16 novembro, 2009

CÉU LARANJA (Cacau Loureiro)


Em aspirações recorrentes avisto
os campos prometidos...
Em tua seara provei de mais nobre fruto,
gosto ímpar que jamais experimentarei
de novo.
Vastidão tremenda de despetalados
malmequeres, mas, onde ainda há
sementes germinando em profusão...
Constato que o colorido de outrora
permanece incólume, novedio.
Há a viração das noites solitárias que
envolve o buquê dos amores confiados
ao vento.
Nas esferas que me foram lume de
estrelas eu enfeito ainda o meu tempo
presente; longas e padecidas horas que
esvoaçam lembranças...
Há tanto pesar a permear a florada em
que me abraço, pois que a dor é para
os simples de afeto... também para os
gigantes de alma.
A brisa do vazio que me cerca traz canções
várias, tristes árias a ecoarem na escuridão
primaveril em que me peito arde.
Caminho a esmo através do verdejante da
esperança que renasce em mim como pôr de sol...
Há no céu laranja que me mostraste nalgum dia
feixes da pequenina flor que hei de chamar para
sempre... a margarida do amor!...


Um comentário:

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