07 outubro, 2009

CATIVA (Cacau Loureiro)


Os que se perderam hão de se encontrar...
Porque no enredo dos homens o destino tece
a teia, transforma a têmpera, derrete o aço
e adoça o fel.
Nada há que a impermanência não converta!...
Na escolha entre duas estradas, eu fito o sol,
sinalizo aos céus, pois que são eles que preparam
minha substância para o trajeto.
No emaranhado dos caminhos a esperança
desmantelada demarca os limites efêmeros
dos homens fúteis, das escolhas tolas.
Homo sapiens, primatas e chibatas de si mesmos
açoitados no azeite que fomenta e amacia seus
caracteres rígidos, seus peitos de pedra.
Mas ainda assim eu olho ao longe, removo muros,
eu crio pontes, e não esmoreço em meu semblante
o largo riso.
E cravo meus olhos nas noites estreladas...
Minha alma pertence ao universo, não às correntes
dos homens, não ao mar dos desprezos.
Sou nau errante eu sei, e singro ainda em águas
abundantes dos afetos.
Mata-me pois, porque a morte é suplício e acalanto!...

Um comentário:

  1. Muito belo!
    "Revele-nos o segredo da vida, o mistério da sobrevivencia, a vontade de viver, o desejo de sonhar!"

    Parabéns!
    BeejO!

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