de tua pele cálida, cada
centímetro dos teus aveludados lábios.
Tudo em ti eu sei de cor... tua tez em minha tez,
Minhas íris fitas em teus abismais encantos de
abissais promessas, de perdidos rumos...
Meu corpo fixado no teu exalta-te em paixão,
devoção, em tesão, em querer maior...
Em comoção que me magnetiza e arrasta-me às
tuas profundas águas de amor!...

ACARMINADO


Dizem que as flores no paraíso
astral são de um vermelho tão
vivo que chega a doer os olhos...
Os olhos que agora te vejo menino
são os do meu coração carmesim,
portanto, apaixonado ele dói
veementemente, mas está colorido.
Diante da fulgurante cor do teu espírito
vivo eu renovo-me para que vivas em
mim... pois que o meu éden alegra-se
por ti!...
Minha alma desnuda, meus pés nus,
meu coração indene neste intenso
desejo pelo teu desejo.
Meus lábios por teus lábios,
meu abraço por teu abraço,
meu corpo por teu corpo,
minha felicidade por tua felicidade!

7 de agosto de 2009

ANDARIM


Em tua canção suavizante eu encontro repouso,
mas, meu espírito cinético não descansa em tua
resplandecente lira sinuosa.
Como olvidar das tuas cifras, dos teus acordes
que me despertam para a vida que me levam
e elevam nos tons dos teus vários encantos?
Em teu amplexo, arca do imenso amor que me
valoriza, sou seguidora e ao mesmo tempo
peregrina...
Ah!... No gólgota das ausências, andarilha
das distâncias eu sou.
E eu vou além de mim para o sol que descortino
em ti com as asas dos sonhos mais sublimes,
com as cores do arco-íris mais bonito.
Em teu imenso firmamento em que pairo
vislumbro campos semeados de refulgentes lírios,
todas as maravilhas em meu êxtase de amor!...

ARTE DE AMAR

(Poema de Manuel Bandeira)
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.

As almas são incomunicáveis.

Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

4 de agosto de 2009

PUGNAZ


Imerjo no poente do tédio, o sol calcinador
é tênue luz em meu espírito ausente.
Saio de mim para chorar em qualquer
parte... quem sabe, onde tu possas me ouvir...
Bebo no cálice da tristeza o gole amargo
da tua ausência.
Distantes teu colo, teu ombro; teus braços
caminhos dos meus desenganos, teus olhos
abismo do meu amor.
Permita-me extravasar o cansaço, chorar
deixe-me!...
De mim podes sair...
Divago em meus labirintos interiores, onde
os meus silêncios fazem-se ouvidos de mim.
Minha dor maior é tentar ouvidar-te.
Minha lágrima sobeja e fecunda toda a poesia
que me resta, pois quanto mais distante estás
mais derramo inspiração... verto palavras,
alimento a minha alma.
Faz tempo que combatemos nas raias do
esquecimento... ora, surdos, mudos, muros,
ora, pontes, trincheiras, lágrimas... soldados
na arena do adeus!

3 de agosto de 2009

GÊNIO MENINO


Teu universo fechou-se em derredor...
Agora eu e tu numa justa laçada, apertado
laço, cego nó, nossas aselhas aliadas.
Negar, não posso essa magnética esfera
que nos aproxima, atrai-nos, enlaça-nos,
e, doravante dentro de mim mora um anjo...
tornando-me uma ninfa caída, mas, colorida
içando vôos maiores em meu singular
encantamento interior.
Mas, há também este agror que transpassa
o meu coração rebelde inquietando meu
espírito viajor.
Como ludibriar este querubim diligente e
assim te permitir tesouro tão superior?
Anjo traidor!... gnomo que transforma
astutamente homem e mulher, ódio e amor...
Como lidar com este instinto enganador?
Como discernir o que é demônio e deidade
dentro deste meu arbítrio sonhador?!
Duende mofino, menino saqueador...
ata-me às suas amarras, acerta-me as suas
flechas, faz-me arrastar asas ao encontro
deste moço, belo elfo tentador.
Gênio da guerra e da paz e que transitar
faz-me entre o contentamento e a dor...
Com ele diviso tantas miragens, angélicas
paisagens... ente guardião, mecenas do amor!

LIBERDADE

(Poema de JG de Araujo Jorge)

A liberdade é o meu clarim de guerra
e eu sou, no meu viver amplo e sem véus,
como os caminhos soltos pela terra,
como os pássaros livres pelos céus.

Ela é o sol dos caminhos ! Ela é o ar
que os enche os pulmões, é o movimento,
traz num corpo irrequieto como o mar
uma alma errante e boêmia como o vento.

Minha crença, meu Deus, minha bandeira,
razão mesma de ser do meu destino,
há de ser a palavra derradeira
que há de aflorar-me aos lábios como um hino.

Liberdade: Alavanca de montanhas!
Aureolada de louros ou de espinhos
há de cingir-me a fronte nas campanhas,
há de ferir-me os pés pelos caminhos.

Sinto-a viva em meu sangue palpitando
seja utopia ou seja ideal, - que importa?
Quero viver por esse ideal lutando,
quero morrer se essa utopia é morta !

2 de agosto de 2009

CORROSIVO


Degusto o vinho rascante das
horas aflitas...
O tempo corrói como álcool,
danifica como álcali.
Os tonéis tormentosos das tristezas
inebriam minha alma, embebem
meu espírito entorpecido pelas ilusões...
Em longos goles eu bebo a saudade,
encharco-me de dúvidas.
Será que a insensatez não terá fim?!
Minhas mãos ainda firmes, minhas
emoções há tempos trêmulas não
acertam meus passos, não direcionam
minha vida, não saciam meus lábios
e não me libertam o coração.
Eu provo o azedume das uvas colhidas
fora de época e macero os meus dias
no lagar das incertezas.
Meus olhos embaçados não veem
com nitidez os vinhedos da esperança,
tampouco o arado das realizações.
Meu âmago entorpecido, embriagado
e doentio não me preenche a vida monótona.
Meus campos ignotos a perder de vista
envenenam-me a taça das afeições!...